460 crianças nascem com problemas no coração a cada ano
A cardiopatia congênita mais frequente é um orifício na parte inferior do órgão, causando uma passagem anormal de sangue
Estima-se que cerca de 1,3 milhão de bebês nascem todo ano no mundo com alguma malformação no coração, segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria. No Espírito Santo, a estimativa é de cerca de 460 casos por ano.
A condição, chamada de cardiopatia congênita, é uma alteração estrutural ou funcional que ocorre durante o desenvolvimento do feto e pode afetar diferentes partes do coração, segundo a coordenadora médica da Cardiologia Pediátrica do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), Danielle Lopes.
“Existem desde os casos mais simples até os que são mais complexos. A cardiopatia congênita mais frequente é a comunicação interventricular, que é um orifício na parte inferior do coração, causando uma passagem anormal de sangue entre as cavidades”.
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da gravidade do caso. Somente no Himaba, em 2026, já foram realizados 83 procedimentos.
“Existem casos em que a cirurgia precisa ser realizada nos primeiros dias de vida, porque o risco de morte é muito elevado e algumas cardiopatias são incompatíveis com a vida sem intervenção”, adiciona Danielle.
Um dos sinais mais conhecidos da cardiopatia congênita é a cianose, quando o bebê apresenta uma coloração azulada ou arroxeada, segundo informou o cardiologista Diogo Barreto.
“Em alguns casos, a criança pode apresentar também cansaço durante as mamadas ou ao chorar, além de frequência cardíaca elevada de forma persistente”.
A causa dessa malformação, de acordo com o cirurgião cardiovascular Rafael Aon Moysés, costuma ser multifatorial, incluindo fatores genéticos, ambientais ou histórico familiar. “Síndromes, alterações cromossômicas, infecções durante a gestação, uso de drogas e determinadas doenças maternas são alguns fatores. Mas, em alguns casos, não é possível identificar uma causa específica”.
E independentemente do tratamento realizado, as crianças diagnosticadas com alguma cardiopatia precisam de acompanhamento especializado durante toda a vida.
“Algumas serão monitoradas apenas clinicamente, enquanto outras poderão necessitar de novas intervenções ou cirurgias futuramente, mas o acompanhamento contínuo faz parte do plano terapêutico desses pacientes”, conclui Rafael.
“Momento turbulento da nossa vida”
O pequeno Otávio Ucceli comemorou seu primeiro ano no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) após uma cirurgia para corrigir a cardiopatia congênita tetralogia de Fallot.
A mãe, a designer de sobrancelhas Laisa Ucceli, de 32 anos, conta que a doença foi descoberta após o nascimento. “Percebemos que ficava roxinho. A pediatra identificou um sopro e nos encaminhou para a cardiologista, que confirmou o diagnóstico”.
Desde então, o menino passou a ser acompanhado por especialistas até conseguir realizar a cirurgia, em março. “Foi um momento turbulento da nossa vida, mas ver ele bem e saudável hoje nos deixa muito felizes”, diz Laisa.
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