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TRIBUNA LIVRE

As dores e as delícias de ser mulher

Dados sobre feminicídio expõem a violência, enquanto marcos em MG, ES e na ciência evidenciam a força feminina

Flávia Varela | 16/07/2026, 13:19 h | Atualizado em 16/07/2026, 13:19
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem As dores e as delícias de ser mulher
Flávia Varela é jornalista |  Foto: Divulgação

Ser mulher no Brasil é viver entre extremos. É conviver com desafios que ainda chocam pela crueldade, mas também celebrar conquistas que mostram a força, competência e capacidade feminina de mudar realidades.

As dores continuam estampadas nas manchetes. Recentemente, o País acompanhou o caso de uma mulher que sobreviveu após ser jogada de um penhasco pelo ex-companheiro em Minas Gerais. Mesmo com medidas de proteção, ela se tornou mais uma vítima da violência, que insiste em atingir milhares de brasileiras. Sua sobrevivência emocionou o País, mas também levantou uma pergunta incômoda: quantas mulheres ainda vivem sob ameaça constante?

Outro episódio brutal foi o da mulher que teve as mãos amputadas após um ataque violento. Casos como esse revelam que, apesar dos avanços sociais e legais, muitas brasileiras ainda enfrentam agressões físicas, psicológicas e emocionais apenas por serem mulheres.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026. O número representa uma média de quatro mulheres mortas por dia no período, o equivalente a uma vítima a cada cinco horas no País.

Mas a história feminina não é feita apenas de dor. Ela também é construída por coragem, superação e conquistas. Em Minas Gerais, a coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues entrou para a história ao assumir o comando-geral da Polícia Militar. Pela primeira vez em 251 anos de existência da corporação, uma mulher — e uma mulher negra — alcançou o posto mais alto da instituição. Sua trajetória representa a quebra de barreiras históricas e a ampliação dos espaços de liderança para as mulheres.

No Espírito Santo, outra conquista ganhou destaque. A tenente Adriana Freire Sena tornou-se a primeira policial militar capixaba a concluir o 15º Curso de Socorrista Operacional do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Médica e oficial da PMES, ela venceu uma das capacitações mais exigentes do País, voltada ao atendimento de policiais feridos em operações de alta complexidade. Sua formação simboliza não apenas uma vitória pessoal, mas o reconhecimento da competência feminina em ambientes tradicionalmente ocupados por homens.

No campo da ciência, a brasileira Tatiana Sampaio desenvolveu um medicamento experimental, polilaminina, para regeneração medular. Os primeiros resultados de destaque internacional ocorreram entre o final de 2025 e o início de 2026, com os pacientes voltando a mexer os membros.

As mulheres seguem conquistando espaço. São pesquisadoras, professoras, empresárias, médicas, operárias e líderes que transformam diariamente a sociedade com talento e determinação.

As dores e as delícias de ser mulher coexistem. Entre o medo e a coragem, entre as cicatrizes e as conquistas, milhões de brasileiras seguem escrevendo histórias de resistência. E talvez seja justamente essa capacidade de se levantar, mesmo diante das maiores adversidades, que faça da mulher uma das maiores forças de transformação do nosso tempo.

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