Porto Central: “Projeto não depende da EF-118 na 1ª fase”, garante empresário
Tegran Kennedy investe R$ 1,23 bi; 1ª fase não depende das ferrovias EF-118 e EF-352 e mira operações com navios Capesize
Desenvolvendo um terminal de grãos para o Porto Central, Fabrício Cardoso Freitas, CEO da Macro Investimentos e membro do Conselho de Administração do Porto Central, disse que o projeto será 100% rodoviário na primeira fase, não dependendo de ferrovias, como a EF-118, planejada para ligar Vitória e Rio de Janeiro.
O Tegran Kennedy está sendo desenvolvido pela Macro Investimentos e pela Transportadora Jolivan, com investimento inicial de R$ 1,23 bilhão.
A fase atual consiste na estruturação do negócio e na intensa prospecção de clientes e investidores para compor a cadeia logística do complexo, segundo Freitas.
“Estamos fazendo captação de clientes buscando em Minas Gerais, Goiás, regiões da Bahia, Mato Grosso e até Tocantins. É um projeto 100% rodoviário na primeira fase. Não podemos contar com a ferrovia, nem com a EF-118 e nem com a com a EF-352 (Ferrovia Ministro Alysson Paolinelli)”, destacou.
Ainda não há um contrato fechado com o Porto Central, mas um memorando de entendimento – documento preliminar que formaliza intenções entre as duas partes antes da assinatura do contrato definitivo – foi acertado.
O CEO da Macro Investimentos destacou que o projeto prevê operações com navios grandes, os chamados Capesize, que são os maiores graneleiros do mundo, sendo um dos atrativos para a busca por clientes e investidores.
Sobre a EF-352, Fabrício Freitas destacou que é um projeto para o futuro, que ligará o Porto Central a Anápolis, em Goiás. “É uma ferrovia autorizada, um projeto privado, que será desenvolvido e feito do zero”, contou.
A EF-352 terá ponto de partida em Presidente Kennedy, próximo a retro área do Porto Central, e o traçado percorrerá os estados de Minas Gerais e Goiás, chegando até Anápolis (GO).
O traçado foi definido a partir de uma análise estratégica das demandas logísticas da região, visando ampliar a capacidade e a eficiência no escoamento de cargas para os mercados interno e internacional, destacou Freitas.
A estrutura foi planejada para atender setores como minério de ferro, grãos, fertilizantes, rochas ornamentais e carga geral, proporcionando maior agilidade operacional e uma integração mais eficiente entre fornecedores, produtores, operadores logísticos e clientes.
Os Números
- R$ 1,2 bi investimento do terminal de grãos
- 100% rodoviário funcionará no início
Formação de mão de obra e crescimento da população
Um dos eixos de construção do ParkLog Sul Capixaba é a formação de mão de obra necessária para que o complexo logístico seja competitivo, destacou o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume.
“Como é um processo de crescimento que vai se dar no médio prazo, acredito que teremos tempo para colocar em funcionamento. Contudo a região possui uma população reduzida”, disse.
Provavelmente haverá um crescimento populacional importante nas cidades, principalmente em Presidente Kennedy, estimulado pelas oportunidades que surgirão e que vai suprir parte da demanda para funções especializadas, disse o secretário.
Como publicado por A Tribuna no dia 24 de abril, o Parklog Sul Capixaba tem como meta a criação de 50 mil empregos diretos e indiretos, seguindo o modelo semelhante ao já implantado na região Norte do Estado.
Os Detalhes
Terminal de grãos
- As empresas Macro Investimentos e Transportadora Jolivan uniram forças para desenvolver o Tegran Kennedy. Trata-se de um terminal de grãos planejado para integrar o Porto Central, complexo portuário e industrial em construção no município de Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo.
- Embora o contrato definitivo ainda não tenha sido assinado, as partes já firmaram um memorando de entendimento (documento que formaliza as intenções preliminares). Com o sinal verde do Porto Central, os investidores agora estruturam o projeto e iniciam a busca por clientes e novos parceiros.
- Clientes e novos parceiros
- O foco principal de atração de parceiros está em Minas Gerais, Goiás e no Noroeste da Bahia, mas o plano de captação também se estende a Mato Grosso, Piauí, Maranhão e Tocantins.
100% rodoviário
- Diante da ausência de malha ferroviária imediata, o transporte inicial até o porto será feito 100% por caminhões. Mesmo com longas distâncias rodoviárias, o projeto se mantém competitivo devido à baixa eficiência média da logística nacional e ao ganho de escala no porto.
Ferrovias
- O Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), que terá traçado entre Santa Leopoldina e Nova Iguaçu (RJ), teve leilão reprogramado para o segundo semestre de 2026, com o edital em fase de validação pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa do governo é realizar a disputa na B3 em setembro, visando atrair investimentos massivos para a integração portuária.
- Já a EF-352, oficialmente conhecida como Ferrovia Ministro Alysson Paolinelli, é um megaprojeto ferroviário privado brasileiro de aproximadamente 1.850 quilômetros. Desenvolvida pela Macro Investimentos, a ferrovia conectará Presidente Kennedy até Anápolis (GO). Seu traçado visa escoar commodities com alta eficiência para o Porto Central.
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