Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

ASSINE
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
ASSINE
tempo 23°C VITÓRIA
User Login
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Assine A Tribuna
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo

TRIBUNA LIVRE

Escrever: verbo existir

Em tempos de hiperconectividade e algoritmos, escrever interrompe a automatização dos dias e reabre o encontro humano

Lilian Menenguci | 24/07/2026, 13:26 h | Atualizado em 24/07/2026, 13:26
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem Escrever: verbo existir
Lilian Menenguci é escritora e doutora em Educação |  Foto: Divulgação

“Por que você escreve?” Essa pergunta, quase inevitável, faz-se presente na vida de quem escreve. Em terras capixabas, de maneira particular, ela ganhou ainda mais potência a partir da voz do saudoso poeta Sérgio Blank.

Numa ocasião, o “poeta azul”, conterrâneo da cidade de Cariacica, reuniu alguns colegas para escrever sobre o tema e organizou toda a produção na obra intitulada “Por que você escreve” (2018), lançada sob o selo da Editora Formar.

De lá para cá, o mundo seguiu cada vez mais complexo e multifacetado, entranhado de características que desenham rotinas individuais e estruturas globais: hiperconectividade, aceleração do tempo e excesso de informações, de opções, de consumo e de possibilidades. Num cenário de algoritmos, de relações da inteligência artificial com a inteligência natural e de esvaziamento do diálogo, vem à cabeça: “escrever, por quê?”.

As motivações, sustentadas numa pluralidade de hipóteses não excludentes, que podem ser singulares e múltiplas, sendo cada uma delas legítima, concorrem, no fundo, para a razão de existir. É um exercício genuíno de humanidade que se dá, sobretudo, no encontro.

A escrita não existe para tornar a realidade mais ou menos confortável. Ela existe para interromper a automatização dos dias e convocar, conforme sugere Carl Gustav Jung, pai da psicologia analítica, a olhar para fora e sonhar; a olhar para dentro e despertar. Nessa perspectiva, ela é leitura e encontro: de si consigo, de si com o outro e de si com o mundo.

Por essas e outras, no Dia Nacional do(a) Escritor(a), assumido por mim como “Dia da Pessoa que Escreve”, comemorado no Brasil em 25 de julho, importa celebrarmos, mais do que uma ocupação artística e intelectual, uma aposta nos modos de ser gente, na diversidade como marca da vida humana e, sobretudo, na indagação sobre a sobrevivência.

Na condição de pessoa que escreve, intento criar uma espécie de espelho no qual as pessoas possam se (re)ver, se (re)conhecer e, por meio do qual, possam (re)encontrar um sentido para a complexa história que nos envolve e constitui. Mas tudo isso sempre questionando o escrito, quem escreve e, também, quem lê.

Enquanto o mundo seduz e induz à suposta superficialidade, a pessoa criadora de textos convida a mergulhar nas profundezas da linguagem: abismos nos quais a humanidade, com suas dúvidas, reflexões, questionamentos e apostas, se revela.

Confesso, ao lado de Clarice Lispector, que não reconheço minha vida apartada da criação literária, do ofício da palavra, alijada da arte de escrever. Sempre que escrevo, é certo, tenho a oportunidade de (re)criar, ética e esteticamente, a existência — ao menos, a minha.

Assim como na palavra há muitas palavras, em cada uma de nós, pessoas, há muitas histórias. Por isso, quando compartilhamos a escrita, tanto quanto a leitura, nossas histórias se entrelaçam, tecem outras e, com isso, ampliam e fortalecem a arte literária — a nossa. Escrever, do verbo existir.

MATÉRIAS RELACIONADAS:

SUGERIMOS PARA VOCÊ:

Tribuna Livre

Tribuna Livre, por Leitores do Jornal A Tribuna

ACESSAR Mais sobre o autor
Tribuna Livre

Tribuna Livre,por Leitores do Jornal A Tribuna

Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna

Tribuna Livre