Riscos de explosão com produtos para proteger o sofá
Especialistas explicam que determinados impermeabilizantes liberam vapores que podem formar uma atmosfera inflamável
A morte da engenheira Marielly da Silva, de 25 anos, em meados do mês passado, após uma explosão no apartamento onde ela morava, em Niterói, no Rio de Janeiro, acendeu um alerta sobre os cuidados durante a impermeabilização de sofás e estofados.
A tragédia provocou também a morte de Paulo Roberto Matos, de 62 anos, protprietário da empresa contratada para realizar o procedimento.
Segundo especialistas, determinados impermeabilizantes liberam vapores que, quando concentrados em ambientes fechados, podem formar uma atmosfera inflamável.
De acordo com o professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ernani Rodrigues, o perigo está na combinação entre o acúmulo dos vapores e qualquer centelha.
“Quando esses gases permanecem concentrados no ambiente e encontram uma fonte de ignição, ocorre uma combustão extremamente rápida. Se houver grande quantidade de vapor, essa reação pode provocar uma explosão com elevado poder destrutivo”, explica.
O professor ressalta que a ventilação é um fator decisivo para reduzir o perigo.
“A circulação de ar diminui a concentração dos vapores. Já em locais fechados, eles permanecem suspensos por mais tempo, aumentando significativamente o risco de acidentes”, afirma.
Marielly morreu no último dia 17 de junho, após permanecer cerca de duas semanas internada por causa dos ferimentos provocados pela explosão, registrada em 28 de maio, no bairro Cubango. Na ocasião, Paulo Roberto fazia a impermeabilização acompanhado da esposa, que ficou gravemente ferida, mas sobreviveu.
Para Gean Felisberto, da empresa SofáVix, da Grande Vitória, o procedimento pode ser realizado com segurança desde que sejam utilizados produtos certificados e técnicas adequadas.
“Hoje existem impermeabilizantes com menor potencial de risco e protocolos que tornam a aplicação muito mais segura. O consumidor deve contratar empresas qualificadas e seguir as orientações passadas após o serviço”, orienta.
Segundo ele, a impermeabilização vai muito além de um simples procedimento de conservação dos móveis.
“Quando o trabalho é executado por profissionais capacitados e seguindo todas as normas, os riscos são minimizados e o cliente pode aproveitar os benefícios da proteção do estofado”, conclui.
Vapores inflamáveis
Atmosfera perigosa
“Muitas pessoas não imaginam que produtos utilizados na impermeabilização podem liberar vapores inflamáveis. Quando esse serviço é realizado em ambientes fechados e sem ventilação adequada, esses gases podem se acumular e criar uma atmosfera perigosa. Nessa situação, uma simples fonte de ignição, como o acionamento de um interruptor, uma tomada ou até mesmo um eletrodoméstico em funcionamento, pode provocar um incêndio ou uma explosão. Por isso, é fundamental que o procedimento seja realizado por profissionais capacitados, com produtos adequados e seguindo rigorosamente todas as medidas de segurança”.
Entenda os riscos
Ambiente fechado
- Favorece o acúmulo de vapores inflamáveis liberados durante a aplicação.
Interruptores e tomadas
- Uma simples faísca pode ser suficiente para provocar combustão.
Eletrodomésticos ligados
- Geladeiras, micro-ondas, ventiladores e outros aparelhos podem atuar como fontes de ignição.
Produtos inflamáveis
- Alguns impermeabilizantes possuem solventes que liberam gases combustíveis.
Excesso de produto
- Aplicações acima do recomendado aumentam a concentração de vapores no ambiente.
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