Documentários e filmes sobre excesso de telas para pais e filhos assistirem juntos
A pedido de A Tribuna, especialistas dão dicas de obras que alertam sobre o perigo do excesso de telas para adolescentes
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O excesso de telas e de uso de redes sociais por crianças e adolescentes já se tornou um problema constante nos lares, e educar para o uso consciente de celulares, computadores e videogames é fundamental.
Uma dica que os especialistas dão é assistir, junto dos filhos, filmes ou documentários que falem dos malefícios causados pelo excesso de telas e expliquem o funcionamento das redes sociais.
“Vendo como tudo funciona com exemplos palpáveis em filmes e documentários, a criança e o adolescente absorvem melhor o conteúdo, e isso fortalece a educação sobre o uso consciente das telas. A tecnologia não é uma inimiga, mas as crianças precisam de limites para que as telas não ocupem o lugar da vida real”, alertou a neuropediatra Larissa Krohling.
Apenas proibir o uso dos dispositivos com castigos não é o indicado para combater o vício em telas na rotina das crianças, orienta a neuropsicóloga Lícia Assbu.
“Em vez de brigar, ofereça alternativas fora das telas, chame para brincar, cozinhar, fale que está com saudade. Tenha combinados familiares para todos, como não usar celulares durante as refeições ou antes de dormir. E, principalmente, eduque pelo exemplo. Não adianta falar que não pode e não largar o celular”, explicou.
De acordo com um levantamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, cerca de 78% das crianças de 0 a 3 anos estão expostas diariamente às telas, número que aumenta entre as de 4 a 6 anos, chegando a 94%.
Entre os danos que o excesso de telas e de redes sociais podem causar no cérebro em formação de crianças e adolescentes estão prejuízos na cognição e na memória, além de aumento de ansiedade e depressão.
Além do prejuízo em estruturas cerebrais que estão em formação, causando desajustes nas crianças e nos adolescentes, o excesso de telas também prejudica o corpo e a socialização dos menores, explica Raphael Rangel, neuropediatra e mestre em neurociência pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“A socialização das crianças piora muito, elas deixam de conversar pessoalmente devido às telas. Consequentemente, a realização de atividades físicas e todos os seus benefícios para a formação do corpo em desenvolvimento são perdidos”, explicou.
CONFIRA OBRAS INDICADAS
“Screenagers”
Quando um pré-adolescente começou a implorar um celular para a mãe, a física Delaney Ruston enxergou a necessidade de investigar o quanto tempo de tela é demais para crianças e adolescentes.
O documentário “Screenagers: quanto tempo de tela é saudável” (2016) traz relatos de pais com dificuldade de balancear o uso de tecnologia com os filhos. O título é um trocadilho das palavras em inglês para “telas” e “adolescentes”.
“Dilema das Redes”
Lançado em 2020, o documentário “Dilema das Redes” mostra como as redes sociais são projetadas para prender a atenção e moldar o comportamento dos usuários. Profissionais que já trabalharam na construção de redes famosas mundialmente destacam que os algoritmos dessas plataformas são usados para criar dependência e que elas são construídas para manter o usuário constantemente conectado.
O documentário está disponível em plataformas de streaming e também na internet.
“Childhood 2.0”
O documentário “Childhood 2.0” traz uma série de questionamentos que exploram o impacto da internet, dos smartphones e das redes sociais na vida de crianças e adolescentes. Especialistas discutem o aumento do cyberbullying, vício em telas, pornografia, predadores sexuais online e o declínio da saúde mental infantojuvenil na nova era digital da contemporaneidade. O título vem do inglês “Infância 2.0”.
“Jawline: Ascensão e queda”
O filme “Jawline”, de 2019, acompanha Austyn Tester, de 16 anos, uma estrela em ascensão no ecossistema de transmissões ao vivo, que construiu seus seguidores com otimismo e sedução adolescente, enquanto tenta escapar de uma vida sem saída na zona rural do Tennessee (EUA).
“Social Animals”
O documentário “Social Animals”, de 2018, explora a vida de adolescentes obcecados pelo Instagram, pela fama e pela aceitação. O filme acompanha três jovens, mostrando os perigos das redes sociais, abordando temas como cyberbullying, autoestima e a busca por validação digital.
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