"Michael" chega aos cinemas contando a histórias e fases do Rei do Pop
“Michael” estreia celebrando as várias fases da carreira de Michael Jackson. História do astro chega às telonas 17 anos depois de sua morte
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Após polêmicas, atrasos na produção e mudanças no produto final, “Michael” estreou na última quinta-feira (23) nos cinemas do Espírito Santo celebrando diferentes fases da carreira do Rei do Pop. A história do astro chega às telonas 17 anos depois de sua morte.
A cinebiografia musical percorre desde a descoberta de seu talento como vocalista principal do The Jackson 5 até se tornar o artista visionário, cuja ambição criativa alimentou uma busca incansável para se tornar o maior entertainer do planeta.
Entre os diversos momentos marcantes de sua trajetória que são lembrados no filme estão a gravação do videoclipe do hit “Thriller” e a coreografia marcante e performance de “Billie Jean”.
Quem dá vida a Michael na fase adulta é Jaafar Jackson, sobrinho do astro. O jovem de 29 anos foi escolhido após uma busca mundial feita pelo produtor Graham King, vencedor do Oscar por “Bohemian Rhapsody” (2018).
“Conheci Jaafar há uns dois anos e fiquei impressionado com a forma como ele encarna naturalmente o espírito e a personalidade de Michael”, disse King, no início das produções, em 2023.
Para seu primeiro papel nos cinemas, o estreante se dedicou por meses a aulas de canto, atuação e muitos ensaios de dança.
“Ninguém da minha família soube durante um ano inteiro. Eu deixei tudo em segredo até me sentir confortável o suficiente para compartilhar. Mas, quando minha mãe me viu na tela, ficou impressionada”, afirmou Jaafar.
Dirigido por Antoine Fuqua, de “Dia de Treinamento” (2001) e “Invasão à Casa Branca” (2013), e ainda trazendo nomes como Colman Domingo, Nia Long e Laura Harrier no elenco, o filme chegou a receber críticas por parte de Paris Jackson, filha do astro. Ela apontou “muitas irregularidades e mentiras descaradas” no roteiro.
“Michael” também passou por grandes mudanças antes de estrear. Já no período de pós-produção, a equipe criativa e parte dos atores precisaram retomar os trabalhos e regravar diversas cenas. Foram gastos mais de 10 milhões de dólares em refilmagens.
As gravações adicionais precisaram acontecer graças a um impasse jurídico que impedia que qualquer menção às acusações de abuso infantil contra Michael estivesse presente no longa-metragem.
Segundo a Variety, o produtor Graham King chegou a afirmar, durante a CinemaCon de 2024, que deseja aproveitar todas essas partes deixadas de fora no futuro. Uma continuação já foi confirmada.
Crítica
Filme “chapa-branca” sem polêmicas
Algumas camadas se impõem entre “Michael”, cinebiografia de Michael Jackson, e o espectador. Para vê-la como ela é, ou seja, como um filme, é necessário ter em mente suas implicações e complicações.
Em primeiro lugar, a polêmica em torno da omissão de toda e qualquer menção aos casos de pedofilia envolvendo a estrela. Foram rios de dinheiro despejados para que esse passado não viesse à tona, o que é compreensível, embora não desejável de um ponto de vista pedagógico.
Em segundo lugar, a despeito dos milhões de discos vendidos, a música e a dança do astro são de primeiríssima ordem, com passos que marcaram história e sucessos até hoje cantados.
Em terceiro lugar, é um filme “chapa-branca”. E, neste caso, não teria como ser diferente. Toda a família está envolvida. Até o sobrinho de Michael, Jaafar Jackson, no papel principal, contribui para a impressão de filme em família.
O diretor é o competente Antoine Fuqua, mas precisaria trabalhar nas entrelinhas se quisesse contrabandear alguma ideia subversiva. Não foi o que fez.
Com tantas coisas boas para dizer, claro que teriam coisas ruins também. Algumas delas estão sugeridas, na incapacidade de crescer, na infantilidade que chega a irritar, na falta de jogo de cintura para lidar com o pai conforme conquistou fama e fortuna.
Talvez o elemento mais interessante nesse sentido seja a presença do segurança Bill Bray (Keilyn Durrel Jones). É ele que acompanha Michael o dia inteiro, testemunha seu sofrimento e suas angústias.
Em muitos aspectos, “Michael” se limita a ser uma declaração de amor dos irmãos ao Rei do Pop, o ser humano incrível que se preocupa com crianças doentes e ama os animais.
E tem a música, que o fez e o formou. A maior parte de tudo. A música é a responsável por Michael Jackson ter chegado no Olimpo. E é nesse quesito que o filme tem seus maiores problemas, ainda que no fim se sustente porque, justamente, a música é muito boa.
Vamos, porém, aos problemas. Num filme desse tamanho, não faz muito sentido se preocupar tanto com a veracidade dos fatos. Mas custa informar que “Off the Wall”, de 1979, não é o primeiro disco solo de Michael Jackson, como fica sugerido, mas o quinto?
E quando ele informa que já está trabalhando no álbum e que pediu umas músicas para Rod Temperton, o grande compositor inglês, custa tocar o segundo maior hit do disco, “Rock With You”, tão acachapante quanto o primeiro, “Don't Stop 'Til You Get Enough”?
Obviamente não são faltas graves, mas revelam um certo descaso com a história da discografia, comum a tantas outras biografias musicais, para não dizer a todas. Não se trata de pedir didatismo, mas um pouco mais de cuidados com a história dos lançamentos.
O destaque vai para a época do disco “Thriller”, de 1982. Vemos o cuidado com as coreografias, as filmagens dos videoclipes de “Beat It”, “Thriller”, a pressão de Michael Jackson e da CBS para que sejam veiculados pela MTV, que lamentavelmente ainda era segregacionista no começo dos anos 1980, e a explosão do disco nas paradas.
Estreias
“Um Pai Em Apuros”
Nova comédia nacional estrelada por Rafael Infante e Dani Calabresa. Na trama, Fred (Infante) vê sua rotina sair completamente dos trilhos quando Roberta (Calabresa), sua esposa e mãe de seus quatro filhos, decide tirar férias.
“Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra”
Dirigido por Gore Verbinski, conhecido por seu trabalho em “O Chamado” (2002) e nos três primeiros filmes de “Piratas do Caribe”, o filme acompanha um viajante do futuro (Sam Rockwell) que tem uma missão urgente.
“Vidas Entrelaçadas”
Estrelado por Angelina Jolie, o drama acompanha Maxine, uma cineasta americana na Paris Fashion Week que enfrenta um diagnóstico de câncer. A produção explora os bastidores da indústria da moda.
“O Diabo Veste Prada”
O projeto de cinema ao ar livre CineFlux retorna a Fluente, em Jardim da Penha, para sua 2ª edição. A uma semana da estreia da continuação da franquia “O Diabo Veste Prada”, a atração exibe o primeiro filme. A sessão aconteceu quinta-feira (23), às 19 horas. Entrada gratuita, com retirada de ingressos no Sympla.
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