59 mil pessoas estão na fila do INSS no Espírito Santo
Mais de 41 mil pedidos passam de 45 dias de espera, acima do prazo legal, com aumento dos requerimentos
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A fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não para de crescer: o dado mais recente mostra que são 59.120 no Espírito Santo esperando por benefícios.
Dois anos atrás, em janeiro de 2024, por exemplo, eram 23.985 requerimentos em análise, segundo dados do Boletim Estatístico da Previdência Social.
Dos 59.120 requerimentos, 41.158 já esperam por mais de 45 dias, ou seja, acima do prazo legal. São pedidos de aposentadoria, pensão, benefícios por incapacidade permanente ou temporária e demais auxílios previdenciários.
Os números também englobam os pedidos de Benefício de Prestação Continuada (BPC), um benefício assistencial pago a idosos de baixa renda a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência, também de baixa renda, de qualquer idade.
Técnicos do governo costumam argumentar que a fila cresce devido ao fato de 1,2 milhão a 1,3 milhão de novos pedidos de benefícios entrarem no sistema todo mês. Nacionalmente, a fila soma cerca de 2,7 milhões de pedidos até março, conforme dados do INSS.
Além disso, após a demissão demissão de Gilberto Waller da presidência do INSS, na última segunda-feira (13), o órgão responsável por gerir as aposentadorias no País apresentou um relatório em qual aponta falhas nos sistemas mantidos pelo Dataprev impediram que houvesse uma redução nas filas de benefícios.
O aumento dessas filas foi um dos fatores que motivaram a saída de Waller. Segundo nota técnica do INSS de 17 de março, essas falhas nos sistemas provocaram um prejuízo financeiro de aproximadamente R$ 233,2 milhões entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano.
O impacto financeiro revelado pelo documento foi calculado a partir do custo da remuneração de servidores que ficaram impedidos de trabalhar por falhas tecnológicas.
“Considerando a remuneração média dos servidores dos cargos de Técnico e Analista do Seguro Social que atuam nas Ceabs, estima-se que os incidentes sistêmicos analisados geraram impacto financeiro potencial de aproximadamente R$ 233,2 milhões no período analisado”, detalhou a nota.
Entenda
Promessas para conter o problema
Aumento da fila
A fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) praticamente triplicou desde o início do atual governo — era de cerca de 1,087 milhão, no fim de 2022, e chegou a chegou a 3,1 milhões, em fevereiro deste ano.
O aumento na fila foi o motivo para a demissão de Gilberto Waller Júnior da presidência do INSS, na última segunda-feira (13).
Assumiu Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência.
Busca por redução da fila
Para tentar destravar a concessão de benefícios e acelerar a redução da fila, o INSS adotou recentemente algumas mudanças operacionais, como a ampliação do prazo do Atestmed, sistema que permite a concessão de auxílio por incapacidade temporária por análise documental, de 60 para até 90 dias.
Além disso, a Previdência passou a ampliar o uso da análise documental em outros tipos de benefício, como no auxílio por acidente de trabalho quando há sequelas já comprovadas.
Em janeiro, o INSS adotou fila nacional para acelerar análise de benefícios e reduzir tempo de espera. Com a mudança, a fila do INSS deixou de ser regional e passou a ser única em nível nacional, permitindo que servidores de regiões com menor tempo de espera atuem nos processos de locais onde a demanda é maior.
A expectativa agora, com a nomeação de um perfil técnico para liderar o órgão, é “destravar” a máquina e acelerar de forma mais consistente a queda da fila nos próximos meses.
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