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OLHARES COTIDIANOS

Conhecimento também é proteção

Artigo reflete sobre como conhecer registros, métodos e dados ajuda a reduzir vulnerabilidades ao contratar profissionais

Sátina Pimenta | | Atualizado em
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.


          Imagem ilustrativa da imagem Conhecimento também é proteção
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária |  Foto: Divulgação

Na última quarta-feira, durante uma palestra, recebi uma pergunta que me fez pensar: “Como podemos nos precaver de profissionais oportunistas?” Confesso que a palavra “oportunista” me incomodou. Não porque esse tipo de situação não exista, mas porque falar de profissionais exige uma reflexão mais ampla.

Quem escolhe uma profissão assume responsabilidades técnicas e, em muitas áreas, também éticas. Psicólogos, advogados, médicos, engenheiros, administradores e tantos outros profissionais possuem conselhos, registros e códigos de conduta que regulamentam sua atuação.

Sou psicóloga e advogada e respondo, portanto, a dois sistemas profissionais. Isso significa que, além da formação, existe uma responsabilidade diante de quem confia no meu trabalho.

E talvez esteja aí uma das nossas maiores ferramentas de proteção: conhecer os espaços nos quais estamos entrando. Se alguém diz que é advogado, podemos consultar a OAB. Se é psicólogo, podemos verificar o CRP. Se é engenheiro, o CREA. Não se trata de desconfiar de todo mundo. Trata-se de verificar. Conhecimento é poder, mas também é proteção.

Curiosamente, quando cheguei em casa depois da palestra, meu marido, que é corretor de imóveis, estava conversando com um cliente. Ele comentou sobre uma casa que havia encontrado na internet. Meu marido imediatamente perguntou: “Quem é o corretor?” E foi pesquisar. Verificou o perfil, procurou informações e conferiu o registro profissional.

Aquilo me fez pensar que deveríamos ter esse mesmo cuidado em tantas outras situações.

O problema é que, muitas vezes, procuramos ajuda justamente quando estamos vulneráveis. Uma pessoa que procura um psicólogo pode estar sofrendo.

Uma empresa que busca ajuda para lidar com riscos psicossociais pode estar enfrentando conflitos, adoecimento ou pressão. Nessas horas, queremos respostas rápidas e podemos nos deixar seduzir por quem promete resolver tudo.

Na última quarta-feira, falando sobre NR-1, também trouxe essa preocupação. O tema dos riscos psicossociais ganhou importância e, felizmente, cada vez mais empresas procuram profissionais especializados.

Mas uma análise séria não pode ser reduzida a um formulário preenchido e um relatório bonito. É preciso conhecer a metodologia, compreender os dados, avaliar os riscos e transformar diagnóstico em ação.

As redes sociais também exigem cuidado. Um perfil bonito não é certificação. Muitos seguidores não significam, necessariamente, competência. E uma crítica isolada também não define um profissional. Precisamos aprender a buscar informações verificáveis.

Uma frase que carrego comigo diz: “Contra dados, há pouco argumento.” Talvez não seja possível nos proteger completamente de profissionais inadequados. Mas podemos diminuir nossa vulnerabilidade. Podemos perguntar, pesquisar, verificar e compreender antes de contratar. E foi essa a reflexão que ficou comigo depois da palestra: precisamos aprender a respirar antes de decidir.

Quando estamos desesperados, queremos soluções imediatas. Mas nem sempre quem oferece a resposta mais rápida é quem possui a melhor resposta.

Não precisamos viver desconfiando de todos. Precisamos viver conhecendo mais. Porque conhecimento não é apenas informação. Conhecimento também é uma forma de proteção.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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