O novo sempre vem
Artigo relaciona versos da música popular brasileira ao Dia Internacional da Juventude e à renovação de lideranças no cooperativismo
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Como um bom ouvinte da música popular brasileira, sempre me emociono com os versos de Belchior eternizados na voz de Elis Regina que dizem: “Mas é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”. Com essas sábias palavras do compositor cearense, proponho uma reflexão para o Dia Internacional da Juventude.
A juventude sempre foi a força motriz das transformações do País. A própria história da música brasileira oferece muitos exemplos disso. Durante o período militar, jovens artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque usaram sua arte para defender a liberdade de expressão, a democracia e o fim da repressão.
Ainda hoje, os jovens continuam impulsionando mudanças que contribuem para o desenvolvimento. No cooperativismo, essa realidade não é diferente. A presença das novas gerações mantém o modelo cooperativista vivo, resiliente e preparado para responder aos desafios de um mundo em constante transformação.
Quando iniciei no cooperativismo, ainda jovem, na década de 1990, tinha muito entusiasmo e paixão pelo que o cooperativismo representava. Havia também uma forte vontade de pensar em soluções que ajudassem as cooperativas a se desenvolverem. Essa energia inicial moldou minha caminhada profissional e segue até hoje.
Parafraseando Belchior, muitas pessoas ainda permanecem presas ao passado e deixam de enxergar as oportunidades trazidas pelas novas gerações. Mas é justamente da inquietude dos jovens que nasce a inovação. São eles que questionam modelos estabelecidos e enxergam possibilidades onde muitos veem apenas obstáculos.
Por isso, precisamos abrir portas para que esse público ocupe posições de liderança dentro das cooperativas. Renovar a gestão não significa abrir mão da experiência, mas reconhecer que a combinação entre diferentes gerações produz organizações mais preparadas para os desafios.
Dados prévios do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2026 mostram que 22,4% dos homens cooperados e 25% das mulheres cooperadas de cooperativas com atuação no nosso Estado têm até 29 anos. Porém, quando observamos a presença dessa faixa etária em cargos de direção e gerência, o percentual ainda não chega a 3%.
Os números revelam um contraste que merece atenção: os jovens participam do cooperativismo, mas ainda não têm uma participação efetiva nos espaços decisórios. Essa transição e o aumento da participação dos jovens devem ser incentivados, pois garantem o futuro do cooperativismo.
Ao mesmo tempo em que reconheço o papel indispensável da juventude, faço um convite aos cooperativistas de todas as idades. Os anos podem passar, mas a inquietude e a paixão da juventude devem nos acompanhar ao longo da vida. São essas virtudes que nos permitirão construir um cooperativismo cada vez mais pujante.
Encerro recorrendo a outro grande nome, Gonzaguinha, que traduziu como poucos a força transformadora das novas gerações. Em “Vamos à luta”, ele escreveu: “Eu vou à luta é com essa juventude, que não foge da raia a troco de nada, eu vou no bloco dessa mocidade, que não tá na saudade e constrói a manhã desejada”.
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