LeCard anuncia nova unidade em Vitória com previsão de 75 novos empregos
LeCard comprou antigo imóvel do Santander, que está em reforma e vai reunir negócios nas áreas de saúde, seguros e crédito
A LeCard vai abrir uma nova unidade no centro de Vitória com previsão de abrir 75 empregos. Será no prédio onde funcionava a antiga sede do Santander, na avenida Princesa Isabel, comprada pela empresa e atualmente em reforma. A inauguração está prevista para 2027.
O espaço reunirá o Cartão da Família, voltado para serviços de saúde, além das novas áreas de corretora e empréstimos. O braço de saúde já emprega 25 pessoas e a expectativa é chegar a 100 colaboradores no prédio. A estrutura atual da LeCard, que conta com 120 profissionais, continuará funcionando no mesmo endereço.
A expansão acompanha o crescimento financeiro da administradora de cartões de benefícios. A movimentação passou de R$ 125 milhões em 2021 para R$ 1,9 bilhão em 2025, segundo o CEO Erly Vieira. A meta para este ano é alcançar R$ 2,5 bi.
Fundada em 2013, a empresa informa atuar nos 26 estados e no Distrito Federal, com 150 mil estabelecimentos credenciados. Também prepara para o fim deste mês o lançamento de um cartão com a bandeira Mastercard, que se juntará às opções Visa e Elo.
Em entrevista ao Histórias Empresariais, Erly também falou sobre Inteligência Artificial, empregos, expansão nacional e mudanças no mercado de benefícios.
A Tribuna — Esse assunto do vale-refeição e do vale-alimentação foi tema de grande debate, e saíram regras que envolvem portabilidade e possibilidade de saque. O senhor considera essas alterações positivas?
Erly Vieira — Como benefício de alimentação e refeição, o ideal é não permitir saque. Desde a criação do modelo na França, o princípio é preservar a alimentação da família do trabalhador. No vale-alimentação e refeição, não é possível sacar, fazer Pix nem pagar boletos. No cartão de premiação, pode gastar, sacar, fazer Pix para o próprio CPF e pagar boletos.
Mas existe a possibilidade de portabilidade, por exemplo?
Portabilidade é o próprio funcionário escolher qual cartão quer. A empresa pode oferecer LeCard e ele dizer que prefere Ticket, por exemplo. Existe também a interoperabilidade, que permitiria usar um cartão em um estabelecimento credenciado por outra administradora. Isso ainda não existe porque é preciso saber onde está o saldo e quem vai pagar o comerciante.
O caminho discutido é o arranjo aberto, com bandeiras como Elo, Visa e Mastercard. A LeCard tem o cartão próprio, de arranjo fechado, que passa nos nossos credenciados, e já trabalha com Elo e Visa. Estamos quase prontos para lançar também o Mastercard.
Já existe um prazo para isso ocorrer?
A previsão é para o fim deste mês. Com essas bandeiras, a abrangência fica muito maior. Estamos nos 26 estados e no Distrito Federal.
Hoje temos 150 mil estabelecimentos credenciados no Brasil. Com a Elo, por exemplo, o alcance passa para 13 milhões. Isso dá tranquilidade para atender empresas, como transportadoras, cujos veículos circulam por todo o País.
Vamos falar um pouco sobre a história da LeCard. Ela foi criada por outro empreendedor. O que aconteceu depois?
Flávio (Figueiredo Assis, hoje na indústria automotiva e chamado de “Elon Musk brasileiro”) criou a LeCard e começou a operar no fim de 2013. Na época, administrar cartões exigia grande investimento porque era preciso pagar o comerciante antes de receber do cliente.
Era necessário aportar dinheiro. Em 2018, ele procurou investidores e dois irmãos entraram como sócios, com 50%. A empresa começou a crescer, sair do Espírito Santo, participar de licitações e buscar contratos privados.
Em 2021, fui procurado. Implantamos governança e mais gestão. Depois, entrou um terceiro sócio com recursos para dar outra alavancada. Hoje são três sócios e passei a ser o gestor da empresa.
Qual é o valor envolvido nessa operação, seja valor de mercado ou faturamento?
