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A relação entre a qualidade das estradas e o agronegócio

Exportações bilionárias dependem da malha vicinal; conservação das vias é decisiva para reduzir custos e manter a competitividade

Romildo Fardin | 17/07/2026, 10:56 h | Atualizado em 17/07/2026, 10:56
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem A relação entre a qualidade das estradas e o agronegócio
Romildo Fardin é fundador da agroindústria Doces Fardin |  Foto: Divulgação

O agronegócio do Espírito Santo está ganhando o mundo. Dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) mostram que, em 2025, 2,4 milhões de toneladas de produtos agrícolas capixabas foram exportadas para 133 países, principalmente Estados Unidos, Turquia e México. Ao todo, foram arrecadados mais de US$ 3,21 bilhões em exportações.

Os principais itens enviados foram café, celulose, pimenta-do-reino, gengibre, carne bovina, mamão, entre outros, que foram produzidos em propriedades rurais e agroindústrias localizadas em diferentes municípios, principalmente no interior. O escoamento de toda essa produção para portos, aeroportos e ferrovias só é possível graças às estradas vicinais. 

Tratam-se de vias que ligam as áreas rurais às principais rodovias e áreas urbanas, e têm a função de viabilizar o envio da produção para centros de armazenagem e de distribuição, estabelecimentos comerciais e exportação. Geralmente, elas não são pavimentadas. Há também as estradas terciárias, que são de terra batida e conectam as entradas de sítios e fazendas às rodovias. 

Ao conjunto de estradas vicinais damos o nome de malha vicinal. O Espírito Santo conta com 48,7 mil quilômetros de malha vicinal, segundo o Panorama das Estradas Vicinais no Brasil, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da USP (ESALQ-LOG).

O levantamento também chama a atenção para a situação das estradas vicinais no Brasil. Apesar da relevância delas para o agronegócio e, consequentemente, para a economia de forma geral, muitas apresentam problemas básicos como buracos, erosões, atoleiros e excesso de pó. 

Esse cenário traz uma série de impactos negativos para o dia a dia de propriedades rurais e agroindústrias. Todos os dias, veículos saem e chegam com matérias-primas necessárias para a produção e itens prontos para distribuição e comercialização.

Devido à má condição das estradas, há uma redução da velocidade média e o tempo de viagem fica maior, diminuindo a produtividade. Os custos de logística também aumentam: maior consumo de combustível, maior risco de quebras mecânicas e avarias dos veículos, desgaste acelerado de carros e caminhões e aumento dos custos de manutenção e reposição de peças. 

Esses fatores afetam toda a cadeia do agronegócio. Não são apenas os produtores que saem prejudicados, mas também os fornecedores, prestadores de serviço, distribuidores e comerciantes. Mas, muitas vezes, os produtores precisam absorver a maioria desses custos para não repassar para o consumidor final e perder competitividade.

Por tudo isso, a necessidade de manutenção frequente nas estradas não é uma reivindicação apenas dos produtores rurais, mas da sociedade em geral. O agronegócio movimenta a economia capixaba, gerando emprego e renda, e está presente no dia a dia de todos. É essencial contar com boas condições para que os números do setor cresçam e proporcionem ainda mais desenvolvimento para o Espírito Santo.

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