Nova concessão da Ferrovia Vitória-Rio vai faturar R$ 264 milhões no primeiro ano
Estimativa é de que o faturamento será de R$ 472 milhões em 2076, último ano completo de operação
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A empresa que assumir a concessão da Ferrovia Vitória-Rio, também conhecida por EF-118 e Anel Ferroviário do Sudeste vai faturar R$ 264 milhões só no primeiro ano de operação, previsto para 2033.
O dado é de relatório publicado pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo federal, e estima também que o faturamento será de R$ 472 milhões em 2076, último ano completo de operação, com crescimento previsto de 1,4% ao ano.
A demanda com Vitória-Rio criará 4.280 empregos, entre diretos e indiretos, nos mais variados setores, como agropecuária, comércio, siderurgia, indústria do café, petróleo e gás, transportes, e metalurgia, conforme o relatório.
Atualmente, a expectativa é pela publicação do edital de leilão da ferrovia, que terá 575 km entre Santa Leopoldina, na Região Serrana do Estado, e Nova Iguaçu (RJ).
Na carteira de projetos do Ministério dos Transportes para este ano, o edital estava previsto para março e o leilão da EF-118 para junho. Citando a ferrovia, recentemente o ministro dos Transportes, George Santoro, disse que o governo federal prepara uma nova política de financiamento para o setor ferroviário com prazos de até 60 anos e maior período de carência. A concessão da EF-118 terá 50 anos.
A EF-118 é um dos projetos ferroviários prioritários do governo, tanto na esfera estadual quanto na federal, de alta relevância estratégica para o desenvolvimento do Estado e para a competitividade do comércio exterior brasileiro, avaliou o subsecretário de Estado de Integração e Desenvolvimento Regional, Celso Guerra.
“A ferrovia é peça central na estratégia do Parklog Sul Capixaba, pois integrará os portos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro à malha ferroviária nacional, ampliando a capacidade de escoamento da produção e reduzindo custos logísticos para toda a região”, disse.
O projeto avançou significativamente nos últimos meses, segundo Guerra. “Em dezembro de 2025, a ANTT aprovou os estudos e os encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU). A definição de um cronograma depende da conclusão da análise do Tribunal, a partir do qual se estabelecerá as datas de publicação do edital de leilão e sua realização”.
A Federação das Indústrias do Estado (Findes) acompanha todo o processo da EF-118 e tem defendido ajustes que garantam maior integração da ferrovia com os corredores logísticos nacionais e com os portos capixabas, segundo o presidente da federação, Paulo Baraona.
“Trata-se de uma obra fundamental para ampliar a competitividade industrial e logística do Espírito Santo. Essa será também uma importante alternativa de conexão com os mercados de Rio de Janeiro e São Paulo”, explicou.
Mais vias em operação até 2030
As EF-030 (Estrada de Ferro Juscelino Kubitschek) e EF-456, dois projetos ferroviários privados autorizados, geridos pela Petrocity Ferrovias, seguem no processo de desapropriações e o plano é ter conexão com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) em 2030, acessando os portos capixabas.
As informações são do presidente do grupo Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva.
As ferrovias formam um corredor logístico Centro-Leste conectando Ipatinga (MG) e Brasília (DF) ao futuro Centro Portuário de São Mateus, no Norte do Estado, junto com a EF- A20 (Estrada de Ferro Corumbá de Goiás e Anápolis/GO) e a EF-355 (Estrada de Ferro de Brasília a Mara Rosa/GO).
A malha total da Petrocity terá 2.160 quilômetros de estradas de ferro. O custo total do projeto é estimado em R$ 28 bilhões, sendo R$ 23,5 bilhões o valor previsto para a obra das ferrovias. As ferrovias poderão ser utilizada para escoar a produção de projetos industrial que se instalarem na região.
“Seguimos nos processos de desapropriações, que não são fáceis. São mais de 6 mil fazendas para desapropriar. Tem de conversar e negociar de um em um”, explicou.
Ele destacou que foram feitos ajustes no projeto, priorizando o trecho até Governador Valadares (MG), para conectar com a Vitória e Minas e poder já iniciar as operações em 2030. “A ideia é buscar antecipar ao máximo o início das operações. Estamos viabilizando os portos secos em Mara Rosa, Brasília e Valadares, por exemplo, pois há falta de locais de armazenamento nestas regiões”, contou.
A malha ferroviária da Petrocity estará ligada à Ferrovia Norte Sul (FNS), que corta o País de cima a baixo, começando em Açailândia, no Maranhão, e terminando no Porto de Santos, em São Paulo. A Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que atravessa os estados de Goiás, Mato Grosso e Rondônia, também estará interligada.
De Vitória ao Rio
EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste)
Está prevista para fazer a ligação entre Santa Leopoldina, onde estará conectada à malha da Estrada de Ferro Vitória a Minas, e Nova Iguaçu (RJ), com conexão à malha da MRS Logística, totalizando 575 km de extensão.
Além da implantação da infraestrutura ferroviária no trecho da EF-118, entre São João da Barra (RJ) e Santa Leopoldina, a futura concessão prevê a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas associado à exploração da infraestrutura ferroviária no trecho.
A ferrovia tem conexão com os portos do Rio de Janeiro e de Vitória, e poderá conectar-se a outros portos do Espírito Santo, como o Porto de Ubu e o Porto Central, e do estado do Rio de Janeiro, como os portos do Açu, Barra do Furado e Imbetiba, dependendo da viabilidade da execução dessas ligações.
Prioridade
A EF-118 é um dos projetos ferroviários prioritários do governo, tanto na esfera estadual quanto na federal, de alta relevância estratégica para o desenvolvimento do Espírito Santo e para a competitividade do comércio exterior brasileiro.
Vai contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da região sul capixaba.
A ferrovia é peça central na estratégia do Parklog Sul Capixaba, pois integrará os portos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro à malha ferroviária nacional, ampliando a capacidade de escoamento da produção e reduzindo custos logísticos para toda a região.
Primeira fase
A Fase 1 do projeto compreende a ligação entre Santa Leopoldina e São João da Barra (RJ), incluindo o Ramal Anchieta (de Santa Leopoldina a Anchieta), com cerca de 250 quilômetros no total.
Uma mudança importante na modelagem é que o Ramal Anchieta, inicialmente previsto para ser construído pela Vale como contrapartida da renovação da EFVM, foi incorporado ao objeto da concessão.
Edital
O projeto avançou significativamente nos últimos meses. Em dezembro de 2025, a ANTT aprovou os estudos e os encaminhou ao TCU. A definição de um cronograma definitivo depende da conclusão da análise do Tribunal, a partir do qual se estabelecerá as datas de publicação do edital de leilão e sua realização.
Análise
“Novo ciclo de competitividade”
“A renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a viabilização da EF-118 colocam o Espírito Santo em um novo ciclo de competitividade logística. No caso da FCA, na prática, isso reduz custos logísticos e fortalece cadeias estratégicas como mineração, siderurgia e agronegócio.
Já a EF-118 amplia a capacidade de escoamento, podendo atingir dezenas de milhões de toneladas ao ano, e posiciona o Estado como hub logístico nacional.
No curto prazo, os impactos virão via investimentos, empregos e dinamização da construção. No médio e longo prazo, a próxima década tende a consolidar o Estado como plataforma logística do Sudeste, atraindo indústrias, centros de distribuição e projetos como o ParkLog Sul Capixaba.
O desafio será garantir execução, integração multimodal e segurança regulatória para transformar potencial em crescimento sustentado”.
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