Como canetas emagrecedoras impactam na pele e cabelos
Dermatologista alerta para flacidez, queda capilar e carências nutricionais associadas ao uso de análogos de GLP-1 e GIP
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Tenho acompanhado de perto o crescente uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, especialmente os análogos de GLP-1 (e GIP), como semaglutida e tirzepatida. Esses medicamentos representam um avanço importante no tratamento da obesidade, com eficácia comprovada em estudos clínicos robustos.
No entanto, como dermatologista, observo diariamente que o impacto desse emagrecimento vai muito além da balança. A pele e o cabelo também têm consequências com o emagrecimento.
A perda de peso rápida, comumente percebida com tais medicações, pode levar à flacidez cutânea, especialmente na face, pescoço, pernas e glúteos. Isso ocorre pela redução do volume do tecido de gordura abaixo da pele e pela incapacidade da pele de se retrair na mesma velocidade, sobretudo em pacientes com menor reserva de colágeno.
Além disso, é frequente o surgimento ou agravamento do eflúvio telógeno, um tipo de queda capilar difusa e transitória desencadeada por estresse do nosso organismo. Em alguns casos, que ainda estão em discussão, as canetas funcionariam como gatilho para acelerar o processo de calvície, tanto no homem quanto na mulher.
Outro ponto relevante é que muitos pacientes, ao reduzirem significativamente a ingestão alimentar, acabam desenvolvendo deficiências nutricionais, como ferro, zinco, vitamina D e proteínas, fundamentais para a saúde da pele e do cabelo. Sem o devido acompanhamento, esses déficits podem comprometer não apenas a estética, mas também a função da pele e de outros órgãos do corpo humano.
Por outro lado, esses medicamentos também vêm sendo estudados no contexto de algumas dermatoses. Há evidências emergentes sugerindo benefícios em condições inflamatórias como psoríase e hidradenite supurativa, possivelmente relacionados à modulação metabólica e redução do estado inflamatório sistêmico, ao diminuir o percentual de gordura nesses pacientes que tanto se prejudicam com a obesidade, comorbidade bem estabelecida nessas doenças de pele.
É fundamental também chamarmos atenção para o problema do uso indiscriminado dessas medicações e a aquisição de produtos de procedência duvidosa. A alta procura pelas canetas favoreceu a circulação de medicamentos sem garantia de origem, o que representa um risco importante à saúde. Esses medicamentos devem ser utilizados somente com indicação médica. O uso responsável, aliado a uma abordagem integral do paciente, continua sendo a melhor forma de alcançar resultados duradouros com saúde e segurança.
Reforço aqui a importância do acompanhamento dermatológico durante o processo de emagrecimento. É de suma importância estarmos atentos aos efeitos colaterais para atuar de forma preventiva, estratégica e precoce, preservando a qualidade da pele, minimizando a queda dos fios e, associando tratamentos como bioestimuladores de colágeno e tecnologias para flacidez cutânea e intervenções com procedimentos no couro cabeludo.
Emagrecer com saúde também é cuidar da pele e do cabelo. E esse cuidado deve ser integrado e compartilhado. Sempre.
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