Automação e tecnologia mudam perfil dos empregos no campo
Mecanização, drones, sensores e softwares entram na rotina do campo e elevam a demanda por mão de obra mais especializada
A modernização do agronegócio vem alterando significativamente o perfil da mão de obra no campo. Com o avanço da mecanização e da tecnologia, funções tradicionalmente braçais passaram a exigir maior qualificação técnica e conhecimento digital.
Máquinas agrícolas automatizadas, sistemas de irrigação inteligentes, drones, sensores e softwares de gestão rural fazem parte da rotina das propriedades no Espírito Santo, segundo o secretário de Estado de Agricultura, Enio Bergoli.
“Hoje, o sistema de colheita mecanizada e semimecanizada colhe cerca de 40% da produção do café conilon. Há 10 anos, era muito pouco. Em 10 anos, cresceu muito a colheita de conilon, e só foi possível pela mecanização, senão faltariam trabalhadores para colher”.
No caso do café arábica, os drones são usados para aplicação de nutrientes e fertilizantes em regiões de morro, por exemplo.
Para reduzir a dependência de importação, a tecnologia também é usada para desenvolvimento de bioinsumos. São produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana (como fungos e bactérias) usados no manejo agropecuário. “O Espírito Santo está se adiantando com os bioinsumos. Isso já está virando realidade. Eles vêm até para corrigir uma lacuna e uma deficiência que o Brasil tem”, disse Bergoli.
Com todas essas tecnologias, o perfil, tanto dos produtores quanto de profissionais, vai se alterando, com maior necessidade de qualificação. “Surgem novos profissionais, como operadores de sensores de irrigação, profissionais que atuam com drones. Vai surgindo mão de obra mais especializada”.
A superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado (Senar-ES), Letícia Toniato, falou sobre mão de obra qualificada e um momento de transição que se passa.
“Todo o setor agropecuário vive um momento de transição importante, em que a tecnologia e a mecanização ganham cada vez mais espaço. Portanto, o perfil profissional que o campo demanda hoje é de um trabalhador mais qualificado, não se tratando apenas de força de trabalho, mas de mão de obra preparada para lidar com a inovação”.
O Senar-ES tem atuado de forma estratégica, investindo na formação profissional rural e na capacitação, oferecendo treinamentos voltados ao uso de ferramentas digitais no campo, desde a operação de máquinas agrícolas até tecnologias aplicadas, como o drone.
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Mudanças com a tecnologia
A transformação digital no campo vem alterando a rotina das propriedades rurais e redefinindo profissões tradicionais do agronegócio.
Tecnologias como drones, sensores climáticos, Inteligência Artificial (IA), automação de máquinas e softwares de gestão agrícola já fazem parte da realidade de muitos produtores.
Funções que antes dependiam exclusivamente da experiência prática passaram a exigir conhecimento técnico e domínio de ferramentas digitais. Operadores de máquinas, por exemplo, hoje trabalham com equipamentos guiados por GPS e sistemas automatizados de precisão.
Além disso, novas profissões começam a ganhar espaço no setor agropecuário. Analistas de dados agrícolas, especialistas em agricultura de precisão, técnicos em monitoramento remoto e consultores em sustentabilidade estão entre os profissionais mais procurados em cadeias produtivas mais tecnificadas.
Segmentos
No café, hoje cerca de 40% da colheita do conilon já é feita por semimecanizados. No café arábica, em áreas montanhosas, a utilização de drones ganha força para, por exemplo, pulverização de defensivos e fertilizantes. Outra tecnologia é a fertirrigação, que é automatizada.
Na pecuária, que produz 1 milhão de litros de leite por dia, a utilização de ordenhadeiras mecânicas é fundamental. Também são utilizadas ensiladoras para a produção de silagem, essencial na alimentação do gado.
Na produção de pimenta-do-reino, assim como no café, é utilizada a fertirrigação e recolhedoras.
As tecnologias também estão presentes nas pesquisas, para criação de novas variedades. Recentemente, foi apresentada, por exemplo, a banana Ambrósia, uma nova cultivar de banana, do tipo nanica, lançada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), que se destaca pela alta produtividade, frutos mais doces e forte resistência a doenças.
Os softwares de gestão agrícola são utilizados nos diferentes segmentos de produção do agro. São plataformas digitais que integram as áreas administrativa e operacional de uma fazenda. Permitem planejar safras, controlar finanças, monitorar o estoque de insumos e gerenciar a manutenção de maquinários em um único lugar.
Perfil dos profissionais
O perfil profissional e as principais exigências do mercado para o setor agropecuário incluem conhecimento tecnológico e científico, com domínio de ferramentas como agricultura de precisão, Internet das Coisas (IoT), Big Data e operação de sistemas automatizados.
E também, a adoção dessas inovações exige uma base educacional muito mais sólida, como capacidade de entender toda a cadeia produtiva, compreendendo como solo, clima, mercado e tecnologia se conectam para otimizar recursos e reduzir custos.
Algumas ocupações no agronegócio ostentam salários que variam de R$ 5 mil de R$ 50 mil por mês. E, além dos conhecimentos em agronomia, medicina veterinária ou zootecnia, clássicos do setor, o agro demanda atualmente profissionais da área de TI, engenharia, gestão e meio ambiente.
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