Evidências em Segurança Pública
Segurança Pública Baseada em Evidências propõe trocar o improviso por dados, avaliação de impacto e prevenção estratégica no combate ao crime
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Durante décadas, a segurança pública brasileira foi conduzida pela experiência acumulada, pela tradição institucional e pela intuição de seus gestores. Embora a experiência seja indispensável, ela, isoladamente, já não basta para enfrentar uma criminalidade cada vez mais internacionalizada e tecnologicamente sofisticada.
Nesse contexto, consolida-se a Segurança Pública Baseada em Evidências (SPBE), inspirada na medicina baseada em evidências. Seu princípio é simples e evolucionário: formular políticas públicas a partir daquilo que efetivamente produz resultados, substituindo o empirismo pela análise científica, pela avaliação de impacto e pelo uso sistemático de dados confiáveis.
As origens desse movimento remontam à criminologia experimental da década de 1960. Posteriormente, países como Reino Unido e Estados Unidos passaram a submeter seus programas de segurança à avaliação científica, estabelecendo indicadores objetivos para mensurar sua efetividade. Atualmente, organismos internacionais recomendam essa metodologia como referência.
No Brasil, essa transformação vem sendo precedida por um consistente movimento intelectual em favor de uma segurança pública orientada pela prevenção e pela gestão por resultados. Entre seus principais expoentes destacam-se Nazareth Cerqueira, Jorge da Silva, Alberto Kopittke, Nazareno Marcineiro, Luiz Eduardo Soares e Jaqueline Muniz, entre outros estudiosos que contribuíram para consolidar esse paradigma.
Nesse processo, o Espírito Santo ocupa posição de destaque. Em 1994, com a Polícia Interativa, nasceu uma das mais inovadoras experiências de aproximação entre polícia e comunidade. Ainda no século passado, o Estado incorporou princípios de participação comunitária e avaliação de resultados que, posteriormente, seriam reconhecidos como embriões da Segurança Baseada em Evidências em terras capixabas.
Essa trajetória alcançou novo patamar com a publicação, em 2023, do Manual de Segurança Pública Baseada em Evidências, de Alberto Kopittke, resultado de anos de pesquisa e da análise de aproximadamente 170 programas nacionais e internacionais.
A Lei nº 13.675/2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública, fortaleceu essa diretriz ao incentivar a integração de dados e o planejamento estratégico das políticas públicas.
A Segurança Pública Baseada em Evidências não substitui a experiência policial; ela a aperfeiçoa. A vivência operacional passa a dialogar com a ciência e com a avaliação de resultados. A pergunta deixa de ser “o que sempre fizemos?” para tornar-se “o que as evidências demonstram que realmente funciona?”. Em outras palavras, trata-se da transição da polícia que reage aos fatos para a polícia que antecipa riscos e previne ocorrências, ou seja, da polícia do aconteceu para a polícia do pode acontecer.
Em uma sociedade que exige eficiência e transparência, a ciência não substitui o policial; amplia sua capacidade de decidir. Fortalecer a ordem pública por meio das evidências significa construir políticas eficientes, preservar vidas e preparar, desde hoje, a polícia de que o Brasil necessitará no seu amanhã.
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