Cuidadora dada como desaparecida no ES foi vítima de feminicídio, conclui polícia
Luciene Galdino tinha 34 anos e principal suspeito está preso temporariamente; entenda o caso
Uma cuidadora de idosos dada como desaparecida foi vítima de feminicídio em Castelo, no Sul do Espírito Santo. Luciene Galdino, de 34 anos, foi vista pela última vez no dia 4 de janeiro e encontrada morta em um saco agrícola, dentro de um lago, cerca de 20 dias depois.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou o principal suspeito do crime, que está preso temporariamente após ir até a delegacia para ser ouvido como testemunha de um outro caso. Veja o que a polícia já concluiu sobre o caso:
Desaparecimento
Luciene Galdino morava em Conceição de Castelo e foi vista pela última vez no dia 4 de janeiro. Segundo a apuração, ela havia passado a virada do ano na casa do namorado, que vivia na cidade vizinha, em Castelo.
"Ela foi passar a virada de ano na casa do namorado e mais ninguém teve contato. E no dia 4, que foi o dia que ela desapareceu, o investigado alegou que teria ido levá-la na casa dela, em Conceição. Então, ele pegou o carro dele, foi até a casa dela, ficou lá por volta de uns 30 minutos e voltou", explicou o delegado Estevão Oggione, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Castelo.
A ida do investigado até a casa da vítima foi registrada por câmeras de segurança. As imagens mostram o carro do suspeito, uma caminhonete vermelha, chegando ao local às 15h57 e saindo às 16h28. Segundo a investigação, nesse intervalo, o homem teria deixado os pertences da vítima no local, para tentar criar um álibi.
Assista:
Diante do desaparecimento, buscas foram vistas na casa do suspeito, que apresentou sua versão sobre os fatos. Em seu relato, ele afirmou que tudo tinha corrido bem no dia anterior. No entanto, afirmou que a vítima o teria ameaçado com uma faca após descobrir uma suposta traição.
"Ele alegou que dormiu em quarto separado, mas que a madrugada passou normalmente e que ele teria levado ela em casa e teria terminado com ela. Alegou, ainda, que não sabia do paradeiro do celular dela", completou o delegado Estevão Oggione.
Vestígios de sangue
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil realizou uma nova busca na casa do suspeito. No local, um exame de luminol realizado pela Polícia Científica identificou vestígios de sangue no quarto casal. O material biológico também foi detectado em acessórios deixados pelo suspeito na casa da vítima no dia do desaparecimento.
"No dia em que ele teria levado ela em casa, ele deixou as coisas da vítima no local — uma mochila, um cordão com pingente e um relógio, que seriam as coisas dela. Eles estavam sujos de sangue. [...] A perícia apreendeu os objetos e constatou que realmente era sangue humano, e, posteriormente, foi encaminhado para para comparação do DNA desse sangue", explicou o delegado.
Após o exame, foi constatado que o sangue encontrado nos acessórios e na casa do suspeito era de Luciene Galdino. Novas amostras foram encontradas em um dos carros do suspeito e, agora, também irão passar pela mesma análise.
Corpo encontrado
O corpo de Luciene Galdino foi encontrado em um lago na localidade de Itaocá Pedra, em Cachoeiro de Itapemirim, cerca de 20 dias após o desaparecimento ser registrado. De acordo com o delegado, a vítima foi localizada dentro de um saco agrícola com duas pedras — o que, segundo a polícia, indica que houve uma tentativa de ocultação de cadáver.
A identidade da vítima foi confirmada através de um exame da arcada dentária.
Prisão temporária
Diante das evidências, a polícia acredita que Luciene Galdino não tenha saído da casa do suspeito. Durante novas buscas, foram encontradas roupas femininas que serão examinadas em laboratório. A investigação identificou, ainda, que o celular da vítima foi usado pela última vez na casa do suspeito.
"Através dessas diligências, nós conseguimos concluir que ela não saiu da casa dele. E nós também tivemos provas materiais de que, quando ele tentou criar o álibi para levar em casa, ele foi sozinho até a casa", afirmou o delegado.
A polícia solicitou a prisão temporária do suspeito, que foi aceita pela Justiça. "A prisão é temporária, válida por 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período. Mas nós já temos elementos suficientes até para concluir o inquérito e aí representar para uma prisão preventiva", completou.
O mandado de prisão temporária foi cumprido após o suspeito se apresentar a delegacia de Castelo como testemunha de um outro processo. Ao chegar no local, ele foi surpreendido pela prisão, que foi solicitada em sigilo.
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