Publicamos o balanço a cada três meses. Em 2021, tínhamos movimentação financeira de R$ 125 milhões. Depois, passamos por R$ 500 milhões, R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão. No ano passado, chegamos a R$ 1,9 bilhão. Neste ano, temos a meta de alcançar R$ 2,5 bilhões.
Isso é movimentação financeira, não faturamento. Desse valor sai a receita bruta e, retiradas as despesas, chegamos à receita líquida.
Hoje vivemos a era da Inteligência Artificial. Temos Pix, e vem aí até pagamentos na palma da mão. O senhor acredita que o cartão vai resistir?
Temos de acompanhar essa evolução. Já oferecemos reconhecimento facial, pagamento por QR Code, cartão virtual no aplicativo para Android e iOS e pagamento pelo relógio. Já não é necessário andar com o cartão físico.
Essa evolução é muito grande. Reconhecimento facial e cartão virtual já são utilizados. O meio de pagamento vai se transformando e precisamos acompanhar.
Hoje a empresa funciona onde? Qual é a estrutura e quantas pessoas trabalham nela?
A LeCard começou em 2013, em uma sala pequena na Reta da Penha, perto da Igreja Santa Rita. Em 2021, quando cheguei, tínhamos 70 colaboradores e ocupávamos entre oito e 10 salas em cinco andares.
Naquele ano, observei que as grandes administradoras de cartões de benefícios estavam em Alphaville e Barueri, em São Paulo, onde havia um benefício fiscal que reduzia o ISS de 5% para 2%.
Transferimos a matriz para lá e ficamos até 2023. Em 2023, a Prefeitura de Vitória criou condição semelhante para empresas que fossem para o Centro. Decidimos trazer a matriz de volta porque somos capixabas. Na Reta da Penha, já ocupávamos 14 salas em seis andares e tínhamos 110 funcionários. As pessoas quase não se conheciam e se comunicavam por telefone.
Fomos para um prédio no início da avenida Princesa Isabel, próximo às avenidas Vitória e Jerônimo Monteiro. Pegamos o nono andar, derrubamos as divisórias e criamos um ambiente aberto. Eu e os diretores não temos salas, temos mesas. Quando alguém precisa resolver um problema com outro setor, levanta e conversa pessoalmente.
Mudamos em abril de 2023. Quando chegamos, o prédio tinha 40% de ocupação e hoje está com 80%. O Mercado da Capixaba reabriu e vários restaurantes também voltaram a funcionar. Percebemos uma revitalização do Centro e somos participantes disso.
Hoje temos 120 profissionais, sendo 100 pela CLT e 20 pessoas jurídicas, além dos terceirizados. Seis empresas procuram licitações em todo o Brasil e fazem uma primeira seleção para nós. Ainda terceirizamos parte do trabalho jurídico, com oito advogados, além do Serviço de Atendimento ao Cliente.
A LeCard tem 120 colaboradores, sendo 100 diretos e 20 pessoas jurídicas, além dos terceirizados. Às vezes, uma grande indústria se instala com 50 funcionários. O setor de serviços é limpo e gera muito emprego. A empresa pretende expandir?
Temos outro braço na saúde, com um cartão de benefícios chamado Cartão da Família. Vendemos o cartão e os associados utilizam clínicas credenciadas, pagas por nós. E estamos indo para uma vertente de corretora e empréstimos. Vamos iniciar 2027 com isso.
Compramos a antiga sede do Santander, na Princesa Isabel. São dois andares, com garagem para 20 carros, e já estamos reformando. A ideia é chegar a 100 pessoas nessa operação. O Cartão da Família já tem 25 trabalhadores. Seriam mais 75 nas outras atividades. A LeCard continuará no endereço atual, com os 120 profissionais.
Perfil
Erly Vieira
Profissão: Engenheiro metalurgista e empresário
Cargo: CEO da LeCard
Formação: Engenharia Metalúrgica e Administração, pós-graduação e mestrado
Família: Viúvo, pai de três filhos e avô. Tem 74 anos de idade
Carreira: Trabalhou 19 anos na siderurgia e atuou como consultor
Religião: Católico
Autor do livro “Excelência em Vendas”
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