Vitória pode ganhar voo para Buenos Aires com novo passo do "Céu Único"
Acordo entre 4 países prevê integração do mercado aéreo e pode ampliar a oferta de rotas e reduzir o preço das passagens
O Brasil assinou um memorando de entendimento com Chile, Paraguai e Argentina para avançar no chamado Céu Único Sul-Americano.
Para o secretário de Estado do Desenvolvimento, Rogério Salume, a iniciativa fortalece as chances de o Espírito Santo passar a contar com voo internacional.
O memorando cria um grupo de trabalho com prazo de 12 meses para harmonizar normas do setor e preparar a implementação gradual de um mercado aéreo mais integrado, permitindo, futuramente, operações de cabotagem entre os países signatários.
Como parte da iniciativa, o Ministério de Portos e Aeroportos publicou uma portaria autorizando a inclusão da chamada 7ª Liberdade do Ar em futuros tratados internacionais de transporte de passageiros.
A modalidade permite que uma companhia aérea opere voos entre dois países estrangeiros sem necessidade de retornar ao país de origem.
A chilena JetSmart já foi citada pelo presidente da Embratur, Bruno Reis, como uma das oportunidades para tirar do papel o voo internacional em Vitória.
Salume avalia que a medida dará força ao Espírito Santo para ter voos internacionais. Atualmente, o Estado é o único da região que não possui esse tipo de voo.
“Há expectativa positiva de que, ainda neste ano, seja anunciada a operação do primeiro voo direto entre Vitória e Buenos Aires. E iniciativas como o Céu Único favorecem esse cenário por ampliar a conectividade aérea, o que representa mais oportunidades de desenvolvimento econômico.”
Preços
Para o especialista em aviação civil Adalberto Febeliano, a abertura representa um avanço regulatório, mas chega tardiamente.
Segundo ele, o Brasil perdeu a oportunidade de liderar esse processo em um momento em que ainda possuía companhias aéreas com centros decisórios no País.
Na avaliação do especialista, a medida deve reduzir os custos estruturais da aviação brasileira e ampliar a oferta de voos, o que pode baratear as passagens aéreas.
“Mas isso só pode vir a acontecer a médio e longo prazo. Não da noite para o dia”, comentou.
Entenda
Empresa estrangeira livre em outro país
O que é o acordo?
O memorando cria um grupo de trabalho com prazo de 12 meses para harmonizar normas do setor e preparar a implementação gradual de um mercado aéreo mais integrado, permitindo, no futuro, operações de cabotagem entre os países signatários.
Como parte da iniciativa, o Ministério de Portos e Aeroportos publicou uma portaria autorizando a inclusão da chamada 7ª Liberdade do Ar em futuros tratados internacionais de transporte de passageiros. A modalidade permite que uma companhia aérea opere voos entre dois países estrangeiros sem necessidade de retornar ao país de origem. Na prática, uma empresa chilena poderia operar um trecho entre Buenos Aires e Lima ou incluir um segmento doméstico brasileiro em uma rota internacional, desde que autorizado pelos acordos bilaterais.
Impacto
A expectativa de especialistas é de que não haja redução imediata no preço das passagens aéreas, mas que isso possa vir a acontecer a médio-longo prazo, como consequência de mudanças que podem ter início no segmento a partir desse memorando.
A possibilidade de combinar passageiros de voos internacionais e domésticos na mesma operação é o fator mais citado, já que pode aumentar a ocupação das aeronaves e estimular destinos turísticos fora dos grandes centros.
Na prática, uma companhia argentina poderia tornar viável uma rota entre Buenos Aires e Fortaleza ao embarcar também passageiros em um trecho doméstico, aumentando a demanda da operação.
Fonte: O Globo
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