Canetas já são primeira opção para tratar obesidade, dizem médicos
Eficácia na perda de peso e benefícios como redução do risco de infarto e AVC estão entre os motivos, segundo especialistas
As chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser apenas uma novidade e passaram a ocupar lugar de destaque no tratamento da obesidade. Segundo especialistas, os medicamentos já são considerados a primeira opção terapêutica para muitos pacientes, devido à eficácia na perda de peso e aos benefícios que vão além da balança, incluindo redução do risco de infarto e AVC.
O diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Alexandre Hohl, afirmou que medicamentos como liraglutida, semaglutida e tirzepatida são extremamente importantes e trazem benefícios significativos quando bem indicados.
“Eles fazem parte da diretriz brasileira para o tratamento farmacológico da obesidade e, hoje, são consideradas a primeira opção de tratamento medicamentoso”.
Ele enfatizou, no entanto, que a obesidade não se trata apenas com remédio. “O tratamento passa por uma melhora da alimentação, da atividade física, em conjunto com profissionais da área da educação física e da nutrição”.
A endocrinologista e delegada da Abeso no Espírito Santo, Mariana Guerra, também afirmou que as canetas – a exemplo da semaglutida e da tirzepatida – são a primeira alternativa de tratamento, não só pela potência, mas também por segurança e por benefícios metabólicos.
“Essas medicações são muito bem toleradas e não trabalham só no hábito alimentar, de comer menos. Elas também têm melhora metabólica”.
Mariana pontuou que drogas mais antigas traziam potência de perda de peso pequenas. “Considerávamos 5% como sucesso. Hoje, as drogas já alcançam acima de 20% de perda de peso”.
A presidente da SBEM regional Espírito Santo, Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, frisou que, mais do que estética, as medicações são a primeira escolha porque protegem o coração, reduzem o risco de infarto e AVC e tratam doenças associadas, como a esteatose hepática.
“Antes da era das canetas, o arsenal médico era focado no sistema nervoso central para reduzir a ansiedade e a fome no cérebro ou no próprio trato digestivo, bloqueando a absorção de nutrientes. Embora o tratamento parecesse mais limitado, essas medicações continuam tendo espaço no consultório para perfis específicos de pacientes ou quando o custo das canetas é limitador”.
O que eles dizem
“Doença crônica”
“Tratar a obesidade não significa apenas emagrecer. Trata-se de uma doença crônica, que exige abordagem ampla. A escolha do medicamento deve ser feita pelo médico, e a decisão depende de fatores como peso e idade do paciente, além da presença de comorbidades como diabetes, hipertensão, alterações do colesterol, esteatose hepática, entre outras”.
“Nível de potência”
“A nova Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade da Abeso classifica os remédios pelo nível de potência. A semaglutida e a tirzepatida são os únicos que são medicações de Alta Potência, proporcionando perda média acima de 10% a 15% do peso corporal – chegando a 20% com a tirzepatida e semaglutida em altas doses”.
Saiba Mais
Tratamento atual
- Conhecidas popularmente como “canetas emagrecedoras”, medicações injetáveis como liraglutida, semaglutida e – a mais recente – a tirzepatida já são consideradas por médicos a primeira linha de tratamento contra a obesidade.
- Elas funcionam imitando a ação de hormônios produzidos no intestino, atuando na regulação do apetite e retardando o esvaziamento do estômago.
- Dependendo da medicação, a perda chega a um índice entre 15% e 20% do peso corporal. Além disso, tais medicações reduzem risco de infarto e AVC e tratam doenças associadas, como esteatose hepática.
- O uso das canetas deve ser feito com acompanhamento médico. É indicado a pacientes com obesidade (IMC acima de 30) ou com sobrepeso (IMC acima de 25) que apresentam doenças associadas, como diabetes tipo 2, entre outras.
Como era
- O arsenal médico era focado no sistema nervoso central – para reduzir a ansiedade e a fome no “cérebro” –, ou no trato digestivo, bloqueando a absorção de nutrientes.
- Essas medicações continuam sendo usadas para perfis específicos de pacientes ou quando o custo das canetas é um limitador.
Tratamentos tradicionais
- Sibutramina: atua no cérebro aumentando a saciedade. É indicada para pacientes hiperfágicos (que comem grandes volumes de comida). No entanto, pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial, sendo contraindicada para pacientes com histórico de doenças cardíacas, infarto ou AVC.
- Orlistate: não age no cérebro. Ele atua diretamente no intestino, bloqueando a absorção de cerca de 30% da gordura ingerida na refeição. É indicado para pacientes que têm uma dieta rica em gorduras ou precisam controlar o colesterol.
- Contrave: é uma combinação que atua no centro de recompensa do cérebro. É indicado para o paciente “beliscador”, que sofre de compulsão alimentar por estresse ou ansiedade, e para aqueles que têm aquela fissura por doces e carboidratos.
Alto custo
- Segundo médicos, o maior desafio atual do tratamento com as medicações injetáveis é o custo – ainda alto e com um tratamento que deve ser feito a longo prazo.
- Hoje, eles não são fornecidos na saúde pública e suplementar (planos de saúde).
- Sociedades médicas têm se mobilizado para a inclusão dessas novas classes de medicamentos no SUS e nos planos de saúde.
Diretriz internacional
- Uma nova diretriz do American College of Physicians (ACP), entidade que reúne os médicos internistas dos EUA, publicada nesta semana na revista científica Annals of Internal Medicine, estabelece a semaglutida e a tirzepatida como 1ª opção quando se decide tratar a obesidade com remédio, ao lado de mudanças no estilo de vida.
- Para adultos com obesidade (índice de massa corporal, o IMC, igual ou acima de 30), a diretriz organiza as demais drogas numa hierarquia: a combinação fentermina-topiramato como segunda opção, a liraglutida como terceira e a associação naltrexona-bupropiona como quarta.
- Já em pessoas com sobrepeso (IMC entre 27 e 30) e ao menos uma doença associada —diabetes tipo 2, colesterol alterado, hipertensão ou doença cardiovascular —, a recomendação é começar por semaglutida ou tirzepatida.
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