BR-262: políticos pedem conservação permanente e agilidade
Bancada capixaba aponta risco de acidentes, pede investimentos contínuos e cobra cronograma para tirar melhorias do papel
Dois pontos sobre a situação da BR-262 têm sido alvo de cobrança por parte de parlamentares do Espírito Santo: a necessidade de manutenção permanente e a agilidade para o início das obras de melhoria. Senadores e deputados — federais e estaduais — relataram à reportagem que, embora existam avanços em andamento, ainda há desafios importantes relacionados à infraestrutura, à manutenção e à segurança viária.
Para os parlamentares, os investimentos precisam ir além das intervenções estruturantes e garantir conservação contínua, com melhores condições de trafegabilidade. Também há preocupação com o volume de acidentes e com o impacto da rodovia no dia a dia de quem depende do trecho para trabalho e deslocamentos.
“Os investimentos precisam ser contínuos, não apenas para viabilizar as obras estruturantes, mas também para assegurar a conservação adequada da BR-262, oferecendo mais segurança aos motoristas”, afirmou o senador Fabiano Contarato (PT).
Os parlamentares são uníssonos em afirmar que não basta apenas ampliar a capacidade da via, sendo necessário garantir boas condições de trafegabilidade, segurança e conforto para quem utiliza a estrada diariamente.
Cobrança por manutenção permanente e mais segurança
“A BR-262 é fundamental para o escoamento da produção, para o fortalecimento do turismo e para o desenvolvimento econômico do Estado. Precisamos de ações efetivas e planejamento para que a rodovia esteja à altura do que o capixaba precisa”, afirmou o deputado estadual Mazinho dos Anjos (MDB).
O sentimento dos parlamentares é que o risco de acidentes é enorme atualmente e que não há como esperar mais tempo para que as obras se tornem realidade. “Não podemos ficar só discutindo projetos enquanto motoristas enfrentam buracos, acidentes e congestionamentos constantes. A rodovia está insegura e sobrecarregada”, afirma o deputado federal Amaro Neto (PP).
O senador Magno Malta (PL) diz que a manutenção precisa ser feita desde já, independentemente da existência do projeto de melhorias. “É urgente. Não dá para ficar só nas promessas. Aquele trecho não pode ser eternamente lembrado pelos graves acidentes e nada ser feito sobre isso”, afirma.
Pontos mencionados com mais frequência pelos parlamentares:
- Manutenção contínua e conservação do pavimento
- Medidas para reduzir acidentes e aumentar a segurança viária
- Agilidade para tirar as obras de melhoria do papel
Projeto, novo traçado e impacto em Viana
Para o deputado federal Messias Donato (União), obra anunciada não é obra feita. Ele afirma haver um “descaso histórico” do governo federal quanto à necessidade de melhorias na via e cita um acidente que, segundo ele, foi causado por mudanças feitas pelo Dnit sem análise técnica adequada. “Estamos pressionando para garantir que esse projeto não fique só no papel e chegue ao asfalto. Em 2025 eu estive no Trecho do Posto do Café, em Marechal Floriano, logo após um acidente causado por mudanças de tráfego implementadas pelo Dnit sem a devida análise técnica”, afirmou o deputado.
O deputado federal Helder Salomão (PT) salientou que parte do projeto do governo federal prevê a criação de um novo traçado para o trecho da BR-262 entre Viana e Marechal Floriano, e que o antigo traçado será entregue ao governo estadual. “Conversei com o superintendente do Dnit sobre a necessidade de melhorias na rodovia e é importante ressaltar esse ponto. Esse novo traçado que será criado terá túneis, passagem de desnível e será mais moderno para garantir maior segurança aos motoristas que passarem por lá”, ressaltou, afirmando que as obras tendem a começar já no segundo semestre deste ano.
Para o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, as obras na rodovia terão um impacto ainda maior para o município, já que acidentes na BR-262 afetam diretamente o trânsito da cidade. “A mobilidade da população é afetada com qualquer interrupção na BR-262”, afirmou.
Não se manifestou
O Dnit foi procurado, na segunda (22), para se manifestar sobre os comentários feitos por empresários, advogados e parlamentares na reportagem. Apesar da ciência do órgão sobre a demanda, não houve manifestação oficial até o fechamento desta edição, na sexta (19).
Preocupação constante
Morador de Iconha, no Sul do Estado, e usuário frequente da BR-262, o professor e músico Alan Machado Pianissola, 37 anos, afirma que os buracos na pista e a falta de duplicação estão entre os principais problemas enfrentados por quem utiliza a rodovia regularmente para frequentar a região Serrana do Espírito Santo.
Segundo ele, além de aumentarem o risco de acidentes, as condições da via exigem atenção redobrada dos motoristas.
