Previsível triste fim
Comentários sobre o futebol, os clubes e os craques do esporte mais popular do planeta
Gilmar Ferreira
Gilmar Ferreira é jornalista esportivo com passagem por veículos como O Dia, Jornal do Brasil, Lance! e Extra. Reconhecido por sua apuração e análises sobre futebol, foi também comentarista da Rádio Globo. Atualmente, é colunista do jornal Tribuna e do Tribuna Online, onde escreve sobre clubes, bastidores e o cenário do futebol brasileiro.
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É assim desde 1930: toda vez que a seleção brasileira é eliminada de uma Copa do Mundo, é reação natural a busca de um culpado. É a história quem conta. De 70 pra cá, crucificaram Zagallo em 74; Coutinho em 78; Telê em 82; Zico em 86, pelo pênalti desperdiçado contra a França; Lazaroni em 90; Roberto Carlos em 2006, por dar espaços para Henry fazer o gol dos franceses; Dunga, em 2010; Felipão, em 2014; Tite em 2018 e 22… e, agora em 2026?
A quem responsabilizar pela eliminação nas oitavas de final, igualando a campanha de 90, a pior desde o tricampeonato, em 70?
No primeiro momento, ainda triste e impactado pela pífia atuação diante de uma Noruega mais bem preparada, mental e fisicamente, é preciso lembrar que a seleção brasileira teve duas chances de sair na frente do placar. Perdeu pênalti no primeiro tempo, com Bruno Guimarães; e desperdiçou uma bola cara-a-cara com o novato Endrick.
Se a bola tivesse entrado, a dinâmica do confronto teria sido outra. No entanto, foram dois lances quase isolados num confronto em que o time que representava o país cinco vezes campeão do mundo teve só 35% de posse de bola - menor de uma seleção desde o Mundial de 66.
Tenho absoluta certeza de que a expectativa da maioria não era voltada para a conquista do titulo. Um ciclo complicado, com a CBF sendo administrada pelo conluio político que a governa de Brasília; o departamento de seleções sem gestor profissional; três técnicos em três anos; derrotas vexatórias em campanhas melancólicas na Copa América e Eliminatórias; jogadores de distintas gerações sem histórico de conquistas com a camisa da seleção; titulares sendo cortados, outros trocados por contusão durante a Copa.
Não faltavam razões para ter um pé atrás: mas cair nas oitavas me parece golpe ainda mais cruel.
E aqui entra, finalmente, a cota-parte de Carlo Ancelotti, que fez bom trabalho nos 13 meses em que ocupa o cargo. O italiano conseguiu pegar os cacos de um grupo humilhado pela Argentina no 4 a 0 das eliminatórias e tirar dele uma seleção minimamente competitiva.
E que poderia ter ido mais longe. Mas deste jogo a leitura dele não esteve à altura. A postura do time, vacilante na marcação e com pouca pressão na saída de bola, surpreendeu o mundo. E o que se esperava do treinador era justamente que ele, ao perceber tal coisa, interviesse. E, infelizmente, quando o fez não foi bem sucedido nas trocas.
O norueguês Stålrn Soubakken fez uma leitura melhor, soube tirar proveito do potencial goleador de Haaland, sua maior referência, e liquidou a seleção brasileira dez minutos após Ancelotti desfazer o tripé Bruno Guimarães, Martinelli e Rayan. Uma pena…
Fim de linha
A eliminação significa a despedida da geração 92, encabeçada por Neymar. O maior artilheiro da seleção se despede após s quarta tentativa de um titulo mundial…
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