Dedo mindinho de smartphone? Uso do celular pode deformar as mãos?
Especialistas explicam que o apoio prolongado do celular no dedinho pode provocar marca temporária, mas não deformidade definitiva
Com os brasileiros passando, em média, 116 horas por semana conectados à internet — segundo apontou pesquisa realizada pela NordVPN, aplicativo de privacidade e segurança digital —, o uso do celular passou a ser diário na vida de boa parte da população.
Mas será que esse uso frequente pode comprometer a saúde das mãos e dedos? Por ser apoiado no dedo mínimo, há risco de deixá-lo torto? Essas são algumas dúvidas que têm “invadido” as redes sociais. Para esclarecer o que é mito e verdade, A Tribuna ouviu especialistas.
O ortopedista e especialista em cirurgia da mão e microcirurgia Guilherme Augusto Amariz esclarece que o apoio prolongado no dedo mínimo pode causar uma marca ou impressão temporária, mas não uma deformidade permanente.
Segundo o ortopedista e especialista em cirurgia de mão Lucas Nemer, o corpo tem “uma capacidade incrível” de se adaptar aos estímulos que ele recebe.
“Toda região que sofre com mais atividade mecânica tende a se alterar para suportar. É o mesmo princípio dos calos dos pés”.
Lucas explica que o chamado “dedo mindinho de smartphone” nada mais é do que uma espécie de “calo do dedo mindinho” para resistir ao exercício repetitivo.
As lesões mais relacionadas ao uso repetitivo do celular, segundo o ortopedista e traumatologista Daniel Solino, do Hospital Santa Rita, são a tenossinovite de De Quervain (inflamação dos tendões na base do polegar), tendinites/tendinopatias do polegar, síndrome do túnel do carpo e dedo em gatilho.
“As queixas mais frequentes são: dor no polegar ou base do polegar, dor no punho, formigamento ou dormência nos dedos, perda de força ou preensão, rigidez, inchaço, estalos e travamentos, sensação de fadiga. A dor ocorre especialmente ao digitar, deslizar a tela ou segurar o aparelho. O formigamento costuma acontecer no polegar, indicador e dedo médio”.
Algumas medidas simples podem evitar esses desconfortos, aponta o ortopedista e especialista em cirurgia da mão e microcirurgia Guilherme Amariz, como evitar longos períodos contínuos de uso, fazer pausas a cada 20 ou 30 minutos, alternar as mãos ao segurar o aparelho e procurar manter o punho em uma posição mais neutra, sem ficar muito dobrado.
Cuidados
Cautela após desenvolver tendinopatia
A influenciadora digital Rowenna Coimbra, de 31 anos, passa muitas horas por dia usando o celular, seja gravando conteúdos, respondendo seguidores, editando vídeos ou negociando parcerias.
Para evitar sobrecarga, ela conta que procura alternar entre o celular e o computador, quando possível, e evita ficar muito tempo na mesma posição.
Todos esses cuidados foram redobrados depois de ela ter desenvolvido uma tendinopatia, já que, além do celular, Rowenna tem outro emprego, em que ela passa muitas horas na frente do computador, com atividades que exigem movimentos repetitivos.
“Sempre que possível faço pequenas pausas ao longo do dia, principalmente entre gravações e edições. E em meu outro trabalho utilizo cadeira totalmente regulada, apoio para os pés, apoio para os braços e todos os recursos necessários para reduzir a sobrecarga”.
Tratamento pode exigir até cirurgia
Horas seguidas digitando, jogando ou navegando nas redes sociais podem sobrecarregar tendões, músculos, articulações e nervos, e as consequências desse uso pode levar até mesmo o paciente para a mesa de cirurgia.
Conforme destaca o ortopedista e especialista em cirurgia da mão e microcirurgia Guilherme Augusto Amariz, o tratamento depende da lesão e da gravidade dos sintomas.
“A primeira medida é reduzir a sobrecarga, fazendo pausas durante o uso do celular e corrigindo a postura das mãos e dos punhos. Também podem ser indicados medicamentos para controle da dor e inflamação, fisioterapia, terapia da mão e, em alguns casos, o uso de órteses para imobilização temporária”.
Em muitos casos, pode ser necessário um procedimento chamado infiltração, conforme explica o ortopedista e especialista em cirurgia de mão Lucas Nemer, que é quando o remédio é colocado ao redor dos tendões inflamados.
“Quando não há respostas a esses tratamentos, algo pouco comum, pode ser até necessário cirurgia”, afirma o médico.
Fique por dentro
Risco do uso prolongado do celular para as mãos
Uso excessivo do celular pode causar transtornos musculoesqueléticos nas mãos e dedos, e agravar sintomas já existentes, inclusive síndrome do túnel do carpo, explica o ortopedista e traumatologista Daniel Solino.
O uso prolongado pode ainda causar dor e fadiga das mãos, sobrecarregar os polegares e punhos, levar a processos inflamatórios (tendinites) e desconforto.
As lesões mais relacionadas ao uso repetitivo do celular são a tenossinovite de De Quervain, tendinites/tendinopatias do polegar, síndrome do túnel do carpo e dedo em gatilho.
Tratamento
Geralmente, o tratamento para os problemas nas mãos causados pelo celular inclui reabilitação, uso de próteses, medicações e gelo.
Em muitos casos, de acordo com o ortopedista e especialista em cirurgia de mão Lucas Nemer, pode ser necessário um procedimento chamado infiltração, quando é colocado remédio ao redor dos tendões inflamados.
Quando não há respostas a esses tratamentos, algo pouco comum, pode ser até necessário cirurgia.
“Dedo mindinho de smartphone”
Apesar do termo ter se tornado popular, Daniel Solino esclarece que ainda não há evidência científica consolidada, portanto não é um diagnóstico médico estabelecido. Segundo o médico, a literatura científica atual não conseguiu confirmar que o smartphone provoque uma deformidade permanente.
Como adaptar o uso do celular no dia a dia?
Pequenas mudanças de hábito podem reduzir bastante a sobrecarga nas mãos. Entre elas, orienta o ortopedista e especialista em cirurgia da mão e microcirurgia Guilherme Augusto Amariz, estão evitar o uso contínuo do celular por longos períodos, fazer pausas a cada 20 ou 30 minutos, alternar a mão que segura o aparelho e manter o punho em uma posição mais alinhada, sem deixá-lo excessivamente dobrado.
Sempre que possível, também vale apoiar o celular durante o uso, recorrer aos comandos de voz para diminuir a necessidade de digitação e, para textos mais longos, optar pelo computador.
A prática de alongamentos para as mãos e os punhos ao longo do dia também contribui para aliviar a tensão provocada pelos movimentos repetitivos.
Fontes: especialistas consultados.
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