Operação Lucas 3:14: PMs, servidores públicos e produtores rurais são presos
Ao todo, 10 pessoas foram presas no ES, incluindo quatro policiais militares, durante investigação de homicídios e suposta pistolagem
Quatro policiais militares, dois servidores públicos e quatro produtores rurais foram presos durante a deflagração da Operação "Lucas 3:14", que investiga a participação dos suspeitos em crimes de homicídio qualificado, organização criminosa, pistolagem, fraude processual, falsidade ideológica, ocultação e destruição de provas. As prisões aconteceram na última terça-feira (02), em Ibatiba e Iúna, no Caparaó capixaba, em Castelo, no Sul do Estado.
Um suposto confronto policial, que aconteceu em dezembro de 2025, na BR-262, e deixou duas pessoas identificadas como Ezequiel de Sousa, 39 anos, e Claudinei de Paula, 43 anos, mortas, teria culminado nas investigações da Corregedoria da Polícia Militar (PMES) que apuram a conduta dos policiais na abordagem.
Contudo, durante a apuração da PMES, a Polícia Civil também investigava uma organização criminosa com integrantes da mesma família responsável por diversos crimes no município, indicando uma possível ligação do grupo com a ocorrência que vitimou as duas pessoas.
Na época, policiais alegaram que após abordar o veículo em que as vítimas estavam, elas revidaram com disparos de arma de fogo. No entanto, foram identificadas inconsistências nas versões dos fatos, apontando que Ezequiel de Sousa, que possuía uma extensa ficha criminal e era apontado como o "pistoleiro" ligado a uma família da região, teria sido vítima de uma emboscada armada com o apoio de um dos servidores públicos envolvidos.
A emboscada teria sido planejada por uma outra família, rival da que a vítima trabalhava, que, por ser responsável pelo assassinato do irmão de Ezequiel dos Santos, temia que a vítima se vingasse e ordenou a execução dele.
Investigação
Segundo o corregedor da PMES, coronel Alves Chris, as prisões são temporárias, com validade para um período de 30 dias e possibilidade de prorrogação da mesma quantidade inicial de dias, devido ao fato de que ainda é investigada a conduta individual dos policiais militares presos.
"O objeto investigativo, de contexto geral, é a contratação de mortes com a possível participação de agentes públicos. Então, a hipótese investigativa seria dessa intervenção da polícia militar no contexto dessa organização criminosa. Ou seja, na contratação de homicídios por motivações diversas, tanto pecuniárias, conflitos interpessoais, históricos, enfim. A hipótese é essa", pontuou o coronel.
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