Como diferenciar rinite, sinusite, gripe e covid
Especialistas explicam os sintomas de cada doença. Como são bem parecidos, em alguns casos é necessário fazer teste para diagnosticar
Se você não apresentou nenhum sintoma gripal este ano, é provável que conheça alguém que já teve. Mas como saber o que é gripe, rinite, sinusite ou covid?
Com tantos vírus respiratórios, em circulação simultânea, atingindo todas as regiões do Espírito Santo e faixas etárias, conforme aponta o Informe Epidemiológico da Vigilância de Vírus Respiratórios da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), A Tribuna conversou com os médicos para ajudar a diferenciar as doenças.
O infectologista Paulo Peçanha destaca que tanto gripe quanto rinite tem como sintoma principal a coriza, tornando-se esse um dos fatores de confusão. A rinite, segundo o médico, pode até ser desencadeada por vírus respiratórios, como o rinovírus, mas, na maioria das vezes, sua principal causa é alérgica.
“Na rinite a pessoa apresenta irritação no nariz, na boca e, às vezes, também nos olhos. É comum sentir coceira nessas regiões, além de coriza, espirros e lacrimejamento. Ao mesmo tempo em que ocorre a secreção nasal, o paciente também sente o nariz congestionado”.
Já a gripe, causada pelo vírus influenza, segundo a médica infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Giorgia Torresini, costuma ter início súbito.
“A febre geralmente é alta e vem acompanhada de muita dor no corpo, dor de garganta, tosse e aquela sensação que o paciente descreve como 'me derrubou'. É um quadro mais intenso, com febre alta, dor muscular e bastante indisposição”, explicou.
No caso da covid, explica a infectologista Ana Carolina D'Ettorres, da Unimed Vitória, o quadro é mais variável, com febre, tosse, dor de garganta, cansaço, podendo haver alteração de olfato e paladar e falta de ar alguns dias depois. “Pela grande semelhança com a gripe, só o teste confirma”, destaca.
A sinusite, por sua vez, ocorre quando um vírus infecta os seios da face, que ficam localizados ao redor do nariz, conforme explicou a infectologista Martina Zanotti, do Hospital Vitória Apart.
“A maioria das sinusites também tem causa viral. Diversos vírus respiratórios, como influenza, parainfluenza e rinovírus, podem causar esse quadro. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, sensação de pressão na face, nariz entupido, coriza e tosse. Não costuma ser uma condição que provoque muita febre, embora isso possa acontecer em alguns casos.
Martina destaca que em casos de sintomas por mais de 10 dias sem melhora pode haver possibilidade de uma sinusite bacteriana.
Fique por dentro
Rinite
Segundo o infectologista Paulo Peçanha, a principal confusão entre gripe e rinite acontece porque ambas podem provocar coriza. No entanto, a rinite costuma estar associada a gatilhos alérgicos, como cheiros fortes, pólen, poeira ou produtos químicos.
Os sintomas mais comuns da rinite são: coriza, espirros, coceira no nariz, olhos e garganta, lacrimejamento, congestão nasal. A principal característica que ajuda a diferenciar a rinite de uma infecção viral é a ausência de febre.
A infectologista Giorgia Torresini aponta ainda que um dos primeiros pontos para diferenciar a rinite de uma gripe ou covid é justamente observar se existem outras pessoas próximas com sintomas semelhantes.
Tratamento
É voltado para o controle dos sintomas e inclui: lavagem nasal com soro fisiológico, controle dos fatores desencadeantes da alergia, antialérgicos, quando indicados, corticoides nasais em alguns casos.
Gripe
É causada pelo vírus influenza e costuma provocar sintomas mais intensos do que outras infecções respiratórias. A infectologista Ana Carolina D'Ettorres destaca que a gripe tem início súbito, com febre alta, dor no corpo, dor de cabeça e prostração intensa. O comprometimento é do corpo todo.
Tratamento
Na maioria dos casos, de acordo com a infectologista Martina Zanotti, o tratamento é sintomático: repouso, hidratação, controle da febre e da dor e lavagem nasal.
Além dos medicamentos para aliviar os sintomas, existe tratamento antiviral específico que, segundo o infectologista Paulo Peçanha, é o oseltamivir (Tamiflu).
Sinusite
A sinusite ocorre quando um vírus infecta os seios da face. A maioria das sinusites, explica a infectologista Martina Zanotti, também tem causa viral. Diversos vírus respiratórios, como influenza, parainfluenza e rinovírus, podem causar esse quadro.
Os sintomas mais comuns são dor de cabeça, sensação de pressão na face, nariz entupido, coriza e tosse. Não costuma ser uma condição que provoque muita febre, embora isso possa acontecer em alguns casos.
É um diagnóstico clínico, ou seja, feito principalmente pela avaliação dos sintomas, sem necessidade de exames como raio-X na maioria dos casos.
Sinusite bacteriana
Quando o paciente permanece com sintomas por mais de 10 dias sem melhora, ou quando apresenta melhora inicial e depois volta a piorar, passa-se a considerar a possibilidade de uma infecção bacteriana.
Os vírus também podem causar secreção amarelada, esverdeada e até com aspecto purulento. A cor da secreção não diferencia infecção viral de bacteriana.
É transmissível?
A infectologista Giorgia Torresini afirma que não. A sinusite bacteriana não é transmissível. O que é contagioso são as infecções virais que podem anteceder a sinusite.
Tratamento
Inicialmente, o tratamento é semelhante ao das demais infecções respiratórias: lavagem nasal com soro fisiológico, hidratação, controle dos sintomas. O uso de antibióticos só é indicado nos casos de sinusite bacteriana.
Covid
Quadro mais variável, com febre, tosse, dor de garganta, cansaço, podendo haver alteração de olfato e paladar e falta de ar alguns dias depois. Pela grande semelhança com a gripe, só o teste confirma, explica a infectologista Ana Carolina D'Ettorres.
A covid pode começar mais devagar, a depender da característica do paciente e status vacinal, e o ponto de atenção é uma possível piora entre o 5º e o 7º dia, justo quando a pessoa acha que está melhorando. Não é possível diferenciar gripe de covid só pelos sintomas, sendo o teste é a forma mais segura de se diferenciar.
Tratamento
Para a covid também existe tratamento específico na fase inicial para grupos de risco, como idosos e pessoas imunossuprimidas, a combinação dos antivirais nirmatrelvir e ritonavir.
Nos casos mais avançados, quando o paciente precisa de oxigênio ou internação hospitalar, existem outras medicações que podem ser utilizadas.
Prevenção
Os vírus respiratórios podem ser transmitidos tanto pelo ar quanto pelo contato com superfícies contaminadas pelas secreções respiratórias. Por isso, é importante cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar, preferencialmente utilizando o antebraço, higienizar as mãos frequentemente e usar máscara quando estiver doente.
Também é importante destacar que duas dessas doenças possuem vacina: a gripe e a covid.
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