Um milhão de pessoas no Espírito Santo têm hipertensão
Especialistas dizem que jovens estão mais expostos a fatores de risco como obesidade, sedentarismo, má alimentação e estresse
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Responsável por mais de 50% das doenças cardiovasculares, a hipertensão (pressão alta) atinge – segundo estimativa do Ministério da Saúde – 29,7% da população brasileira. No Espírito Santo, essa porcentagem representa 1,1 milhão de pessoas.
No último domingo (26) foi o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial e a reportagem ouviu especialistas para saber como reduzir o risco. Desde o ano passado, com a nova diretriz, quem tem pressão 12 por 8 é considerado pré-hipertenso.
Informações compartilhadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que, em 2025, 713 internações por hipertensão foram registradas no sistema público de saúde do Estado, ainda que a doença não seja de notificação compulsória. Isso representa um aumento de 17,2% em relação ao ano de 2024, quando foram registradas 608 internações.
O médico cardiologista Werther Mônico Rosa, referência técnica cardiovascular da Sesa, destaca que o número de pessoas hipertensas é alto, sendo ainda pior a tendência de aumento.
Werther explica que a doença está relacionada à expectativa de vida e à idade das pessoas, sendo que há outros fatores, por exemplo: o aumento da cobertura de atenção primária, refletindo na detecção de mais casos.
“Além disso, temos os fatores de risco, principalmente a obesidade, dieta inadequada, falta de exercício físico, hábito de fumar e uso de bebidas alcoólicas”.
A cardiologista Tatiane Emerich frisa que, apesar dos diagnósticos estarem sendo realizados cada vez mais cedo, o que preocupa é que a doença está começando, em muitos casos, ainda na juventudade.
“Jovens estão mais expostos a fatores de risco como obesidade, sedentarismo, má alimentação e estresse. Não é só uma questão de diagnóstico, estamos vendo uma antecipação real das doenças”.
Por ser uma doença silenciosa, muitas vezes assintomática, o cardiologista Emilio do Rosário Júnior afirma que há estatísticas internacionais apontando que 33% da população pode ter a doença, sendo que também apenas um terço a trata adequadamente.
“A pessoa pode apresentar sintomas apenas quando a pressão está acima dos 16, como dor no peito, tonteira e pressão na nuca”.
De olho na pressão das crianças
Foi ainda na infância, aos 7 anos, que a consultora de vendas Izabella Pauletti Corrêa, de 35 anos, foi diagnosticada com hipertensão. Pelo histórico familiar materno de pressão alta, ela conta que o pediatra, nas consultas de rotina, sempre aferia sua pressão, o que levou ao diagnóstico precoce.
“Desde então eu tomo medicação; hoje, duas vezes ao dia. Além disso, faço exames periódicos, tenho uma alimentação com pouco sal e faço atividade física”.
De forma geral, segundo a cardiologista Tatiane Emerich, a aferição da pressão pode começar a partir dos três anos de idade, nas consultas pediátricas de rotina. “Em crianças com fatores de risco, como obesidade, doença renal, essa avaliação pode começar ainda mais cedo”, destaca.
Porém, diferente dos adultos, a médica explica que a pressão na infância não tem um valor único. “Ela varia conforme idade, sexo e altura. Por isso, usamos tabelas específicas, mas, de forma geral, consideramos normal quando está abaixo do percentil 90 para essas variáveis”.
A crescente de casos de hipertensão em crianças e adolescentes está ligada ao fato de que esse público está mais exposto a fatores de risco, aponta o cardiologista Werther Mônico Rosa, referência técnica cardiovascular da Sesa.
“Hoje, o adolescente se exercita menos, come pior, tem maior incidência de obesidade e tem a questão do estresse também”.
Outro fator, segundo o médico, que pode ter influência, é o uso de rede social, já que há uma tendência entre os jovens que usam muito celular a se alimentar pior e se exercitar menos.
Fique por dentro
Prevalência
- A hipertensão atinge cerca de 29,7% dos brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. Só no Espírito Santo, isso representa aproximadamente 1,1 milhão de pessoas.
- Em 2025, foram registradas 713 internações no SUS por hipertensão, sendo que em 2024 foram 608.
Fatores de risco
- A pressão alta está diretamente ligada ao envelhecimento, mas hábitos do dia a dia têm grande influência: alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, consumo de álcool e tabagismo estão entre os principais vilões.
Exposição precoce
- Crianças e adolescentes estão mais expostos a fatores de risco, como má alimentação, menos atividade física e até estresse. O uso excessivo de telas e a piora na qualidade do sono também entram nessa equação
Doença silenciosa
- Um dos maiores desafios é que a hipertensão, na maioria das vezes, não dá sinais. Estima-se que apenas um terço dos hipertensos esteja em tratamento — e, mesmo assim, nem todos controlam adequadamente.
- Quando surgem, os sintomas costumam aparecer apenas em níveis mais altos de pressão, com sinais como dor de cabeça, tontura ou desconforto no peito.
Risco
- A hipertensão pode ser fator de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto , obstrução coronariana e angina, doenças da retina com prejuízo da visão e doença renal.
Diagnóstico
- Para adultos, o ideal é incluir essa avaliação em check-ups periódicos, pelo menos uma vez por ano, ou com mais frequência em quem tem fatores de risco.
- A aferição da pressão também deve fazer parte da rotina pediátrica a partir dos 3 anos. Em crianças com fatores de risco, esse cuidado começa ainda mais cedo. Diferente dos adultos, os valores considerados normais variam conforme idade, sexo e altura.
Valor
- Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a partir de agora, para que a aferição passe a ser considerada pressão normal, ela precisa ser inferior a 12 por 8.
- Valores iguais ou superiores a 14 por 9 permanecem sendo considerados quadros de hipertensão em estágios 1, 2 e 3.
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