Gripe avança no Espírito Santo e médicos alertam para vacinação
Estado registra alta incidência de casos graves de doenças respiratórias ligadas aos vírus influenza, covid-19 e VSR
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O Espírito Santo está em alerta para a incidência de casos graves de doenças respiratórias. Segundo o boletim InfoGripe, da Fiocruz, o cenário capixaba segue uma tendência nacional – com 23 estados e o Distrito Federal em níveis de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
A complicação inclui gripe e doenças respiratórias ligadas aos vírus influenza, covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Segundo especialistas, a tendência de aumento é observada com antecedência neste ano e preocupa, em especial, idosos e crianças. Por isso, especialistas alertam para a importância da vacinação.
“Este ano, a gripe chegou mais cedo em todas as faixas etárias. Mas o risco é maior para os idosos e as crianças pequenas, que são os grupos de risco”, explica o infectologista Lauro Pinto.
O boletim da Fiocruz, que considera dados entre os dias 19 e 25 de abril, aponta que o aumento de casos de SRAG no Estado é causado, especialmente, pela influenza A e o VSR – vírus alvos de vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para diferentes grupos.
“Ambos os vírus têm, agora, proteção com vacina. A vacina para influenza deve ser tomada por quem é grupo prioritário. Já o VSR afeta principalmente os bebês menores de seis meses, então a vacinação, neste caso, é para a gestante”, explica o pesquisador do InfoGripe, Leo Bastos.
Segundo ele, o aumento antecipado de casos graves pode ser explicado pela ocorrência de uma nova variante do vírus da gripe. “A influenza, assim como a covid, também lida com variantes e mutações. E nós registramos uma cepa que chegou um pouco antes do usual”, completou.
De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado, Orlei Cardoso, o aumento de casos graves pode estar relacionado, ainda, com a baixa cobertura vacinal de grupos prioritários. “Estamos com números abaixo da meta que pretendemos alcançar”, afirma.
O infectologista Lorenzo Nico Gavazza destaca, no entanto, que a prevenção deve ir além da vacinação. “A prevenção se dá com um conjunto de medidas que se somam. A vacina é a nossa proteção interior. Mas a proteção exterior, que se realiza com nossos hábitos e comportamentos, é fundamental”, explica o especialista.
Fique por dentro
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
A SRAG é caracterizada por uma infecção respiratória severa que ocasiona dificuldade para respirar e compromete a oxigenação do sangue.
A SRAG não é uma doença em si, mas uma complicação resultante de diferentes infecções por vírus, como influenza, covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Os grupos de risco incluem idosos acima de 60 anos, crianças menores de 2 anos, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades.
Cenário de alerta
Segundo o boletim Infogripe, da Fiocruz, o Espírito Santo está entre os estados em alerta para crescimento da incidência de SRAG. Vitória é uma das 13 capitais que registraram níveis elevados de atividade da doença com tendência de crescimento.
O boletim aponta, ainda, que o aumento de casos é resultado da circulação dos vírus influenza A e VSR.
Além do Espírito Santo, outros 23 estados e o Distrito Federal estão em níveis de alerta, risco ou alto risco para SRAG. Os casos graves por covid-19 seguem em baixa no País.
O documento analisa dados entre os dias 19 e 25 de abril.
Circulação de vírus respiratórios no Brasil
O levantamento da Fiocruz aponta que, nas últimas 4 semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos de síndromes respiratórias no País foi de:
VÍRUS - %
Influenza A - 31,6 %
Influenza B - 2,9%
Vírus Sincicial Respiratório - 36,2 %
Rínovírus - 26 %
Sars-CoV-2 (covid-19) - 3%
No Estado
621 pacientes foram hospitalizados por SRAG até o dia 25 de abril. Do total de casos, 8,85% evoluíram para óbito, totalizando 55 mortes.
Vacinação
A imunização para prevenção de casos de SRAG inclui vacinas contra os vírus da influenza, covid-19 e VSR. Veja o público alvo de cada imunizante no Sistema Único de Saúde:
Vacina da gripe: Idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas e grupos especiais.
COVID: Idosos, imunossuprimidos, pessoas com comorbidades, gestantes e puérperas e grupos especiais.
VSR: Gestantes, a partir da 28ª semana de gestação
Fonte: Pesquisa AT e especialistas entrevistados.
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