Mais de 50% dos jovens não se exercitam o suficiente
Adolescentes não chegam a somar 300 minutos de atividades físicas por semana. Médicos alertam para epidemia de obesidade
Siga o Tribuna Online no Google
Fundamental para a saúde e o bem-estar, a atividade física não tem sido priorizada na rotina da maioria dos adolescentes no Espírito Santo.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o percentual de adolescentes entre 13 e 17 anos insuficientemente ativos em 2024 chegava a 57,5%. Além disso, outros 10,6% dos adolescentes são considerados inativos.
Na prática, significa que o tempo de atividade física – incluindo deslocamentos para a escola, educação física e atividades extras – não chega a 300 minutos por semana, ou seja, pelo menos uma hora de atividade cinco vezes por semana.
A chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE no Espírito Santo, Renata Coutinho, explicou que um dado que chama a atenção é a diferença entre meninos e meninas.
“Entre as adolescentes, entre 13 e 17 anos, 16% dizem ser inativas e 62, 7% insuficientemente ativas. Já entre os meninos, o percentual de inativos é de 5,4% e de insuficientemente ativos é de 52,3%”, afirmou Renata.
Alerta médico
A nutricionista materno-infantil Carolina Duarte ressaltou que os dados de inatividade entre adolescentes são alarmantes.
“Além disso, esse sedentarismo, mediante as telas, pode acarretar grandes danos para a saúde do adolescente. A curto prazo, nós podemos ter reflexos como cansaço, uma baixa concentração, alteração de humor”, pontuou.
A especialista reforçou que, a longo prazo – associado a uma alimentação que pode também estar inadequada – isso pode levar a doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, até mesmo câncer.
A pediatra Flávia Tavares reforçou que a recomendação para adolescentes é clara: praticar atividade física pelo menos três vezes por semana, com duração mínima de uma hora e intensidade moderada a alta. Segundo a especialista, o cenário atual preocupa.
“A gente tem hoje um grupo grande de adolescentes com sobrepeso e obesidade. Já é um problema de saúde pública, caminhando para uma epidemia”, afirmou a pediatra.
A médica destacou que o quadro se agravou após a pandemia de Covid-19, período em que os jovens ficaram mais tempo em casa e expostos às telas, e ainda não foi revertido.
Ela apontou ainda que hábitos familiares e a falta de incentivo à prática de exercícios contribuem para esse cenário.
Irmãs em atividade
Movimento
Elisa, de 13 anos, e Amanda, de 15 anos, são exemplos de adolescentes que cresceram em movimento. Desde pequenas, as irmãs foram incentivadas pelos pais a praticar esportes e tiveram a chance de experimentar diferentes modalidades até encontrar aquelas com as quais mais se identificam.
Amanda passou por atividades como balé, judô e natação, até se firmar nos esportes coletivos, como futebol e vôlei. Já Elisa seguiu um caminho mais voltado à ginástica e hoje se dedica à ginástica rítmica, com participação em competições.
“As duas sempre tiveram muita energia, e a gente foi direcionando isso para o esporte”, contou a mãe, a analista de exportação Andréia Gherardi Souza, de 43 anos.
Mesmo na pandemia, a família buscou alternativas para manter as meninas ativas dentro de casa. Para Andréia, o incentivo representa uma mudança de geração. “É algo que eu não tive, mas que fiz questão de ensinar. Queria que elas gostassem de se movimentar”.
Saiba mais
Pense
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar reúne informações relacionadas à saúde e ao bem-estar de estudantes entre 13 e 17 anos.
O levantamento é realizado pelo IBGE, em parceria com o Ministério da Saúde e com a colaboração do Ministério da Educação (MEC), usando metodologia baseada em questionários eletrônicos.
A PENSE é realizada desde 2009 e teve os resultados de 2024 divulgados na última semana.
Atividade física
Período
2025 - 2019
Inativos 10,6% - 8,8%
Insuficientemente ativos 57,5% - 62,3%
Ativos 30,5% - 28%
Atividade física - por sexo
Masculino
5,4% são inativos
52,3% são insuficientemente ativos
Feminino
16% são inativas
62,7% são insuficientemente ativas
O que é avaliado
O indicador considera o somatório dos tempos de atividade física da semana anterior à pesquisa, considerando o deslocamento entre a casa e a escola, as aulas de educação física e as atividades físicas extraescolares.
O inativo é aquele que não tem tempo de atividade física durante a semana.
insuficientemente ativo é o adolescente que se exercitou entre 1 e 299 minutos.
Já o fisicamente ativo se exercitou por mais de 300 minutos (média de uma hora, cinco vezes por semana, pelo menos).
Sedentarismo
Cerca de 47,2% dos estudantes apresentaram tempo de comportamento sedentário – tempo de permanência sentado ou deitado assistindo televisão, usando celular, computador, tablet ou videogame – diário superior a três horas.
36,9% dos escolares do Espírito Santo permaneciam mais de duas horas diárias assistindo filmes, séries, novelas e outros programas em plataformas digitais de vídeo ou na televisão.
Satisfação com o corpo
58,1% dos adolescentes se declararam “muito satisfeitos” ou “satisfeitos” com a própria imagem corporal;
28,6% se disseram “muito insatisfeitos” ou “insatisfeitos”;
12,9% alegaram “indiferença”.
Insatisfação com o corpo - Por sexo
Masculino - 18,8%
Feminino - 38,3%
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários