Bonde 42, de 1930, é reaberto para visitas
Após restauração, o bonde 42 volta a receber o público na Casa da Memória, na Prainha, em Vila Velha, a partir deste sábado (23)
O ranger metálico sobre os trilhos faz parte apenas da memória de quem viveu na época em que os bondes circulavam no Espírito Santo. Mas, em Vila Velha, um pedaço dessa história voltou a ganhar vida.
O tradicional bonde 42, último exemplar remanescente da antiga frota que circulava em Vila Velha e Vitória, será reinaugurado neste sábado (23) para visitação, dia em que a cidade celebra 491 anos.
Instalado no pátio da Casa da Memória, na Prainha, o veículo histórico passou por um processo de restauração nos últimos três meses.
“É sempre uma emoção diferente voltar a restaurar o bonde 42. Fomos surpreendidos com descobertas de como foi construído esse exemplar nos Estados Unidas, nos anos 1930. Uma verdadeira joia histórica que precisa ser conservada com manutenções e restaurações em períodos de cinco anos”, afirma o mestre restaurador Marcelo Siqueira.
Apesar de carregar o número 42, o bonde não fazia parte de uma frota com dezenas de veículos. Segundo o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha-Casa da Memória (IHGVV), Luiz Paulo Rangel, existiam cerca de quatro bondes em circulação em cada município, além das unidades que ficavam em manutenção.
O bonde 42 começou a circular em Vila Velha em 1912, poucos anos após a chegada da energia elétrica ao Espírito Santo. Na época, a novidade transformou completamente a rotina da população.
“O trajeto começava na região da Prainha, próximo ao atual 38º Batalhão de Infantaria, seguindo pela antiga estrada Jerônimo Monteiro, passando por bairros como Aribiri, Ibes, Glória e Cobilândia até chegar a Paul, onde os passageiros embarcavam em barcas para atravessar até Vitória”.
Mais do que transporte, o bonde ajudou a moldar o crescimento urbano da cidade. O desenvolvimento de bairros ao longo da linha férrea acompanhou o avanço da mobilidade elétrica e da industrialização capixaba.
Hoje, transformado em patrimônio histórico, o bonde 42 integra o acervo da Casa da Memória, espaço que reúne peças e documentos ligados à formação histórica do Espírito Santo. Além do veículo restaurado, o local abriga estátuas de personalidades da colonização portuguesa.
Outra novidade será o “Cinema no Bonde”, projeto que prevê a exibição de filmes, produções audiovisuais e sessões culturais no interior do veículo.
Passeio Cultural
“Podemos revisitar o passado”
A empresária e influenciadora Dani Ewald, 40 anos, é moradora da Praia da Costa desde os 10 anos. Ela, a filha Elisa, de um ano, e o marido, o biólogo Dyego Carlétti, 40 anos, foram conhecer o bonde antes da inauguração.
“Eu acho que é mais uma parte da nossa história aberta ao público. Podemos revisitar o passado e nos conectar com aquilo que foi uma realidade capixaba”, disse.
Ela continua: “É legal você tocar, ver. Tá lindo, tá muito lindo. Você entender ainda mais a história do Espírito Santo e ter parte disso disponível para visitação do público”, afirmou Dani.
Saiba Mais
História
- O Bonde 42 poderá ser visitado gratuitamente a partir de sábado (23), na Casa da Memória de Vila Velha, localizada na Prainha.
- A visitação acontece de terça a domingo, incluindo feriados, sempre das 8h30 às 17h30. Não é necessário retirar ingresso ou fazer agendamento, basta chegar ao local.
Novidade
- A inauguração do Bonde 42 também marca a entrega da segunda etapa de um projeto de modernização tecnológica da Casa da Memória.
- A iniciativa utiliza ferramentas de realidade virtual e inteligência artificial para ampliar a experiência dos visitantes e tornar a exposição “Aqui Nasceu o Espírito Santo” em uma experiência imersiva.
Acessibilidade
- Entre as novidades está a criação de visitas virtuais que poderão ser acessadas pelo celular ou pela internet, permitindo que pessoas impossibilitadas de ir presencialmente consigam “passear” pela Casa da Memória de forma online.
- O conteúdo também contará com tradução em inglês, espanhol e francês, além de recursos em Libras.
- Outra medida de inclusão foi a produção de réplicas em impressão 3D de diversas peças do acervo, permitindo que deficientes visuais possam tocar e reconhecer os objetos históricos.
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