“Em alguns trechos, o motorista precisa desviar o tempo todo, o que aumenta o risco de acidentes. É uma rodovia muito importante para o Estado, mas que precisa de mais investimentos em segurança.”
Análise
“Agenda de competitivdade”
“A discussão sobre reformas na BR-262 não deve ser tratada apenas como uma demanda local de mobilidade, mas como uma agenda de competitividade econômica.
Uma rodovia com gargalos, trechos inseguros e baixa capacidade operacional aumenta o custo logístico das empresas, reduz previsibilidade no transporte de cargas, eleva riscos de acidentes e dificulta a integração entre polos industriais, portuários, agrícolas e de serviços.
No caso capixaba, isso é ainda mais relevante porque o Estado tem forte vocação logística e portuária, e depende de conexões eficientes para transformar essa posição geográfica em vantagem competitiva.
As melhorias na BR-262 podem gerar ganhos importantes a setores como indústria, comércio, turismo, agronegócio, rochas ornamentais e logística.
O ponto central é que infraestrutura ruim funciona como um imposto invisível sobre a economia. Mesmo quando não aparece diretamente no preço final, ela encarece frete, reduz produtividade e limita a capacidade das empresas de competir. Reformar e modernizar a BR-262 é, portanto, uma agenda de segurança, desenvolvimento regional e produtividade.”
Melhorias na rodovia federal
Duplicação tem custo previsto de R$ 8,6 bilhões
Benefícios
Além de trazer maior segurança a quem passa pela rodovia, as melhorias na BR-262 são vistas como essenciais para a economia capixaba por vários fatores
Fator logístico
Conforme explica o líder da bancada capixaba na Câmara Federal, deputado Josias da Vitória (PP), a BR-262 é vital para a logística capixaba por ser o principal corredor de escoamento que conecta os polos agropecuários e industriais de Minas Gerais aos portos do Espírito Santo. Sua melhoria é tratada por economistas, empresários e parlamentares do Estado como “urgente” para reduzir custos de frete, diminuir o tempo de viagem e aumentar a segurança em uma região montanhosa.
Fator turístico
Da Vitória explica que a BR-262 é a principal porta de entrada saindo da Grande Vitória para polos de agroturismo e ecoturismo como Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e a região do Parque Estadual da Pedra Azul, e também de Minas Gerais para o Espírito Santo.
Presidente do Conselho de Turismo do Estado e da Associação Montanhas Capixabas Convention, Valdeir Nunes, salienta que a demanda pelas montanhas capixabas tem aumentado, e que apesar de a BR-262 ter apresentado melhorias em relação à década passada, após intervenções do Dnit-ES, as reclamações de turistas com as condições da estrada são constantes.
Fator tributário
O presidente do ES Convention e executivo da Cooptures, Paulo Renato Fonseca Júnior, salienta que o turismo terá um papel ainda maior para o Espírito Santo a partir de 2032, quando a reforma tributária estará em sua última fase de transição e causará perdas ao Estado e aos municípios do Espírito Santo, que podem ser compensadas justamente pela arrecadação do segmento.
Investimento bilionário
Com investimento previsto de R$ 8,6 bilhões, a duplicação da BR-262 abrange 186,6 quilômetros e contempla quatro municípios capixabas: Viana, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins e Ibatiba. A duplicação está dividida em cinco lotes.
186,6 quilômetros serão duplicados, sendo 30 km de trechos novos, que vão substituir o original.
Projeto começa no entroncamento com a BR-101 em Viana (km 15,9);
Chega ao seu final no km 196,5, na divisa entre o Espírito Santo e Minas Gerais, no município de Irupi (ES).
Fluxo médio diário
A rodovia é o eixo estratégico de integração e desenvolvimento entre o Estado, Sudeste de Minas Gerais e região Centro-Oeste do País. São mais de 12 mil veículos circulando por dia.
Lotes
A rodovia será dividida em lotes. O primeiro, entre Viana e Marechal Floriano, dará início às desapropriações e será o primeiro a ser licitado.
Meio ambiente
No projeto do Dnit, os impactos ambientais previstos incluem a interferência sobre espécies da flora ameaçadas de extinção e a incidência em áreas que cruzam corredores ecológicos de alta sensibilidade.
Além disso, a duplicação pode intensificar a fragmentação dos habitats e o chamado efeito de barreira, dificultando o deslocamento e o fluxo gênico da fauna e da flora.
Para mitigar esses efeitos, o projeto prevê a adequação do traçado para contornar corredores ecológicos e a realização de ações de restauração florestal.
Novas estruturas
- 50 Viadutos ou passagens inferiores estão previstos.
- Também estão previstas 28 pontes.
- 6 passarelas exclusivas para pedestres e 40 km de ciclovias.
- Além de 4 túneis, com extensão total de 2.012 metros.
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