Força do campo: agro tem mais de 273 mil empregados no ES
É o maior número de trabalhadores no setor primário em 12 anos, com a cafeicultura em destaque, sendo 1º na criação de vagas
O agro já tem mais de 273 mil empregados no Espírito Santo, sendo o maior número de trabalhadores desde 2014 — ou seja, em 12 anos. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o Estado encerrou 2025 com 14 mil empregados a mais que em 2024.
O cultivo de café, do qual o Estado é o segundo maior produtor, é o responsável pelo maior número de empregos, com 184.992 em 2025.
Além da cafeicultura, horticultura, com 19.532 trabalhadores, e pecuária, com 16.195 trabalhadores, se destacam na criação de empregos no agro capixaba, conforme os dados da CNA.
No período da colheita do café, o número de empregos cresce com contratações temporárias, segundo Júlio Rocha, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes). A informação é reforçada pelo secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
O cafeicultor e agrônomo Willian Ribeiro, 31 anos, por exemplo, contou que na propriedade da família, em Pancas, Noroeste do Estado, são oito colaboradores fixos, mas que, em períodos de colheita, entre seis e 10 trabalhadores temporários são contratados.
Embora crie milhares de vagas e tenha tido crescimento nos últimos anos, o agro enfrenta entraves estruturais, principalmente com dificuldade de ampliar a mão de obra no campo, disse o secretário.
“Tem os picos (de contratações) na colheita (do café). Temos que compreender – profissionais, agricultores e gestores de propriedade – que a mão de obra sempre será um fator limitante para todos os segmentos econômicos, inclusive do agro. Há uma competição por mão de obra. Então, por isso que tecnologias poupam mão de obra e conseguem otimizar a produção e a produtividade”, detalhou Bergoli.
Júlio Rocha disse que todos os tipos de produção na agropecuária enfrentam desafios para ampliar o número de empregados. Ele detalha que atualmente, no Estado, os empregos formais prevalecem.
A média salarial da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi de R$ 2.506 em 2025, a maior já registrado desde 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Orientação para formalizar trabalhadores temporários
As contratações temporárias no período sazonal de colheitas, como do café, no caso do Estado, acabam abrindo margem para o aumento do trabalho informal.
O superintendente regional do Trabalho e Emprego no Estado, Alcimar Candeias, contou que, principalmente com a colheita do café, são feitas ações de orientação e combate à informalidade, para levar a informação da importância de formalizar o vínculo trabalhista ao empregador e também ao empregado.
“É segurança para o produtor que está contratando, por exemplo, em caso de um acidente durante o trabalho, e para o contratado, que tem seus direitos sociais garantidos”, explicou.
Vale destacar que o contratados não perdem seus benefícios sociais, como o Bolsa Família, ao terem contratos de trabalho formais.
Ele contou que a mão de obra para a colheita do café costuma vir do Sul da Bahia e de Minas Gerais, mas já há trabalhadores vindo de outros estados do Nordeste, como Alagoas e Sergipe. “Fiscalizamos condições de trabalho e alojamento para esses trabalhadores”.
Raio-x do setor
Trabalhadores no agro capixaba
130 mil propriedades rurais ativas existem no Espirito Santo, em sua maioria pequenas e de base familiar, responsáveis pela produção de alimentos, criação de empregos e preservação cultural. A agricultura familiar corresponde a aproximadamente 75% das propriedades rurais.
Números desde 2012
Ano - trabalhadores
- 2025 - 273.603
- 2024 - 259.469
- 2023 - 260.572
- 2022 - 268.915
- 2021 - 252.163
- 2020 - 266.896
- 2019 - 264.924
- 2018 - 264.445
- 2017 - 255.904
- 2016 - 248.730
- 2015 - 265.684
- 2014 - 276.988
- 2013 - 303.963
- 2012 - 287.890
Média salarial
R$ 2.506 é a remuneração média da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura em 2025, a maior já registrada na série histórica desde 2012, conforme os dados do IBGE
Série histórica dos salários
Ano - Média salarial
- 2025 - R$ 2.506
- 2024 - R$ 2.272
- 2023 - R$ 2.345
- 2022 - não houve divulgação
- 2021 - não houve divulgação
- 2020 - não houve divulgação
- 2019 - R$ 1.826
- 2018 - R$ 1.770
- 2017 - R$ 1.962
- 2016 - R$ 2.095
- 2015 - R$ 1.966
- 2014 - R$ 2.288
- 2013 - R$ 1.981
- 2012 - R$ 1.899
O Estado encerrou 2025 com 273.603 trabalhadores na agropecuária, 14.134 a mais que no ano anterior. É o maior número de trabalhadores desde 2014.
O agronegócio absorve cerca de 33% da população economicamente ativa no Espírito Santo e é responsável por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, sendo a atividade econômica mais importante em 80% dos municípios capixabas. O setor engloba desde a produção agropecuária e extrativa não mineral até as atividades de transporte, comércio e serviços ligados à distribuição dos bens produzidos no campo.
No país
O agronegócio brasileiro alcançou o número recorde de 28,4 milhões de trabalhadores em 2025, o que representa crescimento de 2,2% em relação a 2024 (601,8 mil trabalhadores a mais).
Com isso, a participação do setor na manutenção total de empregos no País passou de 26,1%, em 2024, para 26,3%, em 2025.
Por segmento, com exceção do setor primário (que registrou queda), todos os elos da cadeia apresentaram expansão, com destaque para os agrosserviços (6,1%), seguidos por insumos (3,4%) e agroindústria (1,4%).
Houve crescimento de 4,6% no número de trabalhadores com carteira assinada e de 3,2% entre os que trabalham por conta própria. Por nível de escolaridade, houve aumento da participação de trabalhadores com ensino superior (8,3%) e ensino médio (4,2%).
A participação da mão de obra feminina cresceu 2,6%, enquanto a masculina avançou 1,9%.
O maior crescimento foi no setor de agrosserviços (6,1%), puxado pela retomada nas atividades agroindustriais: área totalizou 601 mil novos postos abertos
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