“Por causa da dor, pedi a morte várias vezes”, diz psicanalista
Silvia Nicolau sofreu com dores intensas por mais de dois anos
Foram mais de dois anos sofrendo com dores intensas, impedindo de fazer atividades simples, como limpar a casa, até que a psicanalista Silvia Nicolau, de 49 anos, recebeu o diagnóstico de fibromialgia. Hoje, com o tratamento correto, ela consegue novamente cuidar da casa, fazer atividade física e ainda brincar com os netos.
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- A Tribuna - Como os sintomas apareceram?
Silvia Nicolau - Foi em 2017 que comecei a ficar extremamente debilitada, de chorar quando tinha de limpar as vidraças, de precisar de ajuda para me vestir e tomar banho, de sentir dificuldade para me virar na cama. Um médico chegou a me dizer que tinha de me acostumar com a dor.
- Quando tudo mudou?
Encontrei um médico que me ouviu, se preocupou e fechou o diagnóstico. Hoje tenho uma vida normal. Tomo apenas um remédio para controle. Um dos maiores desafios que nós, pacientes, temos é a incompreensão. Não tenho receio de dizer que por causa da fibromialgia eu pedi a morte várias vezes de tanta dor que sentia. Cheguei a conclusão que não fazia sentido continuar vivendo sentindo tanta dor. Mas é algo que pode ser tratado.
SAIBA MAIS
Outras condições que causam dores intensas
Fibromialgia
> Uma das principais causas de dor crônica difusa no mundo. Além da dor muscular generalizada, os pacientes apresentam fadiga intensa, distúrbios do sono, alterações cognitivas (conhecidas como fibrofog), ansiedade, depressão e hipersensibilidade do sistema nervoso, conforme explica o médico especialista em dor crônica André Félix.
> Segundo a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), cerca de 2,5% da população brasileira convive com a doença, mas até 75% dos casos permanecem sem diagnóstico.
Endometriose
> Afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é uma das condições que mais causam dor intensa e, frequentemente, demora anos para ser identificada.
> A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, provocando cólicas menstruais incapacitantes, dor pélvica crônica, dor durante relações sexuais e até desconforto ao evacuar.
> Estudos internacionais, segundo o médico especialista em dor crônica André Félix, mostram que o atraso diagnóstico médio gira em torno de 6 a 10 anos, mesmo em sistemas de saúde com bom acesso.
Dores neuropáticas
> Dor crônica complexa, descrita como queimação, choques ou formigamento, causada por lesão ou doença no sistema nervoso (periférico ou central).
> Segundo o neurologista, anestesologista e especialista em dor crônica Ramon D'Angelo Dias, as dores neuropáticas são uma das mais difíceis e podem surgir como decorrência de causas metabólicas, como diabetes, hipotireoidismo, doenças autoimunes, ou ainda por deficiência de vitaminas, por exemplo, a vitamina B12. Também podem surgir pela reativação do herpes-zóster, que é um dos principais protótipos de dor neuropática localizada.
Cefaleias
> Existem mais de 160 tipos de dores de cabeça, destaca o neurologista e anestesologista e especialista em dor crônica Ramon D'Angelo Dias.
> Entre os tipos que mais causam dor está a cefaleia em salvas — considerada por muitos especialistas a dor mais intensa documentada em escalas — que provoca dores extremamente fortes ao redor de um dos olhos, além de sintomas como lacrimejamento, congestão nasal e agitação. As crises podem durar minutos ou horas e se repetir diversas vezes ao longo do dia durante semanas.
Lombalgia crônica
> Também aparece entre as condições mais incapacitantes do mundo. Muito comum, ela compromete atividades simples do cotidiano e reduz a capacidade produtiva do paciente. Pode estar relacionada a problemas musculares, desgaste na coluna e compressões nervosas.
Fonte: especialistas consultados.
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