Médicos explicam veto da Anvisa a canetas para perder peso vindas do Paraguai
Medicamentos das marcas Gluconex e Tirzedral têm origem desconhecida e não devem ser utilizados, alerta a agência
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Mais duas canetas para perder peso, supostamente produzidas à base de tirzepatida, de marcas Gluconex e Tirzedral, foram proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de serem comercializadas, distribuídas, importadas e usadas no Brasil.
Os dois produtos, conforme divulgado na internet, vinham sendo trazidos do Paraguai. Segundo a agência, as medicações são produzidas por empresa não identificada e não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa.
O órgão alertou ainda que, por se tratarem de “produtos irregulares e de origem desconhecida, não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou à sua qualidade.” “Por isso, não devem ser utilizados em nenhuma hipótese”.
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, foi desenvolvida e registrada pela farmacêutica Eli Lilly, que detém a patente da substância até 2036.
Na análise da endocrinologista e presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia do Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Julião, o principal perigo de um medicamento importado sem o crivo da Anvisa não é apenas a substância em si, mas a ausência de garantia de procedência.
“Medicamentos biológicos, como os análogos de GLP-1 (tirzepatida, semaglutida e liraglutida), são extremamente sensíveis. Exigem armazenamento rigoroso entre 2°C e 8°C. No mercado irregular, o transporte raramente respeita a cadeia de frio. Uma proteína degradada pode perder o efeito ou, pior, causar reações imunológicas graves”, alerta.
A endocrinologista Queulla Garret explica que a tirzepatida estudada e avaliada com diversos ensaios clínicos é a da Eli Lilly.
“Para ter um similar, genérico ou manipulado precisamos ter a quebra da patente e estudo de bioequivalência com o medicamento original, que seria o Mounjaro. Todas as outras tirzepatidas existentes não tiveram esse estudo comparativo”.
A endocrinologista Renata Avanza destaca que já houve testes em algumas medicações sem registro, com resultados disponibilizados, apontando que as amostras analisadas não continham a substância em questão (tirzepatida), sendo que algumas tinham contaminantes, com associações de outras substâncias que não estavam descritas na fórmula, “o que realmente traz um risco real para a saúde dessas pessoas”.
Fique por dentro
Apreensão
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, além de proibir a comercialização, distribuição, importação e uso desses produtos. As chamadas “canetas emagrecedoras”, amplamente divulgadas na internet, não possuem registro, notificação ou cadastro no Brasil, o que as torna irregulares.
Riscos sanitários
Segundo a endocrinologista Maria Amélia Julião, o principal perigo desses produtos não está apenas na substância, mas na ausência de garantia de origem e qualidade.
Há ainda o risco elevado dos produtos conterem substâncias diferentes das anunciadas. Estudos já identificaram casos de ausência do princípio ativo ou presença de compostos como anfetaminas, sibutramina e diuréticos.
Também há registros internacionais de canetas “Ozempic” falsificadas que continham insulina, o que pode provocar hipoglicemia grave e até fatal.
Estudos e segurança
A endocrinologista Queulla Garret destaca que apenas medicamentos com estudos clínicos comprovados, como os realizados pela Lilly com a tirzepatida, são seguros.
Outras versões dessa substância disponíveis no mercado não passaram por testes de bioequivalência.
Preço
O preço mais baixo, a facilidade de compra sem prescrição e a busca por resultados rápidos impulsionam o mercado clandestino, na avaliação da endocrinologista Renata Avanza.
Patente
A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, foi desenvolvida e registrada pela farmacêutica Eli Lilly, que detém a patente da substância até 2036, quando outras empresas poderão usá-la para produção de medicamentos com o composto.
Punições
A Anvisa foi questionada sobre possíveis crimes e punições que quem for flagrado comercializando ou importando pode sofrer, mas não respondeu ao questionamento.
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