Piloto relata 'calafrio' ao controle aéreo após ver luzes em Londrina
Origem não foi identificada e caso foi encaminhado à FAB
Um piloto relatou ao controle de tráfego aéreo ter visto luzes intensas e de movimento rápido durante um voo na região de Londrina (PR); a ocorrência foi registrada e encaminhada à Força Aérea Brasileira.
O piloto relatou ter visto luzes não identificadas no setor oeste de Londrina durante um voo entre São Paulo e Maringá. A comunicação foi feita na noite de segunda-feira (13) pela tripulação da aeronave PR-OTE ao Controle de Aproximação de Londrina. As informações foram confirmadas pela NAV Brasil, estatal que presta serviços de navegação aérea e controle de tráfego no local.
Ele perguntou se outras pessoas já haviam relatado luzes naquela direção. O áudio da comunicação foi disponibilizado pelo LiveATC, plataforma que reúne transmissões de frequências da aviação. Na gravação, o piloto indica aproximadamente os rumos 290° e 300° e diz que fazia a pergunta por curiosidade.
O controlador respondeu que a Torre de Londrina havia recebido pouco antes um relato semelhante. Ele acrescentou que não havia tráfego aéreo previsto nem qualquer aeronave conhecida naquele setor naquele momento. "Não, por enquanto não. Tráfegos mesmo não há nada previsto, nenhum de conhecimento nosso."
O piloto afirmou ter visto duas luzes de forte intensidade e deslocamento rápido. Segundo ele, elas apareciam próximas a outro ponto luminoso, que poderia ser um planeta, e pareciam se movimentar em círculos. "Dá um calafrio na gente quando a gente vê as luzes, e é de intensidade muito forte e de movimento muito rápido. É inacreditável", afirmou.
A tripulação não conseguiu estimar a distância das luzes. O piloto disse apenas que elas pareciam estar muito distantes, em grande altitude, e que se deslocavam rapidamente quando apareciam. "Eu não vou afirmar nada muito além, porque vai parecer até uma brincadeira da nossa parte, mas é muito distante, é alto e muito rápido o deslocamento das luzes quando elas aparecem."
O piloto também afirmou que o fenômeno assustou os dois ocupantes da cabine. Ao encerrar a comunicação, disse que as luzes pareciam "alguma coisa muito sobrenatural" por causa do calafrio provocado nele e no companheiro de voo. A conversa terminou sem que a origem fosse identificada.
O caso foi encaminhado à FAB (Força Aérea Brasileira). Segundo a NAV Brasil, o registro foi enviado ao COPM (Centro de Operações Militares), responsável pelo tratamento desse tipo de ocorrência.
O episódio não afetou a segurança das operações aéreas. A NAV Brasil informou que o relato não provocou impacto nos serviços de navegação aérea na região de Londrina.
A FAB foi procurada para informar se recebeu o registro, quais providências foram adotadas e se há alguma conclusão sobre a origem das luzes. O texto será atualizado em caso de resposta.
Comunicar ao controle o avistamento de luzes ou objetos não identificados é um procedimento normal de segurança. A avaliação é de Luzardo Junior, piloto, professor de Ciências Aeronáuticas e coordenador de Astronáutica do Gedal (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina). Segundo ele, o aviso permite verificar se há alguma aeronave não identificada no espaço aéreo.
"É normal e sempre recomendável, porque às vezes você pode ter uma aeronave sem identificação dentro do espaço aéreo, e isso vai contra a segurança operacional civil", disse Luzardo Junior.
As luzes vistas pelo piloto eram satélites da Starlink, na avaliação de Luzardo. Ele disse ter observado o fenômeno em Londrina na noite do dia 13 e também nos dias 12 e 14 de julho.
Luzardo recebeu relatos e vídeos semelhantes enviados de diferentes regiões do país. Segundo ele, a repetição do padrão e a comparação com dados de rastreamento reforçam a identificação dos pontos luminosos como satélites.
"Eu afirmo categoricamente, reafirmo e sem dúvida alguma. Fiz uma investigação disso e passei muito tempo observando essas luzes", disse Luzardo Júnior.
A impressão de movimento rápido ou circular pode ser provocada pela falta de referências no céu escuro. Segundo Luzardo, o deslocamento do avião pode fazer um ponto luminoso parecer que também está se movendo. Outro fator possível é a autocinese, ilusão visual na qual uma luz fixa aparenta mudar de posição após alguns segundos de observação.
A conclusão também se apoia em um parecer técnico elaborado por Luzardo após meses de observações em Londrina. O documento aponta a Starlink como a explicação mais provável para registros semelhantes e relaciona o brilho intenso ao reflexo da luz solar nos satélites. O parecer analisou ocorrências anteriores e não verificou individualmente o episódio do dia 13.
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