Empreendedorismo: aposta em loja virtual e venda até para o exterior
É o caso de uma cachaçaria de São Roque do Canaã, que já recebeu pedidos de vários estados e prepara o envio da bebida para consumidores dos Estados
Uma cachaçaria artesanal da zona rural de São Roque do Canaã, município de 11 mil habitantes, chamou a atenção de americanos com vontade de provar a bebida do alambique capixaba. Agora, a cachaça vai chegar até lá.
Esse resultado é fruto da loja virtual adotada pelo pequeno produtor Afonso Locatelli, com a ajuda dos filhos Larida e Octávio: a cachaçaria lançou em dezembro um site de vendas, com preços, imagens e pagamento virtual. Foram cerca de 50 pedidos recebidos pela Cachaça Arte Suprema até a última quarta-feira (27), entre eles do Rio, São Paulo, Bahia e Tocantins.
Há 18 anos, destilar o bagaço da cana-de-açúcar, produzir a cachaça em tonéis de cobre e vender para clientes era um negócio voltado para o local. Só conseguia o produto quem dirigisse até a propriedade de 12 alqueires às margens da ES-080.
O digital, para Octávio, não substitiu o presencial, mas complementa o potencial da marca, que agora pode ser vista e atrair para a região um público muito maior.
“O digital vem principalmente para expandir o mercado. Hoje a marca fica um pouco mais reconhecida quando você faz uma busca na internet. Você vê toda a parte de publicação, todos os produtos expostos para venda. Ela complementa a estratégia inicial, que era o foco no turismo”, afirma.
Esse mesmo desejo de impulso do negócio por meio de plataformas digitais já despertou o interesse de pelo menos 728 mil empreendedores no Brasil em 2025, que buscaram em marketplaces uma saída para ampliar a visibilidade da marca ou aumentar o faturamento, segundo a Agência Sebrae.
“O digital não é mais opção, mas necessidade. E muitas vezes é a sustentação de negócios, inclusive dos pequenos”, diz a gerente de relacionamentos do Sebrae/ES, Adriana Rocha, especialista no mercado digital. “Às vezes a venda não é diretamente no digital, mas é onde as pessoas pesquisam, são impactadas, estão vendo, acompanhando, comparando o preço. Isso se fortaleceu principalmente após a pandemia. Foi um marco temporal. Muitas empresas ampliaram seus negócios no digital e nunca mais voltaram”, acrescenta.
Em muitos casos, o mercado local já atingiu um limite de expansão, levando os negócios a procurarem novos clientes fora da região, avalia a Globalsys, empresa capixaba especializada em estratégia digital para marcas.
“Empresas normalmente buscam o digital pela necessidade de sobrevivência diante da concorrência ou busca por crescimento”, diz o especialista em e-commerce Eduardo Glazar, CEO da Globalsys.
Formada em Minas
De “bebida de macho” no passado, a cachaça passou a ganhar o gosto feminino e, no alambique de São Roque do Canaã, é feita, inclusive, por uma mulher, desde a caldeira até o produto final.
Jocélia Fabris, de 41 anos, é mestre alambiqueira formada em Minas Gerais e faz a bebida há cinco anos, tendo produzido rótulos premiados.
“Me perguntaram se eu queria aprender e eu disse sim”, conta, com orgulho, sobre o início da carreira.
Cosméticos de Vitória à venda em site
Dona de um centro de estética no bairro Santa Helena, em Vitória, a empresária Mariana Veronez começou a produzir a própria linha de produtos de hidratação após reparar que alguns clientes não mantinham os cuidados necessários antes ou após os procedimentos.
O que era para ser apenas um adendo ao serviço de estética acabou se transformando em um novo negócio, a ponto de ela abrir um canal de vendas digital e comercializar o produto para outros estados, surgindo assim a MV Cosméticos. Hoje ela mantém um site de vendas e já comercializou produtos para Rio de Janeiro, Bahia, Mato Grosso, Ceará e São Paulo.
“Após cinco anos dos produtos sendo comercializados entre nós, abrimos para o restante do Brasil”, diz a empresária.
Cerveja de Santa Teresa para o País
Vender para o público presencial foi, por muitos anos, o principal foco da Cervejaria Três Santas, localizada no Circuito Caravaggio, em Santa Teresa, na região Serrana do Espírito Santo. Tanto que, mesmo havendo demanda, a empresa nem mesmo queria adotar outros estabelecimentos como ponto de venda: “beba local”, diz o lema do estabelecimento.
Mas após seis anos investindo nessa estratégia, os sócios Juca Lima (foto), Luís Cláudio Raggi e Janice Aparecida decidiram ampliar o horizonte e abriram, há quatro semanas, um site de vendas.
Levar as bebidas produzidas na cervejaria para a plataforma digital própria, antes fora de cogitação, teve resultado já na primeira semana: um pedido de 14 cervejas para Brasília, conta o sócio Juca Lima, que também é o mestre cervejeiro. Para o envio, ele prioriza o frete aéreo.
Antes de uma decisão
1. Avalie se o negócio consegue vender para fora da região
O primeiro passo é entender se a empresa consegue atender clientes fora do bairro, cidade ou estado onde atua. Para isso, o empreendedor precisa avaliar o público-alvo e a capacidade de distribuição dos produtos. Ter parceiros logísticos nacionais facilita a expansão digital.
2. Organize os processos da empresa
Antes de começar a vender on-line, é necessário ajustar processos internos. Empresas que atuam apenas no físico precisam adaptar a operação para um modelo digital, sem perder eficiência. A proposta é transformar parte da operação em um modelo “phygital”, unindo vendas físicas e digitais.
3. Escolha a plataforma ideal para o negócio
Empresas que vendem produtos podem começar por marketplaces e plataformas prontas de e-commerce, que permitem entrada rápida no mercado digital. Já negócios de prestação de serviços normalmente precisam de plataformas personalizadas, capazes de adaptar o atendimento às necessidades de cada cliente.
4. Reduza a dependência de atendimento manual
Empresas que dependem de pedidos feitos por telefone ou WhatsApp enfrentam dificuldade para crescer, já que cada vendedor consegue atender apenas um cliente por vez. Com plataformas digitais, o cliente consegue fazer pedidos diretamente pelo site ou sistema online, aumentando a capacidade de vendas.
5. Use dados para conhecer melhor o cliente
As plataformas digitais ajudam a registrar histórico de compras, preferências e hábitos de consumo dos clientes. Essas informações permitem criar ofertas personalizadas e até lembrar o consumidor sobre novas compras de produtos recorrentes.
6. Comece pelos canais digitais mais simples
Empresas que ainda estão no início da digitalização podem começar vendendo em marketplaces, como forma de testar a demanda e validar o modelo online. Depois disso, o negócio pode avançar para plataformas próprias e operações mais estruturadas.
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