Dos tribunais para a cervejaria: conheça a história de Ana Paula Zanetti
Aos 49, ex-sócia de escritório fundou a Cervejaria Incrível com o marido e coleciona prêmios, após começar como hobby no quintal da família
Durante quase duas décadas, Ana Paula Zanetti viveu cercada por processos, contratos e tribunais. Então, deu uma guinada. Hoje, aos 49 anos, divide a rotina entre a cervejaria Incrível, que abriu ao lado do marido, e a produção de cervejas, que já ganharam prêmios internacionais.
Até 2017, ela e o marido eram apenas apreciadores da bebida. Alexandre Brandão, 43, trabalhava embarcado. Ana, formada desde 2009, era sócia de um escritório de advocacia que assessorava empresas. A mudança para o outro lado do balcão começou como hobby.
“Ele fez um curso em 2017. Quando você começa a fazer cerveja, se a primeira dá errado, você meio que desanima. Mas, a primeira, ficou um estilo de cerveja muito bom. Aí fizemos a segunda, terceira… Em 2018, ele inventou de mandar uma amostra para um concurso nacional. Para a nossa surpresa, ganhamos medalha de prata”, conta.
A cerveja era produzida no quintal da casa dos sogros. O primeiro prêmio deu ânimo ao casal. No ano seguinte, a cerveja continuou vencendo concursos e decidiram abrir um bar na Serra. “Eu advogava em Vitória, morava em Vila Velha e vinha para a Serra para acompanhar a obra”, conta.
A inauguração aconteceu em 6 de março de 2020. Onze dias depois, a pandemia foi decretada. “Fechamos, mas não desistimos. Ficamos naquele esquema de portão fechado. Nossa expectativa era que a produção diminuísse, mas aumentou”.
Os dois anos e meio até o fim da pandemia, a beer sommelier conta que foi uma oportunidade de transformar um negócio amador em profissional. Aproveitou o período para estruturar a cozinha, criar um cardápio, testar cervejas. A pandemia acabou, mas o escritório não se recuperou da perda de clientes. “Muitas empresas fecharam”, complementa.
Fez a transição de sócia de escritório para sócia de cervejaria em 2024, quando vendeu sua parte. “Apesar de amar advogar, sempre amei desde criança, acredito que o meu tempo foi aquele e hoje não me arrependo de fazer a transição. Sinto saudades da rotina, mas também sempre gostei do comércio. Me sinto satisfeita com o que optei”.
Neste ano, a pilsen produzida pela cervejaria foi eleita a melhor da Copa Sul-Americana.
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