Líderes do tráfico são presos após tortura brutal de mulher em Cachoeiro
Vítima foi espancada com barras de metal e pedaços de madeira após ser acusada por criminosos de colaborar com a polícia
A Polícia Civil prendeu dois homens, de 23 e 36 anos, apontados como lideranças do tráfico de drogas na tarde dessa terça-feira (02) em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. Um deles é investigado por ordenar a tortura de uma mulher, de 36 anos, suspeita de ter repassado informações às forças de segurança. O outro estava foragido havia cerca de dois anos por participação em um homicídio e teria retornado recentemente ao município.
As prisões ocorreram durante uma operação conjunta da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc), da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do Centro de Inteligência e Análise Telemática do Sul (Ciat Sul). Segundo a corporação, o trabalho incluiu ações de inteligência e monitoramento para localizar os suspeitos.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, a ação foi resultado de um trabalho de inteligência e monitoramento que permitiu localizar os suspeitos sem confrontos.
“Foi uma operação extremamente relevante para o Sul do Estado. Conseguimos prender duas lideranças criminosas em uma única ação, utilizando ferramentas de inteligência e tecnologia. A prisão foi realizada sem nenhum disparo e sem nenhum ferimento, mesmo considerando o grau de periculosidade dos investigados”, afirmou.
De acordo com a Polícia Civil, a tortura investigada teria relação com uma operação da Polícia Militar, realizada em 28 de abril, que resultou na apreensão de dinheiro e drogas associadas a uma organização criminosa que atua no bairro Bela Vista. Após a ação, integrantes do grupo passaram a suspeitar que uma mulher ligada ao tráfico teria colaborado com as autoridades.
“Eles imaginaram que ela seria a pessoa responsável por passar informações para a Polícia Militar. Não havia nenhuma confirmação disso, mas decidiram cobrá-la da forma mais violenta possível”, disse o delegado Felipe Vivas.
A vítima ficou internada por cerca de duas a três semanas e, atualmente, está sob proteção do Estado. Segundo a Polícia Civil, ela já prestou depoimento em juízo por meio de produção antecipada de provas, confirmando a dinâmica do crime apurada no inquérito.
Investigação apontou tortura qualificada e outros crimes
Inicialmente, o caso foi tratado como tentativa de homicídio. No entanto, após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil informou que o objetivo principal do grupo seria obter uma confissão, e o crime passou a ser enquadrado como tortura qualificada, devido às lesões graves.
Ainda segundo a investigação, também foram apurados outros delitos relacionados ao episódio, como roubo de um celular e corrupção de menores, já que um adolescente teria participado da ação.
Prisões, apreensões e suspeita de lavagem de dinheiro
Durante a operação realizada nesta semana, os policiais localizaram os suspeitos escondidos em uma residência no bairro Paraíso. No imóvel, foram apreendidos um revólver, um rádio comunicador, anotações relacionadas ao tráfico de drogas e documentos que, segundo a polícia, indicam possível esquema de lavagem de dinheiro.
Um dos presos é apontado como líder do tráfico na região de Bela Vista e teria ordenado a tortura. O segundo suspeito, identificado pela polícia como Lucas Bertão, estava foragido por participação em um homicídio ocorrido em fevereiro de 2024. Conforme a investigação, após o crime ele teria fugido para o Rio de Janeiro e, ao retornar ao Espírito Santo, teria passado a atuar como segurança da liderança investigada.
A Polícia Civil informou ainda que os dois presos foram autuados em flagrante por associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo. Eles devem ser encaminhados ao sistema prisional e permanecer à disposição da Justiça.
Ao comentar o resultado da operação, Jordano Bruno afirmou que a prisão dos investigados representa uma resposta direta ao crime organizado na região.
“São duas pessoas extremamente perigosas que foram retiradas de circulação. Isso traz tranquilidade para a população e demonstra que a Polícia Civil não vai tolerar homicídios, torturas ou qualquer ação que tente impor poder pelo medo nas comunidades”, concluiu.
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