ES terá primeiro município autônomo em oxigênio medicinal
Projeto Oxigênio Seguro instala usina no Hospital Apóstolo Pedro, em Mimoso do Sul, com redução de até 96% nos custos com gases medicinais
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O Hospital Apóstolo Pedro, instituição filantrópica vinculada ao SUS em Mimoso do Sul, é o primeiro do Espírito Santo a ter uma usina própria para produção de oxigênio medicinal e uma central de ar comprimido. A iniciativa, idealizada pela LS Nogueira e viabilizada por leis de incentivo fiscal, pode reduzir em até 96% as despesas do hospital com gases medicinais. Quando em pleno funcionamento, Mimoso do Sul será a primeira cidade do Estado 100% autônoma na produção de oxigênio medicinal.
Oxigênio medicinal é insubstituível
O engenheiro clínico e professor de Engenharia Biomédica da PUC-SP, Lucio Flavio de Magalhães Brito, afirma que o oxigênio medicinal é um medicamento essencial e insubstituível para tratar pacientes com falta de oxigênio no sangue ou nos tecidos.
Segundo ele, um dos desafios está na forma como a matriz de abastecimento foi construída. O sistema é fortemente baseado na produção de oxigênio líquido, concentrada nos grandes centros industriais. "À medida que a distância aumenta, o custo logístico cresce, especialmente quando o transporte depende de cilindros, que são pesados e transportam relativamente pouco oxigênio por volume", explica.
Produção local reduz custos e emissões
Lucio destaca que existem tecnologias modernas baseadas em processos de adsorção, como PSA, VSA e VPSA, que permitem produzir oxigênio diretamente no local de uso. A produção local também traz benefícios ambientais, reduzindo a necessidade de transporte de cilindros por longas distâncias e diminuindo o consumo de combustível e a emissão de carbono.
"A pandemia mostrou que o oxigênio é uma infraestrutura crítica do sistema de saúde. Ela revelou que não basta ter o produto disponível, é preciso planejamento, engenharia e gestão para garantir que ele chegue ao paciente quando necessário", afirma o professor.
"Municípios e hospitais de diferentes portes podem se organizar em rede e compartilhar pequenas usinas geradoras de oxigênio. Isso aumenta a segurança do abastecimento, reduz custos logísticos e fortalece a resiliência do sistema de saúde", destaca Lucio.
Usina de oxigênio em Mimoso do Sul
Contemplado com o projeto Oxigênio Seguro, o Hospital Apóstolo Pedro, instituição filantrópica vinculada ao SUS, é o primeiro do Espírito Santo a ter uma usina própria para produção de oxigênio medicinal e uma central de ar comprimido. A estimativa é de que as despesas com gases medicinais possam ter uma redução de até 96%.
"O Projeto Oxigênio Seguro — Hospital Apóstolo Pedro atingiu 54% do valor aprovado para captação em menos de 90 dias. Isso é uma prova de como o empresariado é sensível às causas da saúde", explica Flávio Nogueira, diretor da LS Nogueira, agência idealizadora e realizadora da iniciativa, viabilizada por meio de leis de incentivo fiscal em colaboração com o Conselho Municipal do Idoso.
A expectativa é de que no segundo semestre o projeto já esteja inaugurado. "Quando todo ele estiver em pleno funcionamento, a cidade de Mimoso do Sul será a primeira do Espírito Santo a ser 100% autônoma na produção de oxigênio medicinal", comenta Flávio.
O prefeito de Mimoso do Sul, Paulo Renato Barros, destacou o avanço: "Ser o primeiro município do Estado a receber a usina é uma honra, porque além de nos ajudar economizando recursos, vai salvar vidas".
Segundo o diretor da LS Nogueira, há possibilidade de outros municípios do Estado serem beneficiados. "Fica o convite para que prefeitos, secretários da área da saúde e administradores de hospitais e Santas Casas venham conhecer esse sistema de financiamento através das Leis de Incentivo Fiscal".
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