O tamanho certo da força
Exportações e produtividade consolidam o agro capixaba como referência nacional
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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Num país acostumado a medir a força do agro pela extensão da terra, o Espírito Santo oferece outra escala.
O Estado é pequeno no mapa, mas aprendeu a ocupar espaço onde isso mais importa hoje: na capacidade de transformar especialização, produtividade e diversificação em renda.
Em 2025, o agronegócio capixaba exportou R$ 17,2 bilhões, respondendo por 30,7% das exportações do Estado e chegando a 133 países. O dado impressiona, mas o ponto central está no modelo de negócio, para além de valores isolados.
Quando olhamos o Espírito Santo, vemos um agro que combina café, pimenta-do-reino, pecuária, celulose, frutas, gengibre, cacau e chocolates, além de uma base rural majoritariamente formada por pequenas propriedades e agricultura familiar.
Cerca de 75% das propriedades rurais capixabas têm esse perfil. Dessa maneira, é possível enxergar que hoje a competitividade do campo já não depende só de escala bruta.
Organização, tecnologia, assistência técnica, irrigação, cooperativismo e presença em nichos onde o valor pesa tanto quanto o volume é realmente o que faz diferença. O Espírito Santo virou um laboratório silencioso desse caminho.
Quem olha apenas para o tamanho do território perde o principal: há estados que produzem volume e há estados que produzem valor. O café continua no centro dessa engrenagem. O Estado é o segundo maior produtor brasileiro, responde por mais de 30% da produção nacional e a atividade cafeeira representa 37% do PIB agrícola capixaba.
Isso ajuda a explicar por que o interior capixaba sente tão rapidamente tanto os momentos de bonança quanto os de pressão em preço, clima e custo. Mas é justamente aí que a leitura fica mais interessante.
A força do agro capixaba não está apenas em ter uma cultura líder. Está em não depender só dela para existir. A pimenta cresceu, o cacau de qualidade abriu nova avenida de valor, frutas e mamão mantêm presença externa, e a celulose reforça a base exportadora.
Nos primeiros quatro meses de 2026, o agro capixaba somou R$ 4,6 bilhões em divisas, com embarques para 110 países. Nós talvez devêssemos prestar mais atenção a esse exemplo.
Num tempo em que o Brasil discute produtividade, reindustrialização, agregação de valor e interiorização de renda, o Espírito Santo mostra que um agro moderno não se mede apenas por hectares. Mede-se pela inteligência de transformar território limitado em relevância econômica.
E isso, para um estado pequeno, já é grandeza de sobra.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães