Turismo capixaba: o desafio do segundo estágio
Crescimento do turismo no ES expõe déficit de leitos e pressiona setor por novos investimentos
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Durante anos, o turismo no Espírito Santo viveu de espasmos e demanda espontânea, salvo raras exceções de empresas que consolidaram nichos próprios. Esse cenário mudou drasticamente há dois anos, quando a reforma tributária transformou o setor em prioridade do desenvolvimento econômico estadual, ao lado da logística e da tecnologia da informação.
A partir dali, uma articulação precisa entre governo, Sebrae e o trade turístico profissionalizou o setor. Contratou-se uma consultoria especializada, desenhou-se uma nova identidade de marca e campanhas publicitárias robustas ganharam as ruas. No front comercial, o estado firmou parcerias com gigantes como CVC, Decolar e Azul Linhas Aéreas. Recentemente, dezenas de agentes participaram de um famtur que culminou na Estur, um megaevento de negócios diretos com a hotelaria local. Para coroar o momento, após 30 anos, uma missão capixaba retornou à Argentina em busca do turista portenho.
Os resultados já aparecem no Laboratório do Turismo: o Estado alcançou a quarta posição nacional em crescimento interanual no volume de atividades turísticas, registrando 440 mil viagens nacionais anuais. Em dois anos, o volume de negócios expandiu 25,77% e o setor já responde por 8,2% dos empregos formais do Estado. O melhor indicador, contudo, é a experiência: mais de 98% dos visitantes aprovaram o destino e afirmaram que recomendariam ou voltariam ao estado. O otimismo é real.
Porém, o sucesso da demanda escancarou um gargalo físico: a crise da oferta de leitos. Nos últimos 20 anos, a infraestrutura hoteleira minguou. Somente nos últimos cinco anos, Vitória perdeu mais de mil quartos de hotel; Vila Velha perdeu 500, e Guarapari seguiu a mesma esteira. Embora plataformas como Airbnb e Booking registrem crescimento expressivo na capital e nas montanhas, o modelo de aluguel de temporada é insuficiente para um estado que precisa do turismo para alavancar a receita de impostos.
O descompasso é alarmante: se os hotéis atuais operassem com 100% de ocupação o ano todo, não entregariam metade da oferta necessária para o setor ter relevância efetiva na arrecadação. Como a construção civil priorizou o mercado imobiliário residencial — cujo retorno financeiro é mais rápido do que o hoteleiro —, o estado parou de lançar novos hotéis.
Entramos, portanto, no “segundo estágio”. O Espírito Santo precisa criar um ambiente de negócios ultra-atrativo para investimentos privados. O benchmarking está na Paraíba: o Polo Turístico Cabo Branco uniu legislação específica, licenciamento ambiental acelerado, crédito expandido e gestão pública focada em destravar obras. O resultado? Mais de R$ 3 bilhões em investimentos e 16 mil novos leitos em construção.
O governo capixaba já dá os primeiros passos usando o Fundo Soberano, como na atração da sede fiscal da Housi, que abrirá um empreendimento na Praia do Canto. Atrair o turista foi apenas a primeira batalha. O verdadeiro desafio agora é garantir onde hospedá-lo.
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