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OPINIÃO ECONÔMICA

Estado precisa desenhar seu mapa para o turismo global

Com geografia única e demanda reprimida, ES precisa delimitar distritos turísticos e aproveitar a chegada do Adit Invest para atrair capital privado

Marco Azevedo | 13/07/2026, 12:47 h | Atualizado em 13/07/2026, 12:47
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Estado precisa desenhar seu mapa para o turismo global
Marco Azevedo é engenheiro civil e diretor do Acquamania e do Hotel Flamboyant. |  Foto: Divulgação

O Espírito Santo sempre foi o segredo mais bem guardado do Sudeste brasileiro. Dono de uma das geografias mais privilegiadas do País — onde é possível tomar o café da manhã na praia e almoçar nas montanhas capixabas em um intervalo de menos de duas horas —, o Estado assiste, há décadas, ao crescimento vigoroso de vizinhos como Rio de Janeiro e Bahia na captação de grandes investimentos em hospitalidade.

O gargalo capixaba nunca foi a falta de beleza natural ou de potencial de consumo, mas sim uma histórica lacuna na atração de grandes redes hoteleiras e resorts de padrão internacional.

Para romper com essa inércia e mudar o patamar econômico do setor, o caminho não é mais o do crescimento orgânico e lento.

O Espírito Santo precisa adotar urgentemente a estratégia dos distritos turísticos, delimitando, mapeando e preparando o terreno jurídico e infraestrutural de suas joias regionais para o capital privado.

O Tabuleiro Capixaba: vocações à espera de estrutura - mapear e transformar nossas principais regiões turísticas em distritos oficiais atrairia investimentos focados em demandas reprimidas.

O Cinturão de Charme das Montanhas (Pedra Azul, Domingos Martins e Buenos Aires): A região serrana capixaba, impulsionada pelo clima de montanha e pela gastronomia, pede a consolidação de condomínios hoteleiros, resorts de bem-estar (wellness) e hotéis-boutique.

Buenos Aires, em Guarapari, desponta como um forte vetor de alto padrão que necessita de ordenamento para crescer com sustentabilidade.

O Litoral Sul Potencializado (Guarapari e Presidente Kennedy): Guarapari, nossa capital do turismo de veraneio, precisa ir além dos apartamentos de temporada e atrair complexos hoteleiros com infraestrutura de lazer internacional.

Mais ao sul, Presidente Kennedy detém uma posição estratégica na divisa com o Rio de Janeiro e uma robusta arrecadação de royalties que, se casada com incentivos para o turismo náutico e resorts de praia, pode criar um novo polo de desenvolvimento.

A Magia e a Tradição do Norte (Itaúnas e Conceição da Barra): Berço do forró e das dunas, a região possui uma identidade cultural única. Um distrito turístico ali protegeria o patrimônio ambiental enquanto daria segurança jurídica para pousadas de charme e eco-resorts estruturados, atraindo o turista europeu e de alta renda que hoje busca o Nordeste.

Ao delimitar essas áreas, o poder público passa a oferecer o que o investidor institucional mais preza: segurança jurídica, regramento ambiental transparente, infraestrutura âncora e incentivos fiscais focados.

A Hora da Virada: O Mercado de Capitais Desembarca em Vitória - O momento para essa discussão não poderia ser mais propício. Nos dias 13 e 14 de agosto, Vitória será o epicentro do desenvolvimento imobiliário e turístico do país ao sediar a 21ª edição do Adit Invest.

Realizado pela Adit Brasil, o principal fórum nacional de funding e investimentos do setor conectará o mercado imobiliário diretamente aos maiores fundos de investimento, investidores institucionais e operadoras hoteleiras do Brasil. 

A realização do Adit Invest na capital capixaba é uma janela de oportunidade única.

Os grandes players do trade estarão circulando entre nós, avaliando novos destinos e buscando ativos para alocar bilhões de reais em capital privado.

Cabe ao Espírito Santo — poder público e empresariado local — apresentar-se não apenas como um estado de belas paisagens, mas como um território estrategicamente preparado, mapeado e pronto para se tornar a nova fronteira da hotelaria de alto padrão no Brasil.

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