Vitória Energy 2026: disputa por resíduos de granjas
Antes descartado, dejeto passa a ser visto como riqueza por empresas do setor energético, de olho na produção de gás
Os resíduos orgânicos de frigoríficos e granjas — basicamente fezes, restos de carne e sangue — podem virar uma riqueza disputada entre empresas nos próximos anos, inclusive no Espírito Santo. Eles são utilizados para a produção de biogás e biometano, gases que servem como combustível para residências, indústrias e automóveis.
Para conseguir fabricar, as usinas de produção de biometano e biogás precisam comprar dos produtores esses rejeitos gerados pela atividade agropecuária. Ter esses insumos perto, em grande escala, é um potencial competitivo para a atração de usinas desse tipo.
O Espírito Santo, por exemplo, é um dos principais produtores de ovos do Brasil — a partir de Santa Maria de Jetibá. Consequentemente, também é uma grande geradora de fezes de galinhas.
Esse dejetos podem servir de insumo para uma futura indústria de biogás e biometano a partir de resíduos agropecuários no Estado.
O assunto foi tema do Vitória Energy 2026, realizado ontem.
Uma das questões importantes para o Estado neste momento é, portanto, a garantia do insumo, disse o diretor de Assuntos Corporativos da ES Gás, Walter Piazza Jr.
“Esse é um ponto fundamental para se investir numa planta de biometano. De certa forma, hoje é uma necessidade do produtor escoar e destinar os resíduos de forma correta. À medida que surge uma competição por esse insumo, isso também se torna um risco para o investidor (em usinas)”, diz.
Piazza diz que já há movimentos semelhantes, de competição por esses dejetos, em outros mercados e em outras áreas de produção de biogás e biometano. Em Santa Catarina, por exemplo, o Grupo Energisa — dono da ES Gás — comprou uma planta de compostagem de resíduos orgânicos para utilizar na produção de biogás, biometano e biofertilizantes.
A estrutura começou a produzir em abril deste ano, com uma capacidade de 28 mil metros cúbicos de biometano por dia, além de 40 mil toneladas de biofertilizante ao ano.
O diretor também destaca a necessidade de investimentos em redes para escoar o biometano.
Entenda
1. Resíduos orgânicos
Restos de alimentos, dejetos de animais, resíduos agrícolas e agroindustriais são coletados e encaminhados para tratamento. Em vez de irem para descarte, viram matéria-prima para produzir energia e fertilizante.
2. Planta de biometano
Na planta, os resíduos passam por biodigestão, um processo sem oxigênio que gera biogás. Depois, esse biogás é purificado para se transformar em biometano, com qualidade semelhante a do gás natural.
3. Biometano + biofertilizante
O processo gera dois produtos úteis ao mesmo tempo. O biometano abastece residências, indústrias e veículos. E o resíduo sólido que sobra dos tanques vira adubo natural, pronto para ser usado na terra.
4. Agricultura e pecuária
A produção agrícola gera alimentos e novos resíduos orgânicos. Esses resíduos retornam ao ciclo, mostrando a lógica da economia circular: nada se perde, tudo pode virar recurso.
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