Mulheres mortas em Cariacica: polícia pede à Justiça afastamento de militares
Armas de sete militares foram recolhidas e eles foram afastados das ruas pela PM. Pedido judicial visa afastá-los de todas as atividades
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Seguindo uma determinação do governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, para que o assassinato de duas mulheres, em Cariacica, por um policial militar, seja tratado com o máximo rigor, a Polícia Militar (PM) solicitou à Justiça, nessa terça-feira (14), o afastamento imediato dos sete militares que estavam na cena do crime de todas as suas funções.
“Eu já determinei ao coronel Rubim, comandante da Polícia Militar, uma ação efetiva, imediata, porque as cenas são, de fato, chocantes e nós não vamos conviver com esse tipo de atuação. É uma atuação que desonra a farda da Polícia Militar, uma instituição com 191 anos, servindo e protegendo a população capixaba”, afirmou o governador ontem.
A Polícia Militar determinou, no âmbito administrativo, o afastamento dos sete policiais que estavam no local onde o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale assassinou Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos. O crime foi no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, no último dia 8.
As armas dos policiais foram recolhidas pela corporação. “Foram afastados das ruas hoje (terça-feira), logo que nós tomamos conhecimento das novas imagens, e foram para as atividades administrativas. Ao mesmo tempo, o encarregado do inquérito policial militar solicitou à Justiça o afastamento cautelar de todos eles, de todas as atividades”, afirmou o comandante-geral da PM, Ríodo Rubim.
Um novo vídeo, divulgado ontem nessa terça, mostra Daniele e Francisca sentadas na calçada. Uma viatura está parada em frente às duas, enquanto uma segunda estaciona na rua de trás.
Policiais apareceram virando a esquina e caminharam em direção às vítimas, que eram casadas. Luiz Gustavo caminhou à frente dos colegas.
Uma das mulheres se levantou e o policial atirou à queima-roupa. A outra correu para o outro lado da rua, mas o militar foi atrás e fez novos disparos. Os demais policiais observaram a ação e não impediram os assassinatos.
A PM apura se mais policiais se deslocaram ao local. Porém, as imagens obtidas até o momento mostram ao menos duas viaturas.
Conversas estão em análise
Sistemas de GPS, a exata localização das viaturas e a comunicação via radiocomunicadores são analisados em relação aos policiais que estiveram no local onde as duas mulheres foram assassinadas, em Cariacica, pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale.
“Todas as ligações que eles usam são gravadas e as comunicações via rádio também. Nossas viaturas dispõem do sistema chamado AVL. São GPS e a tecnologia demonstra lugar e hora em que os nossos recursos estão”, disse o comandante-geral da PM, coronel Ríodo Rubim.
Segundo Rubim, a viatura que aparece estacionada nas imagens foi acionada por uma das vítimas e pertence à 2ª Companhia (Campo Grande) do 7º Batalhão (Cariacica) da PM, responsável por atender o bairro Cruzeiro do Sul.
Já a viatura que o cabo Luiz Gustavo usou pertence à 1ª Companhia (Itacibá), não atende à área e a corporação apura se houve autorização para esse deslocamento.
As vítimas e a ex-mulher do cabo teriam discutido e entrado em luta corporal, segundo vizinhos, devido a um desentendimento por causa de um ar-condicionado.
A ex-mulher do policial ligou para ele e disse que as vítimas tinham ameaçado o filho deles, de 8 anos. O cabo é investigado na Justiça Militar por abandono de posto, uso de viatura e transgressões no exercício da função. Ele foi autuado por duplo homicídio qualificado na Justiça comum.
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