Sua vida financeira está mais digital. E os riscos também
Com mais operações bancárias no smartphone, golpes ficam mais sofisticados e pressionam instituições a reforçar prevenção, resposta e confiança
Tasso Lugon
Tasso Lugon é CEO da Banestes DTVM e especialista em tecnologia, inovação e transformação digital. Reconhecido nacionalmente, lidera projetos que unem setor público e financeiro para gerar impacto e inclusão. Sua trajetória inclui passagens pelo Tribunal de Justiça do ES, Ministério Público Estadual, Prefeitura de Vila Velha e Governo do Estado, sempre promovendo modernização e resultados.
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Pagar uma conta, fazer uma transferência, contratar um investimento ou consultar o saldo são tarefas que hoje cabem na palma da mão.
A transformação digital trouxe uma comodidade que, poucos anos atrás, parecia distante. Mas, quanto mais a nossa vida financeira migra para o celular, maior se torna o desafio de protegê-la.
Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, 82% das transações realizadas por pessoas físicas no Brasil já acontecem por canais móveis.
Essa facilidade mudou nossa relação com o dinheiro, mas também chamou a atenção dos criminosos, que passaram a agir com mais velocidade e sofisticação.
Os golpes por mensagens falsas continuam existindo, mas estão mais convincentes. Com o avanço da inteligência artificial, tornou-se possível reproduzir vozes, criar imagens e escrever mensagens muito parecidas com as de pessoas e empresas conhecidas.
O golpe que antes chegava com erros grosseiros agora pode mencionar nomes, hábitos e situações reais da vítima.
Por isso, a cibersegurança deixou de ser um assunto restrito aos profissionais de tecnologia. Ela passou a fazer parte da vida de todos nós e, para as instituições financeiras, tornou-se uma questão de confiança.
O cliente não espera apenas que um aplicativo seja rápido e fácil de usar. Ele parte do princípio de que seu dinheiro, seus dados e suas transações estarão protegidos. Quando essa confiança é quebrada, o prejuízo não é apenas financeiro. A reputação de uma instituição, construída durante anos, pode ser abalada em poucas horas.
Outro ponto importante é que os serviços financeiros não funcionam de maneira isolada. Bancos e demais instituições dependem de empresas de tecnologia, plataformas, serviços em nuvem e diferentes fornecedores.
O relatório de segurança da Verizon de 2026 mostra que terceiros estiveram envolvidos em 48% das violações de dados analisadas. Isso significa que não basta proteger apenas a própria estrutura: toda a cadeia precisa estar preparada.
Também é comum ouvirmos que o ser humano é o elo mais fraco da segurança. Essa afirmação, porém, precisa ser vista com cuidado. É claro que cada pessoa deve desconfiar de links, pedidos urgentes e solicitações de senha.
Mas as empresas também precisam oferecer processos simples, alertas claros e canais acessíveis para comunicar situações suspeitas.
Nenhuma instituição conectada pode prometer risco zero. O compromisso possível é investir em prevenção e estar preparada para identificar um ataque, responder rapidamente e manter os serviços funcionando.
Na minha avaliação, segurança não deve ser vista como uma barreira à inovação. Ao contrário: é ela que permite avançar de forma responsável. No setor financeiro, a tecnologia sustenta as operações, mas é a confiança que sustenta o relacionamento com as pessoas.
E, em uma sociedade cada vez mais digital, proteger essa confiança se tornou responsabilidade de todos.
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