Refluxo gastroesofágico tem cura?
Essencial para a digestão e absorção de nutrientes, o ácido clorídrico só causa problemas quando o conteúdo do estômago retorna ao esôfago
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Para que o ácido clorídrico não seja visto como um vilão, devemos entender suas funções, como digestão de proteínas, ativação enzimática, barreira de defesa e absorção de nutrientes. Responsável pela produção do suco gástrico, o estômago cria um ambiente ácido que desnatura proteínas dos alimentos, facilitando a quebra em pedaços menores.
Agindo de forma enzimática, o ácido clorídrico transforma o pepsinogênio inativo em pepsina, que é a principal enzima responsável por digerir as proteínas no estômago.
Ele também atua como um filtro químico, que elimina bactérias, vírus e fungos presentes nos alimentos, impedindo infecções intestinais.
Finalmente, o ácido clorídrico ajuda a ionizar e preparar minerais essenciais, como ferro, cálcio, zinco, magnésio e vitamina B12, para serem absorvidos pelo intestino.
Em condições normais, o conteúdo gástrico não passa para o esôfago, uma vez que existe um esfíncter esofágico inferior que atua como uma válvula, impedindo a passagem dos alimentos.
Quando esta barreira muscular se altera ou relaxa de forma inadequada, o conteúdo gástrico passa para o esôfago, irritando a mucosa e originando diferentes sintomas e complicações.
A sensação de ardor no trajeto do esôfago é o principal sintoma do refluxo gastroesofágico, gerado pela passagem de alimentos ácidos do estômago para a boca.
Ela costuma piorar após as refeições, especialmente com alimentos que favorecem o relaxamento do esfíncter ou com excessos alimentares.
Em alguns casos, os sintomas predominantes são respiratórios, como rouquidão, pigarro e asma.
Fatores dietéticos ou estilos de vida podem contribuir para o refluxo gastroesofágico.
Frituras, café, tabaco, bebidas alcoólicas, entre outros, desencadeiam o relaxamento do esfíncter esofágico inferior, facilitando o retorno ácido.
Situações que impliquem o aumento da pressão intra-abdominal, como obesidade, gravidez e determinados tipos de exercício físico, também favorecem o refluxo.
Em geral, os casos ligeiros e não complicados apenas requerem controle dos sintomas, e a duração do tratamento depende exclusivamente do incômodo referido pelo doente.
O tratamento farmacológico depende dos sintomas, especialmente da sua frequência e gravidade. Em algumas ocasiões, é suficiente usar antiácidos, embora, em alguns casos, seja necessário bloquear a secreção do estômago. Se existirem sintomas de regurgitação, podem ser indicados fármacos procinéticos, visando aumentar a motilidade esofágica.
Quando é necessário tratamento farmacológico a longo prazo, ou quando são necessárias doses muito elevadas de fármacos anti secretores, pode optar-se pelo tratamento cirúrgico, denominado fundoplicatura.
Sendo uma doença crônica, o refluxo requer tratamento de manutenção, embora este dependa da gravidade do quadro e da existência de complicações.
Para que o estômago não reflua sua acidez, façamos do alimento um laço, desses laços que se atam e desatam com delicadeza.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.