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OPINIÃO ECONÔMICA

Eixo de Vitória redesenhado

Abertura do canteiro central na Reta da Penha conecta Aleixo Neto a Santa Lúcia e redesenha dinâmica urbana e econômica

Luiz Cláudio Mazzini Gomes | 14/07/2026, 13:09 h | Atualizado em 14/07/2026, 13:09
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Eixo de Vitória redesenhado
Luiz Cláudio Mazzini Gomes é Diretor-Presidente da Mazzini Construtora e Igom Desenvolvedora |  Foto: Divulgação

A vitalidade de uma cidade está ligada à sua capacidade de se reinventar. Em Vitória, historicamente acompanhamos como barreiras físicas e gargalos de trânsito limitam o pleno potencial socioeconômico de regiões promissoras.

Um exemplo dessa dinâmica era o isolamento relativo entre a Praia do Canto e Santa Lúcia: vizinhos separados pela Avenida Nossa Senhora da Penha, os dois bairros dependiam de poucos acessos saturados, o que comprometia a mobilidade diária e distorcia a dinâmica imobiliária local.

Em junho, a Prefeitura de Vitória liberou a abertura do canteiro central da Reta da Penha, conectando diretamente a Rua Aleixo Neto a Santa Lúcia. A intervenção atendeu a uma demanda antiga de moradores e comerciantes da região e completou um conjunto de melhorias viárias que aliviam os congestionamentos históricos da Avenida Rio Branco.

O efeito, porém, vai além do trânsito: a nova geometria urbana redesenha a lógica residencial e comercial desse trecho da capital.

Sob a ótica do desenvolvimento urbano, o impacto dessa conectividade se expressa em três frentes. A primeira é a correção de uma assimetria de preços histórica. O índice FipeZAP aponta Santa Lúcia como líder de valorização residencial em Vitória, com alta de 30,1% em doze meses. É preciso ler esse número com cuidado: trata-se de um bairro pequeno, com pouca oferta, e a entrega recente de unidades novas elevou a média de forma pontual.

O dado estrutural mais relevante é outro: o metro quadrado médio de Santa Lúcia ainda se posiciona cerca de 25% abaixo do da vizinha Praia do Canto. Com a eliminação da barreira física entre bairros que compartilham serviços, comércio e perfil de moradores, essa distância tende a diminuir de forma consistente.

A segunda frente é o destravamento do mercado corporativo. A dependência de acessos congestionados penalizava quem trabalhava nos edifícios comerciais de Santa Lúcia, o que dificultava a locação de salas e lajes e mantinha os valores abaixo do potencial da região. A nova fluidez muda essa equação, e o setor já registra aumento na procura por espaços comerciais no entorno.

A terceira é a descentralização do comércio e dos serviços de alto padrão. Com o tecido urbano da Praia do Canto consolidado e sem espaço para grandes expansões,

Santa Lúcia surge como extensão natural desse eixo, não por abundância de terrenos, mas pela oportunidade de renovar um estoque de imóveis antigos e receber operações de varejo, gastronomia e lojas de rua. O tripé viário formado por Aleixo Neto, Rio Branco e Constante Sodré passa a oferecer a acessibilidade que esse tipo de ocupação exige.

O urbanismo nos ensina que conexões geram riqueza e bem-estar, e isso vale para o pedestre que atravessa a avenida com mais segurança, para o comerciante que amplia sua clientela e para o morador que vê seu bairro se integrar à cidade.

Ao unir organicamente Santa Lúcia à Praia do Canto, Vitória ganha um eixo econômico revitalizado e mais fluido. Cabe agora ao poder público e à iniciativa privada garantir que essa transformação se traduza em projetos de qualidade, à altura da velocidade com que a cidade se move.

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