Bike elétrica vira opção para atravessar a Terceira Ponte mais rápido
Fluxo na Ciclovia da Vida cresceu 11% no ano, com média de 78 mil ciclistas por mês, sendo metade das travessias feitas em bicicletas elétricas
Em meio ao processo de busca de praticidade, mais agilidade e menos custo, o número de pessoas que tem trocado o carro e o ônibus pelas bikes elétricas para atravessar a Terceira Ponte pela ciclovia tem crescido, e em ritmo acelerado.
Segundo o diretor de Gestão de Rodovias da Ceturb, José Eduardo de Souza Oliveira, desde a inauguração da Ciclovia da Vida, no fim de 2023, o fluxo na ciclovia da ponte vem aumentando anualmente.
“Em 2024, tínhamos uma média de 46 mil bicicletas por mês na ciclovia. Na proporção, era 30% elétrica e 70% convencional. Já em 2025, passou para uma média de 70 mil bicicletas mensais, sendo 40% elétricas”.
Segundo José Eduardo, nos quatro primeiros meses deste ano, o número de pessoas que usam a ciclovia aumentou mais 11%, atingindo a média de 78 mil travessias por mês. “Já temos hoje 50% dos ciclistas na ponte em bikes elétricas, e isso vem aumentando”.
A principal vantagem apontada pelos usuários é o tempo de deslocamento. “O percurso em uma bike elétrica pode ser feito em cerca de 10 minutos. Além disso, há um impacto positivo na mobilidade urbana. Ao oferecer mais opções de deslocamento, mais pessoas estão deixando o carro em casa”.
Apesar do crescimento das elétricas, nem todos os modelos podem circular pela ciclovia da Terceira Ponte. A Ceturb permite apenas bicicletas elétricas com pedal assistido. Equipamentos autopropelidos, sem pedal, seguem proibidos por questão de segurança.
O perfil predominante dos usuários da ciclovia, segundo a Ceturb, é de adultos que utilizam a bicicleta principalmente para ir ao trabalho. Nos fins de semana, o fluxo aumenta por conta do lazer e da contemplação da vista da ponte.
Quem não abre mão de usar a ciclovia para atravessar a ponte é a gerente de loja Lorrayne Fontenele, 31 anos. Ela contou que comprou a bicicleta elétrica em setembro de 2024.
“Antes, eu tinha uma despesa alta com carro de aplicativo e era inviável diante do que eu recebia, fora o estresse com o trânsito e os atrasos recurrentes por causa da ponte. A bicicleta permitiu que eu poupasse muito tempo”.
Ela relatou que mora em Itapuã, em Vila Velha, e trabalha na Praia do Canto, em Vitória, levando uma média de 20 a 25 minutos. “Vou quase que 100% do trajeto hoje por ciclovia. Isso mudou minha vida, trazendo agilidade e economia”.
Sem planos de voltar a usar carro
A servidora pública Carol Tannure, 40 anos, passou a usar a bicicleta elétrica para ir e voltar do trabalho no fim do ano passado, e não tem a intenção de voltar a ter carro:
“Moro em Vila Velha e trabalho em Vitória. Por muitos anos enfrentei a Terceira Ponte, sempre estressada. Quando tinha algum acidente, já sabia que iria me atrasar pelo menos uma hora”.
Com a mudança do modal, hoje ela afirma que o dia é diferente. “Meu dia rende mais. Ganho em tempo e em qualidade de vida. Para voltar da Enseada do Suá até Itapoã, por exemplo, eu chegava a gastar 45 minutos ou uma hora. Hoje, em 15 minutos estou em casa”.
Ela falou que se adaptou tão bem que até para supermercado vai com a bicicleta.
Ciclistas reclamam do excesso de velocidade
Apesar de práticas e econômicas, alguns ciclistas se preocupam com a velocidade das bicicletas elétricas na ciclovia da Terceira Ponte.
A enfermeira Graça Regiane Carvalho de Medeiros, 55 anos, mora em Vila Velha e vai trabalhar em uma bicicleta elétrica, atendendo na Grande Vitória.
“A bike elétrica hoje me ajuda muito e percebo que a cada dia aumenta o número de pessoas que optam também pelo modal. O problema é que no horário que atravesso a ponte, entre 6h30 e 7h, a velocidade de alguns tem dado medo”.
Segundo ela, alguns ciclistas passam buzinando e ultrapassando. “Eles acham que estão no trânsito, em alta velocidade”.
O diretor de Gestão de Rodovias da Ceturb, José Eduardo de Souza Oliveira, disse que, apesar do aumento do fluxo, o número de acidentes não cresceu. No entanto, houve mudança no perfil. “Às vezes, a pessoa se distrai durante uma ultrapassagem ou muda de faixa sem perceber outro ciclista vindo atrás”.
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