Índice criado por capixabas pode ajudar a enfrentar super El Niño
Secas, calor e enchentes exigem prevenção diária com o Índice de Perigo de Incêndio (FMA/FMA+) e integração entre ciência, mídia e governo
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O super El Niño intensifica secas, queimadas, ondas de calor e enchentes, ampliando a vulnerabilidade socioambiental. As queimadas nesse contexto tornam-se devastadoras: destroem ecossistemas, liberam gases de efeito estufa, comprometem a saúde com fumaça tóxica e geram prejuízos bilionários.
Em anos de seca intensa já foram registrados milhões de hectares queimados, perdas agrícolas superiores a R$ 10 bilhões e até 30% mais internações por doenças respiratórias. Os impactos incluem redução da geração hidrelétrica, fechamento de parques turísticos e paralisação de atividades econômicas.
Ondas de calor extremo ameaçam comunidades, sobretudo crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. O aumento das temperaturas intensifica desidratação, insolação e agrava problemas cardiovasculares e respiratórios. Já as enchentes provocam perdas materiais, deslocamentos forçados e riscos de contaminação. Torna-se urgente a manutenção preventiva de sistemas de refrigeração em casas, escolas, hospitais e lares de idosos, garantindo condições mínimas de proteção da vida.
Para enfrentar esse desafio, pesquisadores capixabas desenvolveram a Fórmula de Monte Alegre (FMA/FMA+), Índice de Perigo de Incêndio referência nacional, que baseia-se em temperatura, umidade relativa e dias sem chuva. Criada em 1972 por Ronaldo Viana Soares, capixaba de Muniz Freira e professor da UFPR.
Décadas depois, o engenheiro florestal José Renato Soares Nunes, de Castelo, já falecido, aprimorou o método ao incluir a velocidade do vento, criando a FMA+, mais precisa e adaptada às condições brasileiras. Ambos deixaram um legado científico que continua ajudando a proteger nossas florestas e a qualidade de vida.
O índice permite prever com antecedência os períodos de maior risco. Empresas florestais, órgãos ambientais e brigadas já usam a ferramenta, considerada confiável e eficaz.
Porém, sua divulgação ainda é restrita, quando deveria estar presente nos noticiários, tal como a previsão do tempo. É urgente que veículos de comunicação divulguem diariamente o índice, mobilizando comunidades, preparando brigadistas e orientando decisões governamentais, como o fechamento temporário de áreas de conservação e a intensificação da fiscalização.
O Espírito Santo é hoje o estado mais preparado para enfrentar os efeitos do super El Niño, resultado de investimentos em monitoramento climático, fortalecimento da fiscalização e políticas públicas de gestão integrada do fogo.
Para consolidar essa liderança, é fundamental que o Estado adote o Índice de Perigo de Incêndio, transformando-o em ferramenta cotidiana de prevenção, inclusive pelos municípios. Isso pode reduzir impactos do super El Niño e servir de referência para todo o Brasil.
O futuro da prevenção depende da união entre ciência, comunicação e ação política. Cabe ao poder público, sociedade, iniciativa privada e mídia garantir que o Estado e o País estejam mais resilientes diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelo super El Niño. Com integração, é possível reduzir impactos e proteger vidas em um cenário climático cada vez mais severo.
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