Origem, mercado e futuro
Encontro em Vitória reúne a cadeia do café e reforça que origem, sozinha, já não sustenta competitividade
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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Há eventos que entram no calendário apenas como encontros de setor. E há encontros que ajudam a revelar o tempo em que estamos vivendo. Quando olhamos para a nova edição do Vitória Coffee Summit, promovida pelo CCCV sob o lema “Origem, Mercado e Futuro”, enxergamos mais do que uma programação de palestras, negócios e relacionamento. Vemos um setor organizando, em dois dias, as grandes perguntas que já estão batendo à porta da cafeicultura.
O café sempre carregou origem. No Espírito Santo, essa origem tem endereço, trabalho familiar, cooperativas, exportadores, armazéns, portos, indústria e uma cultura econômica construída ao longo de gerações. Mas origem, sozinha, já não basta. O mundo quer saber de onde vem, como foi produzido, qual padrão entrega, que impacto ambiental carrega, que segurança oferece ao comprador e que capacidade tem de manter regularidade em tempos de clima mais instável e mercado mais nervoso.
É por isso que o aniversário de 80 anos do Centro do Comércio de Café de Vitória tem um peso a mais. O CCCV atravessou décadas em que o café ajudou a formar a economia capixaba e a conectar o interior produtivo ao comércio exterior. Celebrar essa história agora exige mais do que memória. É preciso ler o futuro e entregá-lo a quem é de interesse.
O momento é favorável, mas não é simples. O Espírito Santo consolidou protagonismo nacional no conilon, ganhou espaço na exportação e ampliou sua relevância dentro da cadeia brasileira. Ao mesmo tempo, o mercado mundial ficou mais exigente. Preço alto não elimina risco. Pelo contrário: aumenta a responsabilidade sobre gestão, qualidade, logística, rastreabilidade e tomada de decisão. Em um ambiente de juros, câmbio, clima e geopolítica pressionando margens, improviso custa caro.
O Summit importa quando consegue colocar esses temas na mesma mesa. Produtor, exportador, indústria, pesquisa, crédito, governo e mercado internacional não vivem mais em mundos separados. A decisão tomada na secagem do café pode influenciar a qualidade percebida lá fora. Um gargalo logístico pode reduzir competitividade. Uma nova exigência ambiental pode abrir mercado para quem se preparou ou fechar portas para quem tratou sustentabilidade como discurso.
Também há um simbolismo em Vitória sediar esse debate. A capital que historicamente ajudou a escoar o café capixaba agora precisa ser também lugar de inteligência, articulação e visão estratégica. O futuro do café não será decidido apenas na lavoura, embora comece nela, mas na capacidade de transformar produção em valor, origem em reputação e mercado em planejamento.
Por isso, devemos olhar o Vitória Coffee Summit para além de uma vitrine. É um teste de maturidade. Um setor forte não é aquele que apenas comemora bons números. É aquele que aproveita os bons momentos para se preparar para os difíceis.
Aos 80 anos, o CCCV tem um desafio: honrar a história sem ficar preso a ela. Se “Origem, Mercado e Futuro” for mais do que slogan, a mensagem é clara. O café capixaba sabe de onde veio, entende melhor onde está e precisa decidir, com lucidez, qual lugar quer ocupar no mundo que está se formando.
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