Polícia mira fraude em Buenos Aires por desvios cometidos entre 2020 e 2024
Esquema com servidores fantasmas começou na pandemia e seguiu na gestão
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As engrenagens da Prefeitura de Buenos Aires, na Zona da Mata Norte, viraram alvo de um "pente-fino" da Polícia Civil e abragem o mandato de Fabinho Queiroz (PSD). A Operação Morojó foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa que, sob o manto da gestão pública, teria praticado crimes de peculato e fraude à licitação. O esquema teria drenado recursos que deveriam abastecer os Fundos Municipais de Saúde e Educação.
Ao todo, 120 policiais civis foram às ruas para cumprir 19 mandados de busca e apreensão domiciliar, além do bloqueio de ativos financeiros neste último dia 23. As ordens foram executadas em cidades como Recife, Olinda, Paulista, Timbaúba e até no estado da Paraíba. As informações foram detalhadas nesta sexta-feira (24).
O banquete com dinheiro público
A investigação, iniciada em fevereiro de 2025, teve como ponto de partida uma auditoria técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). O relatório revelou um verdadeiro banquete com o erário no período de 2020 a 2024: pagamentos a servidores fantasmas, acúmulo indevido de cargos, locações simuladas de imóveis e veículos, além de contratos direcionados para empresas de fachada vinculadas a agentes públicos.
De acordo com o delegado Paulo Vitor Rodrigues, adjunto da 2ª DECCOR, o esquema floresceu durante o período crítico da pandemia e se estendeu pelo mandato subsequente. "A investigação foi desmembrada em dois núcleos: um administrativo, composto por servidores políticos, e um empresarial, que ligava a gestão municipal aos empresários beneficiados", explicou o delegado.
Rastro de cheques e luxo
A polícia não buscou apenas documentos, mas o rastro da "limpeza" de capitais. Foram apreendidos veículos, cheques e aparelhos celulares que devem revelar o tamanho real do prejuízo nas contas públicas. Os dados do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) já haviam indicado movimentações atípicas, compatíveis com a lavagem de dinheiro.
Embora ninguém tenha sido preso nesta fase, o material coletado servirá para robustecer o inquérito. O objetivo agora é munir o Ministério Público para que a denúncia seja apresentada. "É possível que a gente encontre outras pessoas envolvidas que não estamos tendo acesso nesse momento", pontuou Paulo Vitor.
Até o momento, o Tribuna Online PE não conseguiu localizar a defesa do ex-prefeito Fabinho Queiroz, substituído do cargo por Henrique Queiroz (PP). A reportagem está à disposição.
Contato: [email protected]
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