Seis policiais são denunciados sob acusação de matar de guia de turismo em Caraíva
MP-BA denunciou quatro PMs e dois policiais civis por duas mortes na Operação Travessia, em Caraíva; Justiça ainda decidirá sobre a ação.
O Ministério Público do Estado da Bahia denunciou nesta quinta-feira (16) quatro policiais militares e dois policiais civis sob acusação das mortes de dois homens durante uma operação no distrito de Caraíva, em Porto Seguro.
A operação Travessia foi realizada no dia em 10 de maio de 2025 com o objetivo de combater o tráfico de drogas no balneário, que é um dos principais destinos turísticos do sul da Bahia.
Uma das vítimas da ação policial foi o guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana, 28, conhecido como Vitinho. Ele trabalhava com passeios de lancha e buggy e, segundo familiares, amigos e moradores da comunidade, não tinha ligação com organizações criminosas.
A segunda vítima foi um homem apontado pela polícia como suspeito de liderar um grupo criminoso atuante na região e que possuía mandado de prisão em aberto. Um terceiro homem foi preso durante a operação.
A Polícia Militar e a Polícia Civil foram procuradas na manhã desta sexta-feira (17), mas não se manifestaram sobre a denúncia até o momento.
Os policiais foram denunciados sob suspeita de homicídios qualificados por motivo torpe, com emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e utilização de arma de fogo de uso restrito.
A Promotoria também pediu à Justiça o afastamento cautelar dos seis policiais enquanto o processo tramita. O caso ainda ainda será analisado pela Justiça, que definirá se os agentes se tornarão réus.
Segundo a Promotoria, as provas reunidas no Procedimento Investigatório Criminal indicam que as mortes ocorreram "fora de uma situação concreta de confronto", em circunstâncias em que as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade diante da atuação dos policiais.
O MP-BA afirma que uma das vítimas foi atingida por diversos disparos em via pública, sem possibilidade de reação. A segunda teria sido abordada, revistada e, em seguida, baleada. A perícia identificou lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros.
Os policiais civis também foram denunciados por fraude processual. Segundo a Promotoria, eles teriam "alterado artificialmente o estado de coisas" após as mortes. A eventual participação de policiais militares nesse mesmo crime será analisada pela Vara da Auditoria Militar.
Após a operação em Caraíva, a Secretaria da Segurança Pública do governo Jerônimo Rodrigues (PT) informou que dois suspeitos morreram após troca de tiros com os policiais.
Relatos de testemunhas indicam que, no momento da operação, Victor aguardava hóspedes próximo às margens do rio Caraíva para levá-los até uma pousada da vila. Familiares afirmaram que o corpo apresentava marcas de agressões, informação confirmada pela perícia.
A morte de Victor provocou forte repercussão em Caraíva. Moradores organizaram um protesto e bloquearam o acesso às balsas que fazem a travessia do rio, principal entrada da vila.
Comerciantes também relataram que, após a operação, criminosos determinaram um toque de recolher, levando ao fechamento de bares, restaurantes e outros estabelecimentos. Na época, a SSP negou que tenha havido toque de recolher.
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