Brasileiros envelhecem 10 anos antes que os europeus
Estudo com mais de 30 mil pessoas indica que brasileiros perdem autonomia nas tarefas do dia a dia cerca de 10 anos antes que europeus.
Os brasileiros envelhecem, em média, 10 anos antes que os europeus no que diz respeito à capacidade de realizar atividades cotidianas de forma independente. Um estudo identificou que as dificuldades nas tarefas do dia a dia começam a aparecer mais cedo no País.
A pesquisa comparou dados de pessoas com 50 anos ou mais no Brasil e na Europa. No cenário brasileiro, o aumento do risco de apresentar limitações, processo chamado de declínio funcional, ocorreu entre os 60 e 69 anos. Já na Europa, esse quadro foi observado apenas entre os 70 e 79 anos.
Paixão pela leitura
A aposentada Maria Zuckman, de 79 anos, conta que consegue realizar sozinha as atividades do dia a dia.
Um dos motivos, segundo ela, é sua paixão pela leitura. “Ler deixa a minha mente ativa. Como leio muito, sinto que isso me ajuda em tudo”.
Maria também associa essa vitalidade à sua rotina regrada. “Quando levanto, já tenho meus objetivos. Arrumo a cama, tomo banho, preparo meu café, e vou seguindo o dia”, conta.
Desigualdade social acelera o envelhecimento funcional
A presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Espírito Santo (SBGG-ES), Fernanda Sperandio, explica que o fenômeno está ligado, principalmente, às desigualdades sociais do País, como mostra o estudo.
"O brasileiro, em média, está mais exposto a fatores que aceleram o declínio funcional, como menor escolaridade, renda mais baixa e acesso desigual aos serviços de saúde"
Além do contexto social, as doenças crônicas também influenciam o envelhecimento funcional.
"Muitos convivem com hipertensão, diabetes ou obesidade sem receberem diagnóstico ou tratamento adequado, causando danos cumulativos ao organismo"
é o que diz a médica.
Perda de autonomia e impacto na qualidade de vida
O geriatra Roni Chaim Mukamal, da Unidade de Especialidades Clínicas do Hucam/Ufes e professor do Departamento de Clínica Médica, alerta que a perda funcional é motivo de preocupação.
"Quando o idoso perde essa capacidade, geralmente isso pode ser indicativo de alguma doença ou de que alguma coisa está acontecendo, além de representar uma perda de qualidade de vida"
Esse declínio pode fazer com que o idoso precise de ajuda para tarefas que antes realizava sozinho, como tomar banho, se vestir, se alimentar, caminhar, fazer compras e administrar medicamentos.
O que mostra o estudo sobre envelhecimento funcional
Uma pesquisa com mais de 30 mil pessoas mostrou que o envelhecimento funcional começa cerca de 10 anos mais cedo no Brasil do que na Europa. No País, o aumento do risco de perda da capacidade de realizar atividades do dia a dia de forma independente foi observado entre os 60 e 69 anos. No continente europeu, ocorreu apenas entre os 70 e 79 anos.
Essa perda, chamada de declínio funcional, compromete a autonomia e aumenta a necessidade de apoio de familiares, cuidadores ou serviços de saúde.
Principais motivos para o declínio funcional precoce
Entre os fatores associados ao envelhecimento funcional precoce estão:
- Menor escolaridade.
- Baixa renda.
- Dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
- Sedentarismo.
- Alimentação inadequada.
- Perda de massa e força muscular.
- Hipertensão.
- Diabetes.
- Obesidade.
- Depressão.
- Problemas de memória.
- Perda da visão ou audição.
- Isolamento social.
Hábitos que ajudam a prevenir a perda de autonomia
Mesmo que o envelhecimento seja inevitável, a perda de autonomia pode ser revertida ou adiada com a adoção de alguns hábitos, segundo o geriatra Gustavo Genelhu.
"Atividade física, controle das doenças crônicas, alimentação saudável, sono adequado, estímulo cognitivo e manutenção das relações sociais podem ajudar"
Ele reforça que nunca é tarde para começar a mudar o estilo de vida.
"Pessoas com 80 anos ou mais ainda podem melhorar a capacidade para realizar atividades cotidianas quando começam um programa adequado de exercícios"
“Fiquei mais forte”
A aposentada Jorminda Xavier Coutinho, de 70 anos, conta que recuperou a disposição depois que começou a praticar musculação. Antes, ela tinha dificuldade até para fazer tarefas simples do dia a dia. “Eu não conseguia andar direito, sentia muita dor no corpo e nas pernas e não tinha vontade de fazer nada”.
Hoje, Jorminda vai à academia quase todos os dias e percebe a diferença na rotina. “Fiquei mais forte. Agora consigo levantar a perna, amarrar o tênis e caminhar muito mais. Não vivo sem musculação”.
Entre as principais medidas de prevenção estão:
- Praticar atividade física regularmente, principalmente exercícios de força.
- Manter uma alimentação equilibrada.
- Controlar doenças crônicas.
- Dormir adequadamente.
- Não fumar.
- Evitar o consumo excessivo de álcool.
- Manter vínculos sociais.
- Estimular o cérebro com leitura, aprendizado e outras atividades.
- Fazer acompanhamento médico regularmente.
- Prevenir quedas.
As informações são da pesquisa AT e de médicos entrevistados.
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